(Dados
sobre as empresas desatualizados)
01
- CONSTANTINO DE OLIVEIRA
Quando
menino, ajudava na lavoura e vendia verduras na rua. Nem
sequer concluiu o curso primário e não se envergonha
em dizer que não gosta de ler. Aos 18 anos, adquiriu o primeiro
caminhão. O caminhão virou uma jardineira (micro-ônibus),
que virou um ônibus, que virou dois, três... Hoje, são 6.000.
O empresário é dono da maior frota do país, uma das maiores
do mundo. Espalhados por sete Estados, mais o Distrito Federal,
seus ônibus transportam em média 1.200.000 passageiros
por dia; compra 9 milhões de litros de combustível por mês;
emprega 24.000 funcionários; tem 50 garagens e seu faturamento
foi de 1 bilhão de reais no ano passado. Aos 69 anos de idade
lançou uma empresa aérea, Gol Linhas Aéreas. Ele não faz negócios
precipitados e começou no transporte aéreo sem dívidas.
Sua espetacular habilidade para os negócios dispensa
curso superior. A fortuna foi construída
com trabalho e senso de oportunidade. Quando quer fazer
um negócio, nunca apresenta a oferta: espera calado o outro
dar seu preço. Assim, sai com vantagem e amplia o poder de
barganha. A tática foi testada quando decidiu comprar a Viação
Pioneira, já então uma pequena potência em Brasília, com uma
frota de 238 ônibus de linhas urbanas. Os empresários – um
querendo vender, outro querendo comprar – se reuniam por horas
a fio sem que nenhuma das partes revelasse sua proposta. Tudo
o que se via era uma interminável troca de sorrisos, com diálogos
vagos. Foram necessárias mais de dez reuniões para que, afinal,
sua astúcia vencesse a impassibilidade oriental. Ele levou
a Pioneira e, em quinze anos, quintuplicou a frota da empresa.
Segundo adversários seus, esses traços, naturais de sua origem
simples, tornaram-se uma poderosa arma de negociação. "Ele
percebeu que isso desarmava os interlocutores, que pensavam
estar diante de um sujeito ingênuo", diz um amigo. "Quando
se davam conta haviam sido engolidos."
No final da década de 50. Ele conseguiu um feito
que muitos haviam tentado sem sucesso: estabeleceu a
primeira linha de ônibus que, de fato ligava Patrocínio a
Belo Horizonte. Todos os seus antecessores haviam acabado
vencidos, em poucos meses, pela precariedade da estrada. Puro
buraco na época da seca se dissolvia como mingau no período
das chuvas. Os carros chegavam a levar três dias para atingir
o destino – quando não voltavam no meio do caminho. Teimou.
Ao único ônibus que tinha juntou mais dois, comprados a prazo.
Lançou os carros na lama e fez com que seus motoristas (e,
muitas vezes ele próprio) seguissem para a capital aparelhados
com pilhas de enxadas e machados, além de cestos repletos
de correias, molas e outras peças de reposição. Os motoristas
partiam, técnica e moralmente, preparados para o pior – e
assim acabavam chegando.
Inaugurou o modelo de crescimento que o acompanharia
por toda a vida: a incorporação de empresas à beira da UTI.
Nesse caso, havia um roteiro preestabelecido. Identificada
a companhia, ele adquiria uma parcela minoritária do capital.
A seguir, sugeria a renovação da frota. Como o sócio majoritário
não possuía dinheiro para bancar o investimento, Constantino
arcava com a compra dos novos veículos, mediante a cessão
de um pedaço maior na sociedade. De renovação em renovação,
conquistava o controle. Certas vezes, adquiria participações
acionárias em troca de ônibus semi-novos de suas frotas. "Ele
comprou grandes empresas sem tirar um tostão do bolso",
conta um empresário do setor.
A cada negócio incorporado, Constantino designava
uma pessoa de confiança, em geral um parente, para representá-lo
na gestão. Amigos calculam que há cerca de 30 familiares empregados
em postos chaves em suas diversas companhias. Outra vantagem
de Constantino foi eleger o negócio de ônibus como prioridade
absoluta. Embora seja proprietário de concessionárias Mercedes-Benz
em Brasília e em São Paulo, ele adquire veículos de marcas
concorrentes, como Scania, Volvo e Volkswagen. Essa política
deixa os executivos da Mercedes irritadíssimos. Certa vez,
um deles queixou-se diretamente a Constantino. A resposta:
"Uai, primeiro sou dono de empresas de ônibus. E depois
sou concessionário". O executivo nada mais falou.
Só come em restaurantes a quilo e tem como melhores
amigos alguns de seus ex-motoristas e ex-cobradores. No trabalho,
ele almoça com os motoristas e chama os funcionários de "companheiros".
Ao mesmo tempo, cobra dedicação fanática e, vez por outra,
inventa formas de checar se está sendo atendido. Há dois anos,
ligou na véspera do Natal para um de seus diretores em Brasília,
perguntando se ele poderia estar na empresa no dia seguinte
bem cedo. Acostumado com o ritmo do empresário, que até o
ano passado trabalhava aos sábados
e domingos, o diretor disse que sim, estaria lá cedinho.
Chegou antes das 6 e foi logo avisado pelo porteiro: "O
patrão está aí faz mais de uma hora esperando pelo senhor".
O diretor entrou na sala e cumprimentou o chefe: "Diiia,
patrão!" Ao que o empresário respondeu: "Taaarde,
companheiro!" Deu dois tapinhas nas costas do diretor
e foi embora.
Ele credita seu sucesso a muita
persistência no trabalho. "Eu nunca achei nada
difícil. Não há nada que eu tenha começado e não tenha conseguido
dar conta. Eu gosto do que os outros falam que é difícil.
Nunca gosto de vender nada. Só de comprar. Manter os pés no
chão e os pneus no asfalto."
02
- ELÓI D'ÁVILA DE
OLIVEIRA
(Fonte: Exame.com
- Internet)
A
minha mãe morreu no 15º filho de parto. Naquele momento, meu
pai começou a dividir, a dar os filhos. Um dia ele me deixou,
com três anos, na casa de uma irmã que havia se casado aos
14 anos. O marido dela bebia muito. Aos
8 anos, comecei a vender
pastéis no período da tarde.
O marido da minha irmã chegava
às 6 horas da tarde e mandava buscar uma garrafa de pinga
para ele. Ele maltratava a minha irmã, a mim. Foi quando eu
fugi de casa pela primeira vez. Meu cunhado chegou em casa
e me deu a garrafa e o dinheiro para pegar pinga. Joguei a
garrafa fora e fugi com o dinheiro. Fui para o centro de Porto
Alegre, só que eu tinha muito medo de ser preso pelo juizado
de menores. De certa forma, eu já era um menino de rua porque
ficava a tarde toda vendendo pastéis.
Vendia jornais e usava o dinheiro
para comer. O resto eu dormia no banco da praça. Até que fui
preso, mas eu não queria voltar para casa. Fiquei lá uns três
meses até que um dia o meu pai foi lá me buscar. Ele me levou
embora para casa. Fiquei uns 3, 4 meses e fugi de novo. Só
que eu não poderia ficar lá porque eu seria preso de novo,
voltaria para casa e ia apanhar de novo. Então fui para São
Paulo, pegando carona.
Aos 12 anos, uns amigos me chamaram
para ir para o Rio de Janeiro. O
problema é que eu sabia que não poderia ir para o Rio sem
documento. Fui num cartório que se corresponde com todos os
cartórios do Brasil. Fiquei quase três meses alucinado esperando
minha cópia de certidão de nascimento. Por várias vezes eu
fui até um viaduto e pensei em suicidar. Eu achava que não
ia conseguir sair daquela vida. A coisa boa da minha história
na rua é que eu já tinha vendido pastéis. Eu vendi porta vaso,
peixe, pastel, jornal, carnê do Silvio Santos, Páginas Amarelas.
Fiz de tudo na vida.
Quando
chegamos ao Rio de Janeiro para a praia. Nunca tinha visto
praia na minha vida. Dormi na areia até às cinco da tarde.
Passei 14 dias num pronto-socorro por causa de queimaduras
no corpo todo. Voltei para a pousada onde estávamos hospedados.
Lá, meus amigos tinham dito para o dono que eles ainda não
tinham pago a conta porque o dono do dinheiro estava no hospital.
Quando eu voltasse resolveria tudo. Fugimos à noite pelo telhado
e fomos para Copacabana. Não falava com a minha família, meu
único mundo eram os dois amigos. Comecei a lavar e guardar
carro em frente ao Copacabana Palace. E fui fazendo amizade
com os porteiros. Fiquei uns três meses lá, até que comecei
a dormir numas habitações do hotel que são usadas pelos funcionários
que chegam muito cedo. Uns funcionários começaram a me apresentar
para os guias turísticos que faziam os grupos. Eu cuidava
das vans, dos carros. Foi na calçada do hotel que conheci
a pessoa que mudaria minha vida: Stella Barros, dona da agência
de turismo que tem seu nome. Quando fomos apresentados eu
tinha 13 anos, era gago e faltavam alguns dentes na minha
boca. Comovida com minha história, Stella me contratou para
limpar a loja e fazer o café. Arrumou meus dentes, me ensinou
a falar, comer, beber. Quando
soube que não tinha onde dormir, vovó Stella me deixou usar
o sofá da empresa. Eu tinha que levantar antes que todos chegassem
e só podia me deitar quando o último funcionário saísse.
Eu
já estava muito bem quando voltei para São Paulo, aos 17 anos.
Já tinha ido para Porto Alegre umas dez vezes para visitar
essa minha irmã. Trabalhei na Stella Barros de quase 13 anos
de idade até os 17 anos. Quando minha irmã se mudou para São
Paulo com seis filhos. Resolvi ajudá-la. Consegui emprego
no Bradesco e ficamos num cortiço na Barra Funda. Aos 20 anos,
me casei e aluguei um apartamento. Hoje tenho minha esposa
e quatro filhos. Mas começamos do zero. Eu trabalhava no Bradesco,
na LAP (Linhas Aéreas Paraguaias) e na rodoviária, como fiscal
de plataforma, até a meia-noite. Aí
roubaram nosso fusquinha, perdi o emprego e meu sogro quis
buscar minha mulher porque estávamos em muita dificuldade.
Mudamos para a casa dele e comecei tudo de novo, três empregos
simultâneos. Hoje, tenho de novo um fusquinha preto, que uso
para trabalhar. Quando meu filho
nasceu, eu já tinha alugado um apartamento e estava muito
bem, como diretor de vendas na LAP, para onde tinha voltado.
Infelizmente, a empresa teve nova crise e fui mandado embora
mais uma vez. Neste país, quando você perde o emprego, perde
a dignidade. Fiquei desesperado. Aí
encontrei um hoteleiro, da Panamericana de hotéis, que me
chamou para ser representante dele no Brasil. Ele me deu a
oportunidade de abrir um escritório próprio. Assim, em uma
mesa emprestada dentro de um hotel, nasceu a minha empresa,
em 1974. Empreender é saber
vender. Por isso eu coloco um V no meio da
palavra: emprevendedor.
Não
completei o ensino básico,
mas tenho uma coleção de 4.500 crachás de congressos de que
participo e palestras que dou. É meu diploma, minha
formação.
Acho que se as crianças tivessem
oportunidades desde o início elas venceriam.
Sou contra a mordomia das crianças, com motoristas, empregadas
domésticas. Quanto mais a criança puder
produzir e estudar...
Empreendedores
existem aos montes, daí o grande número de empresas que abrem
e fecham rapidamente. O que falta a essas pessoas é saber
vender o próprio negócio. Se elas vendem, elas sobrevivem.
Não dá para criar uma empresa, sentar na cadeira e esperar
o cliente chegar. É preciso
ir para a rua. Em 2006, eu parei
no escritório apenas 20 dias. Nos demais, vendi o meu próprio
peixe, trabalhei em média 18
horas por dia. O verdadeiro
empreendedor é um conquistador, é aquele que acredita no sonho
e dá o sangue para que ele não seja destruído.
Sei que não sou egoísta ou ganancioso.
Sou um cara de fazer, gosto de realizar. O mais importante
é terminar e recomeçar. Todo dia eu tive que recomeçar na
minha vida. Nunca me vi como um cara de poder, mas sim como
um cara de fazer. Recomeçar é isso: ter a visão no dia anterior.
Eu tinha só um desafio de vencer, e não uma sede de poder.
Sempre me apresento como office boy de luxo. Com todos os
problemas o Brasil é um dos poucos países
no mundo onde é possível
fazer fortuna, mesmo saindo do zero."
O sofazinho, que eu dormia na Stella
Barros, eu mantenho até hoje, em todas as nossas agências,
porque eu acho que quando você cresce tem que lembrar de onde
veio. Humildade é uma coisa que nunca quero perder, mesmo
que eu ganhe muito dinheiro. Arrogância é ignorância.
A minha agência a Flytour, fatura R$ 4 bilhões por ano, com
2.700 funcionários e 220 escritórios. Momentos
de crise devem ser enfrentados com criatividade e investimento.
03
- SIDNEY APARECIDO DE OLIVEIRA
(Fonte: Revista Poder)
Foi
aos 7 anos de idade que fez
um de seus primeiros negócios. Certo dia, ao ouvir os irmãos
mais novos chorarem de fome, Sidney saiu com o pai atrás de
alguma coisa para comer. Ao avistar um grupo de galinhas,
seu pai abateu uma das aves com um estilingue. Foi aí que
o menino mostrou o tino para os negócios, que se tornaria
sua marca registrada anos depois. Ao voltarem para casa, ele
se virou para o pai e disse: “Vamos pedir para a mãe fritar
o frango. Assim, eu levo para vender no campo de futebol”.
Deu certo! “Vendi tudo e corri para comprar açúcar, arroz
e outras coisas”, lembra Sidney. Ele soube aproveitar muito
bem todas as oportunidades que surgiram em seu caminho. Além
do tino para os negócios, curiosidade
e perseverança são outros adjetivos que servem perfeitamente
para descrever Sidney.
Aos
9 anos, se mudou para a cidade e começou a trabalhar
de faz-tudo em uma farmácia. Na época, dormia nos fundos de
uma loja de revelação de fotografias. Mandava o pouco que
ganhava para os pais. Foi assim até completar 16 anos. “Um
dia, cheguei em casa e vi minha mãe doente e meus irmãos passando
fome. Decidi que era hora de tentar a sorte em outra cidade.”
Sidney foi trabalhar novamente em uma farmácia. Durante um
plantão aconteceu a primeira grande oportunidade de sua vida.
“Era cerca de dez da noite e um carro parou na porta. O homem
que desceu perguntou se eu conhecia alguém que queria comprar
uma farmácia.” Depois de responder negativamente, ele pensou
melhor e chamou o homem de volta para perguntar sobre o valor
e se a compra poderia ser parcelada. Os dois fecharam negócio
ali mesmo. Ele deu de entrada uma TV que tinha acabado de
comprar – em várias parcelas, diga-se de passagem – e 24 notas
promissórias. Ele tinha 17 anos e o escrevente do cartório,
que era seu amigo, precisou adulterar sua data de nascimento
para que pudesse assinar o contrato de compra. Alguns anos
mais tarde, vendeu a farmácia e, depois, chegou a ter 12 só
no Paraná. Vendeu todas e comprou sua primeira farmácia em
São Paulo. Mais tarde vendeu todas e fundou a Ultrafarma.
Para
a criação da Ultrafarma, que é considerada a maior drogaria
on-line do país, aproveitou o lançamento dos medicamentos
genéricos e criou um modelo de negócios voltado para as classes
C e D. “A Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias
tinha um lobby junto às multinacionais da indústria farmacêutica
e às grandes farmácias para que os genéricos não dessem certo”,
conta. Foi durante uma visita que fez a uma rede de farmácias,
em Londres, que teve a ideia para dar forma ao seu próprio
negócio. Também viajou para o Estados Unidos, México, Canadá
e Índia, as principais praças de genéricos do mundo na época,
para saber como esse mercado funcionava. Como a rejeição dos
consumidores aos genéricos era muito grande naquela época,
ele não pensou duas vezes antes de colocar o próprio rosto
na logomarca da empresa. Quando ia fazer inserção de merchandising
nos programas populares de televisão, dizia: "O dono
da Drograsil e da Drogaria São Paulo você não sabe quem são,
mas o da Ultrafarma você sabe.” Um dos maiores trunfos da
Ultrafarma, segundo ele, é o atendimento diferenciado. Nos
atendimentos a domicílio, a grande maioria é para idosos.
“Não existe nenhum milagre no meu negócio. É logística. Eu
reduzo custos e, com isso, reduzo o preço para o meu cliente.”
A afinidade com os idosos vem do tempo em que ele mesmo cuidava
de seu avô Messias de Oliveira. “Era muito apegado a ele na
infância e percebi, quando ninguém mais queria cuidar dele,
quanto ele precisava de companhia”, afirma. Por isso, todos
os entregadores da Ultrafarma cumprem a mesma cartilha. A
intenção foi criar vínculos com os idosos e, quando necessário,
ajudá-los em suas atividades – nas notas fiscais, é normal
virem adendos com pedidos como troca de lâmpada ou para ajudar
no cuidado do cachorro da casa. Esse envolvimento gerou uma
fidelidade ainda maior de seus clientes. “Colocamos lembretes
em nossas notas fiscais para que os entregadores fiquem atentos
aos reparos que devem realizar gratuitamente”. Foi assim que
ele conquistou a clientela. A aposta deu certo e hoje Sidney
comanda a grande líder do comércio eletrônico farmacêutico
no Brasil. São mais de 2 milhões de clientes ativos, cerca
de 15 mil produtos disponíveis e faturamento estimado de R$
700 milhões para 2014.
04
- WARREN BUFFET
Filho
de corretor de ações, já possuía jeito para ganhar dinheiro
desde pequeno. Aos 6 anos -
lembra um amigo - armava uma barraca na calçada em frente
à sua casa e vendia chicletes. Depois, passou a vender limonada
em frente à casa de um colega, onde o movimento era bem mais
intenso. Os amigos comentam que ele não pensava em arrumar
uns trocados, e sim em ficar rico. No espaço de quatro décadas
acumulou a fortuna de 15 bilhões de dólares, se
tomando um dos homens mais ricos do mundo. O mérito
pelo sucesso está, em grande parte, em sua personalidade,
que inclui características como paciência,
autodisciplina, raciocínio e determinação.
Ainda
no primário, disse que enriqueceria antes dos 35 anos. Ia
até o clube de golfe da cidade comprar bolas usadas para revender.
Os amigos se lembram de quando iam com ele a uma pista de
corrida e catavam bilhetes premiados, atirados ao chão por
descuido. Comprava refrigerantes na mercearia do avô e os
revendia de porta em porta nas noites de verão. Na adolescência,
entregava cerca de 500 jornais todas as manhãs, recebendo
175 dólares por mês - o que alguns adultos ganhavam pelo trabalho
em horário integral - e guardava tudo. "Devorava"
seu livro favorito: "Mil maneiras de ganhar mil dólares".
Era fascinado por ações, assim como outros meninos eram por
aeromodelismo. Aos 11 anos,
fez sua primeira compra: 3 ações a 38 dólares cada uma. Quando
elas alcançaram a quantia de 40 dólares ele as vendeu, embolsando,
após a comissão, os primeiros dólares de lucro no mercado
de ações. Aos 14 anos, investiu
1.200 dólares de suas economias na compra de alguns lotes,
alugados depois para um fazendeiro. Aos 21 anos, seus investimentos
já lhe haviam rendido 9.800 dólares. Essa quantia foi a origem
de quase todo o dinheiro que ganharia mais tarde.
Com
o estudo cauteloso dos dados de uma empresa - focalizando
seus ganhos, bens e possibilidades de crescimento, se poderia
chegar ao valor real de um negócio, independentemente de seu
valor de mercado. O truque era investir
enquanto o valor das ações estivesse baixo, e confiar
na tendência do mercado em corrigir a diferença. Ou, como
ele próprio dizia: "Você tem que ser ambicioso quando
os outros são cautelosos, e
cauteloso quando os outros são ambiciosos".
Em
1956, trabalhando numa firma de investimentos transformou
o capital pessoal de 9.800 em 140 mil dólares. Era chegada
a hora de seu próprio negócio. Ele e sua esposa compraram
uma casa e formaram uma empresa com sete sócios. Em 1962,
os diversos empreendimentos que começaram com uma participação
de 105.100 dólares, já valiam cerca de 7,2 milhões, dos quais
1 milhão pertencia a ele e à sua mulher. Dois anos mais tarde,
ele administrava 22 milhões, com uma fortuna pessoal de cerca
de 4 milhões.
O
seu apetite pela pesquisa continuava a destacá-lo de
outros investidores. Lia os pesados
manuais de administração com o entusiasmo de um menino
lendo uma história em quadrinhos. Explorava
as páginas de finanças linha por linha. Os amigos reconheciam
que ele entendia mais de ações do que qualquer outro. Em entrevistas,
explicava seus métodos com simplicidade e modéstia. Dizia
que a compra de ações não dependia da vontade da maioria,
mas dos fatos. Ninguém avisaria quais ações eram pechincha;
você tinha de realizar tudo sozinho.
Ele sabia o que fazer. A independência
de raciocínio e a habilidade
de se concentrar no trabalho lhe ajudaram muito.
À
noite, saía para comprar a última edição do jornal local contendo
os preços do fechamento da Bolsa. Depois ia para casa e
lia uma pilha de relatórios anuais. Certa vez, disse
que enquanto outros se interessavam por beisebol ou por corridas,
seu único passatempo era ganhar dinheiro. Sempre desconfiou
de conselheiros e profetas financeiros. "Com alguma informação
do meio e um milhão de dólares você pode perder tudo em um
ano." Ele precisa estar convencido sobre o investimento
que realiza. A confiança no próprio julgamento é o que realmente
importa.
Há
duas regras que ele segue com afinco. Primeira: Nunca
perder dinheiro. Segunda: Jamais
esquecer a primeira regra. Nos negócios, aumenta suas
chances evitando contrair dívidas.
Também procura não investir em
tecnologias e negócios sobre os quais não entende.
Alguns
amigos contam que, num verão, quando ele estava com a família
conhecendo uma propriedade luxuosa, o guia relatava com detalhes
o quanto o proprietário tinha gasto com cortinas, tapetes,
antiguidades. Ele não se conteve: "Não nos conte como
ele gastou o dinheiro, mas como o conseguiu." Se comenta
também que foi a um jantar importante. Quando o anfitrião
pediu o vinho, deixou claro que tinha custado uma fortuna.
Quando o garçom se aproximou ele, que não bebe, pôs a
mão no copo e disse: "Não, obrigado. Prefiro minha parte
em dinheiro." Até hoje, Warren Buffett não possui coleção
de arte, nem um supercarro. Seu escritório se parece com o
consultório de um dentista bem-sucedido, e sua ideia de almoço
reforçado é um Big Mac com batatas fritas sobre a mesa de
trabalho. Seu único privilégio é um avião particular. Ainda
mora na residência modesta que comprou em 1958 por 31.500
dólares. Não é avarento. É até rápido em preencher um cheque,
mas quando o centavo de hoje pode tornar-se o milhão de amanhã,
ele reluta em gastá-lo. Certa vez, enquanto se hospedava no
Hotel Plaza de Nova York, ligou para um amigo, lhe fazendo
um pedido: "Pode me trazer algumas latas de refrigerante?
Você não imagina o quanto eles cobram pelo serviço de quarto!"
Para
ele, toda riqueza, como a sua, deve
sempre beneficiar a sociedade. Faz críticas aos ricos
que deixam suas fortunas para herdeiros. Ele acha que é errado
fazer os jovens começarem de cima, com
o impulso de outros. Ver seus três filhos tendo sucesso
por mérito próprio é muito importante para ele. Os três irão
receber sua parte, mas não tanto para levarem uma vida milionária. Warren
Buffet doou toda a sua fortuna para a Fundação Gates. Ele
é um dos mais transparentes administradores do mundo, suas
reuniões de acionistas duram dias, e são venerados pelos seus
acionistas fiéis.
05
- SAM WALTON
Como
o bom senso, o trabalho árduo, a persistência, a valorização
de pessoas e a honestidade podem fazer a diferença? A figura
de Sam Walton e o sucesso de uma das maiores redes de varejo
do mundo, a Wal-Mart, respondem de maneira definitiva essa
pergunta. Como a Wal-Mart conseguiu? Sam Walton responde:
"Nós insistimos e corremos atrás". Em um livro,
Walton declara sua paixão por competir e garante que foi essa
paixão que o manteve sempre atento,
sempre ansioso para visitar lojas
e fazer todo tipo de melhoria e empreendimento para manter
seu negócio constantemente vivo. O empresário do Wal-Mart
analisa sua atuação como homem de negócios e compara os valores
nos quais sempre baseou sua história com aqueles que tornaram
grandes os Estados Unidos. A alma desse livro é definida pelas
palavras do próprio Sam Walton: "É uma história sobre
o risco e o trabalho árduo,
sobre a certeza de onde se quer chegar e sobre a disposição
de fazer o que é necessário para chegar
lá. É uma história que fala sobre acreditar
em uma ideia mesmo quando outras pessoas não acreditam.
Mais do que qualquer outra coisa, porém, acho que ela mostra
que não há limite para o que
as pessoas comuns, simples e trabalhadoras podem realizar,
se tiverem a oportunidade, o estímulo
e o incentivo para fazer o seu melhor. Pois foi exatamente
assim que o Wal-Mart cresceu e se tornou o Wal-Mart: com pessoas
comuns que se associaram para realizar coisas extraordinárias".
06
- JORGE PAULO LEMANN
Discreto
e avesso a aparições, o empresário é o maior acionista da
Ambev e sócio da gestora 3G Capital, que comprou o Burger
King e a Heinz, em parceria com outro bilionário - o americano
Warren Buffett. Lemann passa a maior parte do ano na Suíça,
onde vive desde que uma tentativa de sequestro colocou em
risco a vida de seus três filhos menores.
Jorge
Paulo enviou seis cartas para grandes varejistas do mundo
todo, pedindo auxílio para conhecer o setor. Dois responderam.
Um deles era Sam Walton, convidando o brasileiro a conhecer
a sede do Wal-Mart em Bentonville - então um buraco no interior
dos Estados Unidos, com não mais de 8 mil habitantes. Depois
de horas intermináveis de voo, começando num Boeing e terminando
num teco-teco, Lemann e Sicupira desembarcaram em um aeroporto
minúsculo. Encontraram de cara um sujeito sentado numa picape
surrada, equipada com cães e um rifle de caça. "Conhece
Sam Walton?", Jorge Paulo perguntou. "Sou eu mesmo,
sobe aí e vamos embora." Ele acabou ficando amigo do
dono do Wal-Mart. Quando descobriu que tipo de tenista era
Jorge Paulo, Walton passou a convidá-lo para formar dupla
com ele e surrar adversários incautos. Seu sócio, Beto Sicupira,
obcecado por ver e entender
tudo por conta própria, desentendeu-se com
seguranças de uma loja do Carrefour, ao ser flagrado medindo
os espaços de prateleiras. E o episódio do aeroporto mostra
o quanto o estilo simples e modesto, que é uma marca da cultura
Garantia, deve a Sam Walton.
O
empresário conta o seguinte episódio: "Uma vez, jantei
com Warren Buffett. No jantar, ele me perguntou como me sentia
em relação à negociação do Banco Garantia. Eu disse que estava
bem e preferiria tentar ser mais Warren Buffett e menos Sandy
Weill, Jon Corzine ou John Reed (chefões do Travelers, Goldman
Sachs e Citibank). Buffett me perguntou por que, e eu disse
que ele tinha mais senso de humor,
mais domínio sobre o próprio tempo
e era mais rico. Ele respondeu
da seguinte forma: "Então vou mostrar como sou rico".
Puxou do bolso a agenda, folheou algumas páginas, quase
todas em branco, e disse: "Veja como sou rico.
Olhe quanto tempo tenho para fazer
o que quero, quando quero."
07
- CARLOS ALBERTO SICUPIRA
Filho
de um funcionário público e de uma dona de casa descobriu
o mundo dos negócios aos 14 anos,
comprando e vendendo carros. O prazer de negociar o fez abandonar
o sonho inicial: ser marinheiro. "Eu queria uma coisa
que, se desse certo, eu não soubesse
o limite. Na Marinha, se fizesse
tudo certo, eu sabia aonde iria parar: ocupando
o cargo de almirante." Aos 17 anos montou sua
primeira corretora e distribuidora de valores. Ele não sabia
nada sobre corretoras. Montou o negócio já pensando em vendê-lo,
como efetivamente fez um ano depois, criando um hábito que
o acompanharia ao longo de toda a carreira. Mas foi no mar,
praticando pesca submarina, em 1973, que ele conheceu o homem
que se tornaria seu sócio por toda a vida, Jorge Paulo Lemann.
Certa
vez, um administrador de empresas paulista, do ramo varejista,
esperava na mesa de uma pizzaria. Percebe que, a uns poucos
passos de distância, está o presidente do conselho de administração
das Lojas Americanas. O senso de oportunidade dissolve a inibição
e provoca um constrangido. "Com licença, você não é o
Beto Sicupira?". Era. Carlos Alberto da Veiga Sicupira,
Beto para os íntimos e os abusados, estava ali dando sopa,
aguardando lugar num restaurante carioca como qualquer mortal,
e disponível para uma abordagem com interesses profissionais.
Por coincidência, o tal administrador havia enviado seu currículo
para a Americanas poucos dias antes, mas considerou que reforçar
o pedido de emprego direto na fonte não lhe faria mal. Sicupira
foi cortês, mas não forneceu seus contatos. Em vez disso,
pediu um endereço eletrônico e prometeu escrever. "Sei...",
pensou o incrédulo paulista, depois de se despedir. No dia
seguinte, logo cedo, o e-mail estava
lá: "Aguardo seu currículo. Abraço, Beto Sicupira".
O
episódio, ocorrido semanas atrás, reforça a mística
de informalidade, interesse incansável por pessoas e apreço
pela ousadia que é marca registrada de Sicupira e de
seus sócios de uma vida inteira, Jorge Paulo Lemann e Marcel
Telles. Juntos, os três fizeram do Banco Garantia um ícone
das finanças brasileiras, metamorfosearam a Brahma em AmBev,
InBev e Anheuser-Busch InBev, deram origem à GP Investimentos
e transformaram a Lojas Americanas numa potência do varejo
que seduz administradores ambiciosos. Os três constam da lista
dos brasileiros mais ricos, com fortunas pessoais na casa
dos bilhões. A trinca, como um todo, é entusiasta do empreendedorismo,
mas Sicupira, em particular, tem um envolvimento estreito
com o apoio a empresários brasileiros
em começo de carreira. Foi ele quem trouxe para o Brasil,
no ano 2000, o Instituto Empreender Endeavor, entidade sem
fins lucrativos que promove o empreendedorismo em países em
desenvolvimento.
Sicupira
diz que pensar grande é o melhor
antídoto contra os principais erros do empreendedor brasileiro:
visão de curto prazo e acomodação. Conta, também, que nunca
viveu o dilema de ser funcionário ou patrão. "Mesmo nos
momentos em que tinha patrão, eu achava
que era dono do que estava fazendo." "Não
acredito em braço direito. Acredito em estar junto a pessoas
melhores do que você, com qualidades e conhecimentos diferentes
dos seus."
A
formação em administração ajuda, pois você tem contato com
assuntos como contabilidade, mas não faz grande diferença.
O que realmente importa é a
vontade de fazer. Você não ter noção de administração faz
parte de empreender, que é lidar com
a escassez, nesse caso de um conhecimento específico.
Provavelmente, outra formação te trará algum conhecimento
que será uma escassez para o administrador.
08
- MARCEL TELLES
“Entrei
na faculdade numa época difícil, em 1968. Na época em que
aluno desaparecia e professor era preso. Mas comecei a ver
uns amigos chegando com umas motos bacanas e uns ternos bem
cortados. Perguntei o que estavam fazendo e eles falaram que
estavam no mercado financeiro. Não tinha a menor ideia do
que fosse aquilo.
Resolvi
entrar, e entrei pela porta dos fundos. Arrumei um emprego
de conferir boleto de bolsa da meia-noite às 6 da manhã numa
corretora. A gente diz, numa metáfora de pesca submarina,
que para pegar o peixe grande você tem de estar na água. Vejo
tanto jovem que fica preocupado sem saber muito bem para onde
está indo.
Sempre
digo: comece a fazer alguma coisa e, em algum momento, vai
passar por você o cavalo selado. Daí tudo fica mais fácil.
Mas, às vezes, você não tem uma vocação claríssima. Você tem,
então, de dar uma olhada até encontrar qual é a sua.”
“Com
relação ao sócios, Jorge Paulo Lemann e Carlos Alberto Sicupira
temos habilidades diferentes, mas somos muito parecidos nas
coisas em que acreditamos. Era muito claro que tínhamos o
mesmo jeito, os mesmos valores. O maior segredo, talvez, tenha
sido sempre ter tido muita coisa grande para fazer. De outro
modo, você acaba usando aquela energia dentro da companhia
de uma maneira ruim, um contra o outro. Por isso o sonho é
tão importante. Quando o sonho é grande, há espaço para todo
mundo. O mais importante é que sempre corremos atrás e sempre
demos sorte de encontrar coisas grandes para nos manter ocupados
e crescer. Cabeça vazia é o templo do diabo. Às vezes, você
tem a tentação de estar fora da sociedade ou achar que dá
para fazer coisas sozinho, e dá. Mas eu nunca teria ido tão
longe quanto fui se estivesse sozinho. Por aprender muito
um com o outro, na hora que você está um pouco mais devagar,
alguém dos outros sai na frente, e você, competidor, já quer
fazer também, quer tocar. O Jorge Paulo Lemann está infernal,
é um negócio inacreditável. Parece que tomou uma supervitamina
empresarial. Ele está diabólico. E é nessa hora que a gente
fala: ‘Caramba, vou me mexer também’. Essa é a mágica da nossa
sociedade.”
“No
Banco Garantia, éramos operadores, trabalhávamos num ambiente
aberto, conhecíamos bem o valor de trabalhar num ambiente
onde ouvíamos tudo o que os outros falavam. E trabalhar em
um ambiente aberto é uma metáfora para trabalhar em equipe.
Dois ou três se juntavam para tomar uma decisão e determinar
um caminho.
A
atitude de dono também veio do Banco Garantia. Quando você
está operando, é dono mesmo. Você está assumindo posições
e riscos, numa atitude de dono. Depois, acrescentamos coisas
de outros lugares. O hábito de andar no mercado, de gastar
sola de sapato, veio da rede varejista Lojas Americanas, que
veio, por sua vez, do varejista americano Walmart.
Outro
aprendizado que tivemos é que não adianta comprar nada que
um de nós, do grupo, não vá tocar. Tentar tocar por controle
remoto não funciona. A gente sempre questiona: ‘Quem está
com o dele na reta?’ Nossa pergunta em qualquer projeto é
sempre esta: ‘Quem vai fazer aquilo funcionar e, se não funcionar,
vai morrer tentando fazer funcionar?’ ”
“Dei
sorte na minha vida porque peguei umas caronas com o Jorge
Paulo e com o Beto Sicupira. Com o Jorge, aprendi muito sobre
o mercado financeiro. Falando com o Beto, que estava há tantos
anos na Lojas Americanas, antes de entrar na cervejaria Brahma,
ele me disse: ‘Não mexa em nada antes, porque tudo o que te
parecer óbvio será parecido com a opinião que o motorista
de táxi ou o barbeiro teriam para resolver aquele problema.
E normalmente não será a decisão correta. Faça o que achar
que você sabe’. E o que eu sabia, ou achava que sabia, era
a parte sobre gente, metas, incentivos. Isso foi o que fiz
nos primeiros dois anos. Provavelmente, metade do que eu achava
de antemão estava errada mesmo. E metade do que os consultores
me falavam também estava errada. Eles nos diziam que, para
economizar custos, deveríamos fundir as redes de distribuição
da Brahma e da Skol. Fazia todo o sentido matemático, mas
eles não perceberam que a rede de distribuição da Brahma,
na época, era predominantemente de gato gordo. E a da Skol
era formada pelo marido no caminhão, a mulher na contabilidade
e o filho carregando caixa. Eram pobres com muita vontade
de ficar ricos. Graças a Deus, nesse ponto, não ouvimos os
consultores.”
“Não
é o dinheiro que faz gente boa. Gente boa quer construir,
meter bronca. O dinheiro é o que você deve a essas pessoas
pelos resultados que elas trazem. Muita gente acha que balançar
dinheiro na frente de uma pessoa vai fazê-la mudar, correr
atrás ou se transformar. Não vai. Aquela pessoa já traz em
si esse tipo de atitude.”
“Tivemos
sorte na Brahma de viver um Brasil mais lento, mais confortável.
Tivemos oito ou dez anos para formar as pessoas. Criamos uma
legião de fanáticos por fazer as coisas daquele modo. É o
que se chama de cultura. Ficou muito fácil quando nos juntamos
com a cervejaria Antarctica, porque tínhamos muita gente para
levar essa mensagem para lá. O aprendizado é assim: você precisa
ter um pipeline de gente. Tivemos sorte de ter dez anos para
desenvolver esse pipeline sem grandes solavancos. Quando você
entra numa nova companhia, vai sempre com as melhores intenções
de aproveitar a maior quantidade de gente possível.
Mas
falando com franqueza: esqueça o primeiro escalão. No segundo,
você começa a achar pessoas. No final, a aposta é a de sempre:
ponha jovens lá dentro, porque
eles vêm com idealismo. Uma coisa que a gente
sempre fez é povoar qualquer companhia ou novo negócio com
jovens. A gente ouve: ‘Que risco! O cara tem
30 anos e você vai entregar o México para ele?’ Claro! A gente
sempre fez isso e não me lembro de nenhum caso que tenha dado
errado. É claro que você tem de dar uma ajuda. Mas gente boa
explode quando você dá uma oportunidade. Sempre vai ter gente
que goste de nossa cultura, dessa nossa maneira de fazer as
coisas.
Uma
maioria diz: ‘Para que trabalhar tanto, correr tanto atrás
dessa meta? Já não está bom?’ Mas a gente sempre consegue
achar jovens que têm essa ambição, esse brilho nos olhos,
essa faca nos dentes, essa vontade de construir.”
O
senso de realização e o orgulho de pertencer a um time espetacular
são inerentes ao ser humano.
Não sei se todo mundo é assim, mas eu tenho visto isso em
todo lugar. É preciso sempre correr atrás para renovar o sonho,
a ambição e para manter a equipe motivada.”
09
- SALIM MATTAR
Meu
avô veio para o Brasil aos 14 anos, com seis dólares. Ele
não falava uma palavra sequer de português. Era um jovem que
estava fugindo de uma perseguição religiosa. Com
seis dólares ele empreendeu uma trajetória de sucesso como
empresário. Ele foi para mim o exemplo de uma pessoa que começou
do nada e constituiu um expressivo patrimônio às custa de
muito trabalho. Teve armazém. Depois passou a ter linha de
ônibus, transportadora, fazenda. Mas o início de tudo foi
como vendedor ambulante. Ele tinha um cavalete e uma mala
de papelão, onde levava bugigangas. Ele era um estrategista.
Sabia onde estava o mercado. Se havia um jogo de futebol,
ele ia para a porta do estádio. Ficava na porta da igreja
esperando a missa acabar. Não importa o que fosse, estava
junto das aglomerações, vendendo.
Essa
obstinação pelo trabalho e pelo empreendedorismo está no sangue
de minha família. Meu pai me estimulou a ter meu próprio negócio.
Uma história ilustra bem o pensamento dele e da minha família.
Naquela época, a educação era um pouco diferente de hoje.
Havia momentos de orientação, de sermão,
de educação, de reflexão. Lá em casa, era aos sábados.
Depois do almoço, meu pai tirava uma soneca. Ao acordar, lavava
o rosto e se sentava numa poltrona para conversar
com todos os filhos. Era também a hora das solicitações.
Um filho precisava de um par de sapatos, outro queria dinheiro.
Um dia, nessa reunião familiar, aos seis anos, pedi a meu
pai para estudar piano. Eu tinha um amigo libanês que estudava
piano perto de casa. Eu ia às aulas com ele e ficava encantado.
Então, falei com meu pai da minha vontade. Lembro que estava
sentado no colo dele. Sua mão direita pegava o meu braço.
Na hora que falei, ele me apertou com tamanha força que entendi
que tinha feito uma coisa errada! Eu quis sair e ele disse:
"Não! Fique aqui! Por favor, todo mundo chegue mais perto.
Repete, Zé! Fala bem alto para todo mundo o que você falou!"
Então, eu repeti: "Eu queria estudar piano!" Ele
retrucou: "Ouviram? Está terminantemente proibido qualquer
pessoa nesta casa pensar em piano ou em qualquer instrumento
musical, viu, seu Zé! Vai crescer, vai abrir um comércio para
você. Você ganha dinheiro, compra uma
casa, se casa, tem filhos. Na sua casa, você deixa um quarto
grande, compra o maior aparelho de som que tiver e todos os
discos de todos os pianistas que você quiser, mas vai tirar
essa ideia de sua cabeça." Para ele, um filho
pianista era uma afronta! Ele queria um filho do comércio!
"Eles eram os maiores pianistas do mundo e não há de
ter nada igual. Não é você nem nenhum de vocês que vai ser
tão bom quanto eles. E deixa eu falar como eles viviam: viviam
pobres, famintos, esfarrapados, tocavam para os outros por
um prato de comida." Eu decidi ali que não queria mais
ser pianista, que aquilo não dava dinheiro. A partir de então,
sempre que ele me perguntava o que eu seria quando crescesse,
eu respondia: "Vou abrir um comércio para mim."
Assim, era várias vezes ao dia. Bastava ele me olhar para
eu dizer: "Vou abrir um comércio para mim."
Eu
diria que o exemplo do meu avô e a morte precoce de meu pai,
que morreu aos 47 anos, marcaram a minha vida. Aos
13 anos de idade eu só tinha irmãs mais velhas e me
transformei num arrimo de família. Aquilo para mim foi uma
coisa que me amadureceu muito rápido e melhorou minha vida
em termos de perspectiva porque eu
já agia como um indivíduo adulto apesar da pouca idade.
Eu trabalhava no pequeno armazém do meu pai, lutando com certa
dificuldade. Aos 17 anos eu mudei para Belo Horizonte, onde
fui morar numa pensão. Eu era office-boy: buscava sanduíche,
pagava título no cartório, ia ao banco.
Um
dia, ao pagar uma conta, como office-boy, fui ler a nota fiscal
que me entregaram. Num bilionésimo de segundo eu fiz uma conta.
Estava escrito ali: número de diária de Volkswagen tanto.
Fiz uma regra de três se um dia custa x, 365 dias são 365x.
Em voz alta, balbuciei na frente do dono da locadora: vou
abrir um negócio desse para mim. Falei aquilo instintivamente
porque seria mal-educado da minha parte falar aquilo. Eu jamais
faria aquilo, que fluiu de mim. Ele perguntou: "O que
foi que você disse?" Eu respondi que o valor do recibo
estava correto. Não esqueci mais aquele negócio, eu tinha
17 anos de idade. A loja ficava numa avenida e, aos sábados,
sentava num banco para ver os clientes chegar e sair. Para
mim era alucinante.
Aos
21 anos fui transferido para outra empresa do grupo. Apesar
da pouca idade, era gerente dessa mineradora e tinha 240 pessoas
subordinadas a mim.
Aos
23 anos, abri a Localiza com um sócio. A gente pensava muito
grande, embora tivéssemos apenas seis fuscas usados comprados
a crédito.
Quando
abrimos a Localiza, não fiz pesquisa de mercado ou plano de
negócios. Apenas segui o mantra: "Vou abrir um negócio
para mim!" Não quis saber quem estava no mercado ou quem
era líder. Quando conto essa história para jovens universitários,
sempre digo: "Tomem cuidado! Não façam desse jeito. Isso
foi possível em certa época."
Segui
a trajetória do negócio de nossa família, que se chamava Armazém
Serve Bem. No armazém, fazíamos entrega a domicílio, atendíamos
pedidos por telefone. Quando não tínhamos a mercadoria, comprávamos
no mercado para atender o nosso cliente. Enfim, nós tínhamos
uma visão de cliente muito ativa,
que, desde o início, eu procurei levar para a Localiza.
A
gente já trabalhava 24 horas. Imagine uma locadora 24 horas
há 33 anos. Hoje Belo Horizonte não tem nenhuma locadora 24
horas, nem a Localiza.
Naquela
época a gente precisava de cliente, cada semana um de nós
dormia no escritório. A gente se barbeava lá, tomava banho
lá, almoçava lá. Na hora do almoço ia para outra sala, comia
alguma coisa e continuava. Era eu que lavava os carros junto
com o meu sócio. O cliente devolvia o carro, a gente recebia
o carro. Quando o cliente saía a gente lavava o carro e depois
colocava a gravata de novo para atender cliente. Quantas vezes
fui motorista da Localiza. Às vezes algum cliente pedia carro
com motorista e eu ia lá. Como eles não sabiam que o motorista
era o dono, eles muitas vezes davam até gorjeta.
Não
importa se a pessoa abre uma pequena sorveteria e tem sucesso.
Porque sucesso não é tamanho, mas ligado à realização. Às
vezes ter a melhor padaria da região é um sucesso. Em todos
os lugares do mundo existem
oportunidades. Vide o que tem
de novos milionários e bilionários na China e na Rússia. Aqui
na Localiza, estamos no meio de uma trajetória onde nós construímos
uma grande base de um negócio." São mais de 7.777 funcionários
em 583 agências em sete países e 222.177 veículos.
10
- AKIO MORITA
Após
a II Guerra Mundial, Morita e Ibuka fundaram a Tokyo Telecommunications
Engineering Company, com aproximadamente 20 empregados. Ibuka
focou toda sua energia em pesquisa tecnológica e desenvolvimento
de produtos, enquanto Morita foi essencial na liderança da
Sony nas áreas de marketing, globalização, finanças e recursos
humanos. Como a companhia era direcionada à
expansão para o mercado global, era evidente a decisão
em mudar o nome da corporação para Sony. A decisão não foi
muito bem aceita, pois Tokyo Tsushin Kogyo já era bastante
conhecido. Não se importando com a opinião externa, Morita
achava necessária a mudança do nome da companhia para algo
mais fácil de pronunciar e lembrar, pois a companhia iria
crescer e também a sua presença global. Assim, ele mudou o
nome para Sony Corporation.
Em
1960, a Sony Corporation of America se estabeleceu nos Estados
Unidos, e Morita decidiu se mudar para lá com sua família
e criou novos canais de distribuição para a companhia. Ele
acreditava que a Sony deveria criar seus próprios canais de
distribuição. Diversos produtos lançados pela Sony em sua
história podem ser creditados à criatividade e ideias inovadoras
de Morita. Suas ideias deram origem a novas culturas e estilos
de vida, isso é evidente em produtos como Walkman e Vídeo
Cassete.
Morita
demonstrou suas habilidades de mudar
o convencional, como na área de finanças, quando em
1961, a Sony Corporation of America foi a primeira companhia
japonesa listada na Bolsa de Valores de Nova Iorque e isso
possibilitou que o crescimento do capital da empresa não apenas
no Japão. Sony ditou a maneira das companhias japonesas crescerem
com capital estrangeiro, na época em que a prática comum era
o empréstimo de fundos de bancos.
Com
a mudança do nome Tokyo Tsushin Kogyo para Sony, Morita ficou
ansioso para diversificar as operações
da Sony para além do mercado eletrônico. Em 1968, entrou no
mercado de música, mercado financeiro e joint venture, além
de uma gravadora. No ano seguinte, a Sony adquiriu uma empresa
cinematográfica.
Morita
emitia um brilho natural, e sua personalidade, como ele mesmo
descreveu é alegre, amado por muitos.
Oito conselhos de Akio Morita:
1. Acreditar em si mesmo - Não deixe que
as pessoas acabem com suas expectativas de como você deve
agir. Akio rompeu com a tradição familiar para iniciar o seu
negócio, sua família era uma das mais antigas e aristocrática
produtora de saquê, e o resultado é uma das mais reconhecidas
marcas na história.
2. Comece pequeno - O investimento inicial
para criar Sony foi 350 dólares. Sua sede: um edifício semi-destruído
pelos bombardeios da II Guerra Mundial. Morita recomenda:
Não se detenha pela falta de dinheiro ou aos presságios nefastos
ao negócio: Encontre sempre uma saída.
3. Escolher um bom nome - O nome original
da Sony: Tokyo Tsushin Kogyo Kabushiki Kaisha (Tokyo Telecommunications
Engineering Corporation). Demasiado longo para o ideário americano
de quem pretendia inserir seus produtos no mercado. Rebatizou
a empresa com uma combinação de sonus (som, em latim) e Sonny
(um apelido usual no E.U.A.). Mais sonoro, mais claro e mais
curto. Uma marca memorável, em diversas ocasiões, faz toda
diferença.
4. Confie no seu instinto - O sucesso inicial
da Sony não foi por causa de uma pesquisa de mercado, se não
a uma máxima de Morita: "Observe
atentamente o modo como as pessoas vivem, obtenha um senso
intuitivo do que eles podem e querem ter para ela."
Um exemplo: Morita recusou-se a mudar o nome do Walkman para
Soundabout, uma marca ainda reconhecível. Nem sempre a razão
parte dos experts.
5. Não tenha
medo de cometer erros, ...mas não cometa
o mesmo erro duas vezes. Quanto mais erros cometer,
mais sábio será e, assim, acumulará mais experiências para
romper novas fronteiras.
6. Produzir
Qualidade - "A publicidade e promoção não sustentam
um produto ruim ou inadequado".
7. Ser diferente - Apesar do fim da II Guerra
Mundial ser recente, quando abriu a primeira loja da Sony
nos Estados Unidos, a entrada da loja foi decorada com uma
bandeira japonesa. O resultado? Comentários, expectativas
e muitos jornalistas. A originalidade
e riscos produzem publicidade gratuita. Muitos
não sabem, mas Akio foi um grande estrategista de Marketing.
8. Crie seu mercado - O triunfo acontece
especialmente em lugares onde não há concorrência estabelecida.
Morita criou produtos para mercados inexistentes e que foi
a chave para o seu sucesso: crie uma necessidade e satisfaça.
"Se atravessarmos nossas vidas convencidos de que a nossa
é a melhor forma de agir no mundo, vamos acabar deixando passar
todas as novas ideias que aparecem diariamente."
11
- SOICHIRO HONDA
Ele
era uma criança curiosa, que
desde muito cedo ficava observando
os motores, encantado com seus barulhos, cheiros e segredos!
Nunca foi um bom aluno, mas
era inteligente, pois apesar de não se interessar pelas teorias
dos livros, ele preferia a prática
das coisas!
Aos
8 anos, já havia construído uma bicicleta e, aos 13 já tinha
uma série de pequenas "invenções"! Aos 16 anos,
Honda foi para Tokio como aprendiz numa oficina mecânica,
e poucos anos mais tarde, voltou para sua cidade e abriu a
sua própria oficina. Trabalhou dia e noite, inclusive dormindo
na própria oficina. Para poder continuar nos negócios, empenhou
as joias da própria esposa. Quando apresentou o resultado
final de seu trabalho a uma grande empresa, disseram-lhe que
seu produto não atendia ao padrão de qualidade exigido. Ele
voltou para a escola por mais dois anos, sendo vítima da maior
gozação dos seus colegas e de alguns professores que o tachavam
de "visionário". Após dois anos, a empresa que o
recusou finalmente fechou contrato com ele. Durante a guerra,
sua fábrica foi bombardeada duas vezes, sendo que grande parte
dela foi destruída. Reconstruiu sua fábrica, mas um terremoto
novamente a arrasou. E logo após a guerra seguiu-se uma grande
escassez de gasolina em todo o país e ele não podia sair de
automóvel nem para comprar comida para a família.
Criativo,
ele adaptou um pequeno motor à sua bicicleta e saiu às ruas.
Os vizinhos ficaram maravilhados e todos queriam também as
chamadas "bicicletas motorizadas". A demanda por
motores aumentou muito e logo ele ficou sem mercadoria. Decidiu
então montar uma fábrica para essa novíssima invenção. Como
não tinha capital, resolveu pedir ajuda para mais de quinze
mil lojas espalhadas pelo país. Como a ideia era boa, conseguiu
apoio de mais ou menos cinco mil lojas, que lhe
adiantaram o capital necessário para a indústria.
Hoje
a Honda Motor Company é um dos maiores impérios da indústria
automobilística japonesa, conhecida e respeitada no mundo
inteiro. Tudo porque o Sr. Soichiro Honda, seu fundador, não
se deixou abater pelos terríveis obstáculos que encontrou
pela frente
12
- GERALDO RUFINO
"Arrumei
um jeito de ganhar dinheiro aos 11
anos. Pegava latinhas num lixão perto da favela
onde morava com meu pai e irmãos. O dinheiro da venda de latinhas
foi investido na criação de um campo de futebol na comunidade.
Comprei traves, uniformes e passei a administrar a locação
do espaço e dos uniformes."
O
faro empreendedor, não parou por aí. "Construí uma frota
de carrinhos de madeira, que alugava para outros meninos fazerem
carreto nas feiras." Ao ser contratado para trabalhar
no Playcenter, Rufino tinha 14 anos e já havia comprado um
Fusca. "Certo ou errado, meus negócios tinham rendido
o suficiente para comprar o carro."
No
Playcenter, trabalhou durante 15 anos, começando como office
boy. "Meus chefes me fizeram voltar à escola. Cheguei
a entrar na faculdade, mas trabalhava 16 horas de segunda
a domingo e tive de optar. Como já era apaixonado por ganhar
dinheiro, parei de estudar."
Enquanto
trabalhava no Playcenter, Rufino pensava em criar um pequeno
negócio para ter a sensação de segurança. "Resolvi comprar
uma Kombi e dar para meus irmãos fazerem carretos. Com o tempo,
dei um caminhão para cada um. Por ironia do destino, eles
se envolveram, simultaneamente, em um acidente. Era hora de
recomeçar e criei um novo negócio."
Aproveitando
as partes que sobraram dos dois caminhões, Rufino criou uma
empresa para reciclar veículos desse tipo envolvidos em acidentes
e comercializar suas peças. "O negócio engrenou, meus
irmãos se empolgaram com o dinheiro e perderam o foco. Compraram
sítio, gado, e acabaram quebrando a empresa, que estava em
meu nome."
Para
saldar as dívidas e limpar o nome, Rufino deixou, temporariamente,
o Playcenter para reorganizar a empresa. "Feito isso,
não tive coragem de vender o negócio e demitir seis funcionários.
Acabei conciliando as duas atividades, até ficar totalmente
envolvido e ter de deixar o emprego."
Aos
29 anos, Rufino deixou o cargo de diretor das Playcenter instalada
em todo o Brasil, e começou a fazer uma coisa diferenciada
em sua empresa. "Apesar de todos acharem um absurdo desmontar
um caminhão Mercedes, eu acreditava que desmanchar coisas
de qualidade era uma forma de atingir empresas mais estruturadas,
que poderiam dar sustentação ao negócio."
Mais
uma vez estava certo. Ele conta que um caminhão com 10 anos
de uso é considerado novo. "Só compramos de pessoa jurídica
porque o segmento é delicado, não podemos correr riscos. "
Em
2000, a JR foi assediada por um grupo americano de concessionárias.
"Eles me convenceram a abrir uma rede de concessionárias,
e foi um erro. Entre 2002 e 2006, trabalhei para recuperar
o dano. Hoje, desmontamos mil caminhões por ano e crescemos
4% ao mês."
Rufino
conta que devido ao erro estratégico, passou por dificuldades.
"Isso fez com que meus dois filhos, Arthur e Guilherme,
viessem trabalhar comigo. Na época, tinham 17 e 15 anos, respectivamente.
Hoje, um é diretor de marketing e desenvolvimento e o outro
é diretor comercial e operacional." Ele afirma, porém,
que o erro virou um presente. "Se isso não tivesse acontecido
havia o risco de ter dois filhos playboys."
Segundo
ele, Arthur foi responsável pela profissionalização da empresa.
"Hoje, quando recebemos grupos de executivos de outros
países, meus filhos dão uma aulinha sobre o setor. Evoluímos
muito."
Aos
futuros empreendedores, Rufino diz que a sorte está aí para
todos. "Se a pessoa levantar cedo, sair com determinação,
acreditar de corpo e alma no que está fazendo, e manter o
foco, a consequência é o sucesso. Essa receita funciona para
qualquer coisa que a pessoa fizer na vida. Mesmo quando quase
perdemos tudo, continuei trabalhando com afinco."
A
história do fundador da JR Diesel, Geraldo Rufino, não deixa
dúvidas. Aos 55 anos, comanda 150 pessoas e fechou 2013 faturando
R$ 50 milhões.
13
- JOSÉ LÚCIO COSTA
Ele
é do tipo sempre alerta, nada escapa ao seu ouvido, nem ao
olhar aguçado. Ele sempre tem um jeito para resolver qualquer
problema. Esse jogo de cintura permanente é resultado de quem
experimentou dissabores e teve de lutar para sobreviver. Com
a morte do pai, Lúcio Costa, resolveu ajudar no sustento da
família. Aos 9 anos, começou
a catar restos de metal velho nas ruas, para vender a um intermediário.
Esperto, seguiu o intermediário e passou
a vender diretamente ao ferro-velho. Em seguida, passou
a vender balas e gibis nas portas dos cinemas. "Nossa
situação financeira caiu muito. Cheguei a passar dias comendo
só banana", lembra-se. E foi à luta. Aos 17 anos, quando
trabalhava em uma loja de móveis e de malas, atendeu o dono
da Remington, que ficou encantado pelo
seu estilo ágil de trabalho. "Ele me disse que
quando completasse 21 anos deveria procurá-lo, pois a empresa
não contratava menores de idade. Repliquei: Nada disso – regras
existem para serem quebradas. Fui ao seu escritório e ele
me contratou como revendedor." Dali, atendendo outro
cliente, da GE, entrou para essa empresa, de onde saiu gerente
da área de eletrodomésticos. "Na verdade, até hoje o
que eu sou é um vendedor", brinca o empresário.
Em
1973 uma fábrica de cozinhas montada em cima de um trailer,
usado também como "show-room", serviu como ponto
de partida para a instalação da fábrica de exaustores, a partir
da observação da falta do equipamento nas cozinhas visitadas.
É
persistente. Afinal, mesmo em momentos de crise extrema, soube
dar a volta por cima. "Quando houve a quebradeira em
redes de grandes magazines, que culminou em prejuízo enorme
para a minha empresa, foi quando percebi que eu estava virando
sócio rico de firma pobre. A sorte é que eu ainda dispunha
de juventude, de garra e, principalmente, de credibilidade.
E algo que nunca me faltou: iniciativa",
relembra.
Juntamente
com o filho Leandro e dois executivos, dirige a empresa, confirmando
assim que negócios familiares podem ser importantes e com
êxito quando são o resultado do trabalho e da dedicação de
todos os que dele participam, quando bem liderados.
A
Suggar Eletrodomésticos, tornou-se um gigante no setor e a
maior fabricante brasileira de exaustores e lavadoras semi-automáticas.
São sete empresas, com crescimento superior a 78% em relação
a 2013 e com faturamento previsto de R$ 2,5 bilhões em 2014.
14
- DEB WEIDENHAMER
(Fonte: Globo.com - negócios)
Deb
Weidenhamer iniciou seu primeiro negócio com apenas 11
anos, completou o ensino fundamental e médio mais rapidamente
que outras crianças e terminou a universidade quando tinha
apenas 18 anos. Aos vinte anos de idade, ela abriu a própria
firma de leilões e, vinte anos depois, a sua empresa realiza
leilões online e ao vivo vendendo de tudo: de imóveis e joias,
instrumentos musicais e até equipamentos pesados.
Ela
é uma pessoa determinada, responde perguntas de forma breve
e objetiva. E, para ela, perceber
que nem todos os funcionários têm a mesma determinação é um
de seus grandes problemas. "Estou constantemente
pressionando as pessoas para que elas façam mais, tenham mais,
tentem mais e se você é aquele tipo de pessoa que só aparece
no trabalho e quer ir para casa em um horário certo, então
provavelmente isto não vai funcionar muito bem para você",
disse.
A
empresária conta que "menosprezava" os outros estudantes.
"Eles não tinham nenhum objetivo na vida. Tudo o que
queriam era brincar e eu tinha mais o que fazer." Ela
não acha que era uma criança extraordinária, mas disse que
era "persistente" e pressionava os professores para
que ela pudesse avançar mais rapidamente nos estudos. Aos
onze anos de idade, depois de perceber que não receberia parte
dos lucros das vendas de biscoitos em seu grupo de escoteiras,
ela começou sua própria companhia de
vendas, indo de porta em porta oferecendo de tudo:
desde pequenos objetos para casa até equipamento para camping.
Ela
conseguiu um emprego no setor de aquisições de empresas em
San Francisco, em uma época em que morava em Phoenix. Durante
os cinco anos em que trabalhou no setor, ela precisava viajar
toda semana. Em uma dessas viagens ela se sentou ao lado de
um homem de cerca de 80 anos que trabalhou como leiloeiro.
A descrição que ele fez de seu dia de trabalho e o quanto
de dinheiro que ganhou a intrigou. Um mês depois ela saiu
do emprego e se matriculou em uma escola de leiloeiros onde
aprendeu a falar como um leiloeiro, rapidamente, descrevendo
cada lance. Ela conta que achou o setor interessante por estar
insatisfeita com seu emprego na época e também por ter percebido
que o setor, estimado em US$ 250 bilhões nos EUA, era, em
sua maior parte, controlado apenas por cerca de 5 mil empresas.
A partir daí, ela usou as economias para alugar um armazém
em uma área decadente de Phoenix e começou a fazer propaganda
para empresas, tentando convencê-las a escolher sua casa de
leilões para vender seus bens. Nos primeiros 30 meses ela
não teve salário e investiu tudo o que ganhava na empresa,
trabalhando das 7h da manhã até a madrugada
e fazendo de tudo, desde dirigir caminhões até realizar os
leilões sozinha. Na época, o primeiro funcionário era um cão
de guarda, que cuidava da segurança da empresa. "Em termos
de solidão acho que não teria conseguido se não tivesse um
cachorro", disse.
A
sua determinação em profissionalizar o setor abalou uma estrutura
estabelecida. Segundo ela, para muitos clientes a proposta
dela foi o primeiro documento impresso que receberam. Alguns
competidores tentaram de forma explícita manchar a reputação
dela, dizendo que ela não sabia o que estava fazendo. "De
certa forma me estimulou a provar que eles estavam errados",
disse.
Um
ano depois de abrir a casa de leilões, Weidenhamer começou
a contratar funcionários e agora tem quase 300 no mundo todo.
A empresa recebe uma comissão para cada venda. E a expansão
continua, ajudada por uma abordagem mais divertida dos leilões,
que ocorrem depois do horário de trabalho, nos finais de semana
e incluem música alta, bebidas e comida.
Weidenhamer
trabalhou muito para estabelecer sua presença na China onde
a empresa realiza entre 24 e 30 leilões por mês. A entrada
no novo país instigou seus instintos empreendedores e ofereceu
um novo caminho para o crescimento de sua empresa.
15
- RICARDO RODRIGUES NUNES
Filho
de comerciante, Ricardo sempre foi um batalhador. Sua trajetória
empreendedora começou cedo e teve profunda influência de seu
pai, um comerciante de bijuterias. "Nunca tive moleza
em casa. Com menos de 10 anos,
meu pai já me colocava para trabalhar. Eu
trabalhava na loja e também vendia mexericas nos sinais de
trânsito. Percebi que tinha que gritar mais alto do que todo
mundo. Senão, eu não vendia". Como concluiu apenas
o 2o grau, ele se vale da intuição e do tino
comercial herdado do pai.
Aos
18 anos, começou a repetir todas as semanas o roteiro preferido
de seu pai - ir a São Paulo para buscar mercadorias e vender
em sua cidade natal, Divinópolis, no interior de Minas Gerais.
Mas em vez de trazer bijuterias na bagagem, passou a comprar
bichos de pelúcia para revendê-los pelo dobro do preço. A
família vendeu um carro para montar uma pequena loja e, com
o lucro trazido pelos ursos de pelúcia, Ricardo passou a revender
também eletrodomésticos - por um preço bem mais baixo do que
o oferecido pela concorrência. "Nunca segui nenhuma regra
dos manuais de administração. Coloquei na frente da loja Cobrimos
qualquer oferta de eletrodomésticos do país. Foi o primeiro
choque. O povo passava na rua e pensava. Este menino é
doido. Nem eletrodomésticos ele tem", lembra. Realmente
não tinha. Para conseguir vender os portáteis, o recurso era
investir em ursinhos de pelúcia. Ricardo comprava mil ursinhos
e vendia pelo dobro. Em compensação, comprava dez liquidificadores
e repassava para o consumidor por valor menor que o de custo
para, assim, consagrar a fama de oferecer eletrodomésticos
mais baratos. Até hoje, os ursinhos são lembrados dentro da
empresa, que mantém a estratégia de perder em um produto para
obter lucro em outro.
"Além
de oferecer preços baixos, os clientes gostavam de ir à minha
loja porque eu mesmo os atendia. O consumidor gosta de ser
bem tratado e esse diferencial foi fundamental para o crescimento
da rede. Faço questão de não perder
minhas origens, beijo as clientes,
empacoto mercadoria e se precisar descarrego o caminhão,"
afirma. "Varejo não acontece
no segundo piso, nas salas com ar-condicionado." Seu
braço direito nessa empreitada é o irmão caçula Rodrigo Nunes. Em
menos de duas décadas, Ricardo que partiu do ponto zero -
zero mesmo. Hoje, com apenas 42 anos, ele comanda a Ricardo
Eletro, com 1.000 lojas e 23.000 funcionários.
16
- ABILIO GONTIJO
Nasceu
num sítio. Era o caçula e dividia com os dez irmãos as tarefas:
criação de boi, capina, plantio de café e cana-de-açúcar.
"A gente tinha muito porco, galinha. Vivia independente
do mundo, mas sem dinheiro", diz. Seu pai faleceu quando
estava com 9 anos. Aos 15 foi para a cidade em busca de vida
nova. Foi mecânico e depois dono de oficina. O negócio não
deu certo e ele resolveu tirar carteira de motorista.
Em
1943, aos 19 anos, 4o ano primário,
comprou um micro-ônibus. Era motorista, trocador, mecânico
e o que fosse preciso nos 80 kms de estrada de terra que separam
os dois destinos. Nada o intimidava. Levava foice e machado
para o caso de precisar desbravar o caminho. O desafio o estimulava.
Durante dez anos, trabalhou como motorista, fazendo a linha
Belo Horizonte / Patos de Minas. Sua empresa cresceu com a
industrialização do Brasil e a construção de Brasília. Teve
que deixar o volante para administrar a empresa. Na sua empresa
o funcionário que entra para a limpeza pode chegar a motorista
ou chefe de escritório. Ele acredita na
disciplina, no trabalho e na inovação. A
Empresa Gontijo, possui uma frota de 1.100 ônibus, 199 linhas,
com atuação em 20 estados e 4.500 funcionários..
17
- NORBERTO ODEBRECHT
A
fatalidade de uma doença que o deixou 47 dias de cama - a
malária - mudou os planos de Norberto Odebrecht, dono de uma
construtora em graves dificuldades financeiras em 1944. Não
bastassem os cre-do-res que batiam à porta, Odebrecht tinha
ainda de dar satisfação aos clientes cujas obras estavam paralisadas.
"Aprendi na vida a transformar
problemas em oportunidades. É aí que a gente percebe
se o sujeito é empresário ou não. Tudo é uma questão de enfoque".
No
intervalo entre um pico e outro de febre alta, Odebrecht traçou
o novo perfil da empresa com ênfase na descentralização. Cada
funcionário a partir de então seria tratado como um sócio,
compartilhando a responsabilidade pelo êxito da empreitada.
Mais difícil foi negociar com os credores. Mandou um recado
aos banqueiros: "Arranjem-me obras que eu pago as dívidas."
Logo ele reduziu o tempo de construção de um edifício residencial
na capital baiana de três anos para nove meses. Em quatro
anos, os débitos estavam zerados. E hoje a holding Odebrecht
fatura R$ 4,5 bilhões por ano, estando presente em 24 países
de quatro continentes. A receita do
sucesso está em não se deixar sucumbir em nenhuma circunstância.
"Empresário que só se queixa só tem uma coisa a fazer:
decidir como dar um fim na vida dele, porque está atrapalhando
muita gente."
A
formação de Norberto Odebrecht combina a rigidez luterana
e a flexibilidade baiana. Aos 12 anos, quando entrou para
o ginásio, não sabia falar português, porque o idioma em casa
era o alemão. "Fiquei impressionado ao ver os meninos
que tinham babás, mamãezinhas para fazer a mala. Eram pessoas
acostumadas a serem servidas, e eu
a servir." A disciplina foi ensinada desde cedo pela
mãe, que lhe incumbia tarefas diárias como arrumar
a cama, rachar lenha e engraxar os sapatos.
Aos 14 anos, começou a trabalhar como pedreiro na construtora
do pai. Conviver com os peões, respirar nuvens de cal,
cimento e areia, ficar ensurdecido com o som das britadeiras
e bate-estacas, tudo isso foi tão importante
para a sua formação.
Tudo
ia bem até a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Agastado também
com a hostilidade aos descendentes de alemães, intensificada
com a entrada do Brasil na guerra, o pai resolveu arrumar
as malas e retornar para Santa Catarina. Em 1943, entregou
o comando da construtora ao jovem Norberto, que nem sequer
era engenheiro formado, já que ainda cursava a Escola Politécnica.
Após retomar a saúde financeira da empresa - e recuperar-se
da malária que o fez ter a visão do futuro que desejava para
a empresa -, Odebrecht usufruiu do ciclo de desenvolvimento
da Bahia, nos anos 40, que propiciou a construção de pontes,
edifícios, indústrias e barragens. Na década seguinte, ele
se tornaria parceiro da Petrobras, construindo oleodutos no
Recôncavo. Essa parceria seria fundamental para o grande salto
que deu no final dos anos 60, quando tratou de conquistar
o mercado da região Sudeste. Os militares haviam tomado o
poder em 1964 e se dedicavam a grandes obras de infra-estrutura.
Em 1969, a Odebrecht construiu o edifício-sede da Petrobras,
no Rio. O bom relacionamento com os militares valeu à construtora
a realização de obras importantes como o aeroporto internacional
do Galeão e a usina nuclear de Angra dos Reis, além da ponte
Colombo Sales, em Florianópolis, sem falar na expansão da
Usiminas, em Minas Gerais.
Em
meados dos anos 70, entretanto, Odebrecht percebeu que o chamado
milagre econômico dava sinais de desgaste. As obras gigantescas
eram cada vez menos frequentes. Mais uma vez, se viu obrigado
a repensar a estratégia dos negócios, como fizera 30 anos
antes. Odebrecht olhou para o mercado externo como solução,
num tempo em que a palavra globalização não era moda e não
era abundantemente citada na seção de economia de jornais
e revistas. Em 1979, construiu uma hidrelétrica no Peru em
parceria com estatais da ex-União Soviética. Foram os russos
que indicaram a Odebrecht para a construção de uma hidrelétrica
em Angola, em 1986. São 200.000 funcionários e presença em
23 países.
18
- HENRY KAISER
(Fonte: Reader"s Digest - ...e
Viva Melhor)
Filho
de sapateiro, que mal ganhava o suficiente para sustentar
a família de quatro filhos. Ele era o único filho homem, e
foi obrigado a abandonar a escola aos
11 anos, para trabalhar ajudando seu pai. Quando começou
a procurar emprego, aos 13 anos,
ninguém em sua cidade natal acreditava que ele iria conseguir.
Quem iria dar emprego a um sujeito como ele? Tímido e com
físico de aparência fraca, ele estragava tudo o que tentava
fazer. Esse rapaz que foi um fracasso
em sua juventude, veio a se tornar o maior construtor naval
durante a Segunda Guerra Mundial, possuindo sete
estaleiros funcionando a todo vapor, dia e noite, produzindo
navios mercantes, petroleiros e porta-aviões, além de diversos
outros empreendimentos. Sua organização se espalhava pelo
mundo, rendendo por ano, bilhões de dólares.
Aos
79 anos, Kaiser ainda era quase tão esperto quanto um adolescente.
Era barulhento, espalhafatoso e simples,
por isso, todos gostavam dele. Se empenhava em todos os projetos
com muita dedicação e alegria. Quando fiscalizava uma obra,
gritava ordens e perguntas a todos os que estivessem dentro
de seu raio de visão.
"Qualquer
um pode fazer o que eu fiz. Desde que observe sete princípios
para ter sucesso na vida:
1
- A maioria das pessoas só utiliza um décimo de sua capacidade
total de trabalho e de pensamento original. Procure
usar todas as suas habilidades e você ficará admirado com
os resultados que obterá. Aos 16 anos, na época estava
desempregado, me aproximei timidamente do proprietário de
um estúdio fotográfico. "Chefe", disse, tremendo
de medo "Preciso de um emprego. Acho que posso fazer
seus lucros triplicarem em dois meses." "Você pode
fazer o quê?" riu o proprietário. "Isso mesmo! Se
eu não conseguir triplicar seus lucros, trabalho de graça
para o senhor. E se eu conseguir quero a metade do lucro extra."
"Está bem. Se você triplicar os lucros, eu o farei meu
sócio" disse o proprietário, achando engraçado. Fui à
biblioteca pública e li todos os livros sobre fotografia que
consegui encontrar. A princípio fiquei com medo. Realmente
pensei que não iria conseguir. Mas eu me comprometera, diante
de testemunhas. Então eu tinha de agir. Primeiro, afixei cartazes
dizendo que fazíamos serviços em 24 horas. O chefe disse que
aquilo nunca poderia ser feito. Eu lhe garanti que poderia
fazer o trabalho extra, e foi o que fiz. Às vezes,
eu trabalhava até às quatro horas da manhã. O chefe me avisou
que eu ia ter um esgotamento nervoso. Mas ocorreu algo inacreditável:
trabalhar 18 horas por dia não me fatigava.
Eu tinha uma meta. Comecei a me divertir. Não
precisava dormir tanto quanto antes. O negócio
aumentou tanto que eu tive de inventar um novo sistema de
iluminar o estúdio e um método de revelação contínuo para
dar conta de tudo. Ao fim de dois meses, os lucros já estavam
quase quatro vezes maiores. Me tornei sócio no negócio.
2
- Se você tiver força de vontade
e usar todas as suas energias, e se agarrar bastante tempo,
acaba cansando o adversário. Todos os que têm relações
comigo sabem que a minha persistência é uma força poderosa.
Visando a conquista de mundos mais amplos, abandonei minhas
atividades e rumei para o nordeste do Pacífico, onde um novo
império estava nascendo. Procurei, então, o dono de uma loja
de ferragens pedindo um emprego. "Aqui não há vaga"
disse o dono da loja asperamente. Mas durante duas semanas,
dia após dia, eu voltava. Daí a quinze dias, antes que o proprietário
pudesse dizer não outra vez, eu
disse: "Me deixe mostrar só uma coisa urgente. O senhor
tem aqui vários milhares de dólares em artigos domésticos.
Não consegue vender porque estão sem brilho. Me deixe lustrá-los
para o senhor..." "Pois então vá polir essa droga.
Venda!" disse o proprietário, já impaciente. "Mas
pare de me encher a paciência." Comecei a trabalhar.
Mas no dia seguinte, tornei a encurralar o chefe. "Senhor,
não dá certo. Polir aquelas coisas é muito vagaroso. Eu quero
que o senhor contrate uns rapazes para me ajudar." Mais
uma vez, o proprietário me disse que fosse embora. Mas na
manhã seguinte, apareci outra vez, desta vez com o banqueiro
da aldeia. "Senhor", disse o banqueiro, "Ele
quer fazer um empréstimo para comprar uma parte de suas mercadorias
manchadas. Ele não tem garantia alguma, mas conhecendo a perseverança
e a honestidade dele, estou disposto a fazer o empréstimo,
se o preço for adequado." O proprietário, muito surpreendido,
levantou as mãos para o alto. "Está bem! Está bem, eu
desisto. Contrate os garotos. Vou empregá-los só para ficar
livre de você." Vendi os artigos com lucro, e, dentro
de três meses, era gerente de vendas da loja.
3
- Resolva quais são seus verdadeiros sonhos - e depois, procure
alcançá-los. Vai perceber que estão mais próximos do que você
pensa. Há muita gente que tem sonhos grandiosos. Mas acham
que esses sonhos são impossíveis. E ficam desperdiçando seu
tempo com trabalhos que não o ajudariam a realizar seus sonhos.
Gastam sua energia explicando a si mesmos por que seus sonhos
não são possíveis. Se você acha que não sabe o que quer fazer,
pergunte a si mesmo: o que é que eu mais quero na vida? É
esse o seu sonho. E, por mais idiota que esse sonho possa
parecer, você pode alcançá-lo! Primeiro anuncie o que são
os seus sonhos. Depois, procure os meios de realizá-los. De
que maneira transformo minhas aspirações em realidade nua
e crua? No princípio da Segunda Guerra Mundial, eu queria
construir navios em série, mas não sabia nada sobre essa indústria.
Só tinha visto um estaleiro na vida, quando comecei a montar
o meu. Achei que assim talvez fosse melhor - talvez fosse
uma boa ideia não saber o que
não podia ser feito. Todo mundo me disse que era impossível.
Assim, convoquei o pessoal para uma "conferência de impossibilidade".
Nós fizemos uma relação de todos os motivos por que deveríamos
fracassar. Não tínhamos aço, nem estaleiros, nem pessoal experiente
na construção naval, nem planos, nem dinheiro. Tratei de uma
razão para fracassar de cada vez. Não tínhamos projetos
nem projetistas de navios. Então, nós mesmos seríamos nossos
projetistas. Como não tinha nenhuma experiência anterior que
limitasse as minhas ideias, imaginei um método de construção
baseado na pré-fabricação. Isso nos auxiliou em alguns de
nossos outros obstáculos. O sistema de pré-fabricação necessitava
de mais operários especializados do que os métodos tradicionais.
Chegamos a empregar avós como soldadoras em nossos estaleiros.
Esse sistema também significava instalações menos complicadas,
de modo que o problema de conseguir um estaleiro ficou mais
simples. Os banqueiros, ao verem como os nossos problemas
iniciais estavam desaparecendo, se sentiram mais propensos
a nos financiarem. E assim é: a gente resolve uma pequena
fração das partes difíceis, e o resto se ajeita. Os motivos
do fracasso parecem imensos, quando nós os consideramos todos
ao mesmo tempo; se analisarmos cada um deles separadamente,
veremos que não são tão enormes quanto pareciam. Me recusei
a adotar os métodos comuns, colocando a quilha e partindo
daí, à construção do navio. Esse método era muito lento para
os tempos de guerra. Mandei meus engenheiros construírem estaleiros
três vezes maiores que os de tamanho comum, tão grandes que
milhares de homens pudessem trabalhar ao mesmo tempo, para
que a proa pudesse ser construída em um lugar, a parte central
em outro e a popa em outro. Quando todas essas partes estavam
terminadas, um guindaste colossal, muito maior que outro qualquer
jamais usado em um estaleiro, as apanhava e as depositava
no lugar em série, do mesmo modo como se fabricavam automóveis.
E depois as partes eram soldadas. Outra novidade foi a construção
de inúmeras seções - uma cabine, por exemplo - de cabeça para
baixo. Os operários podiam assim usar solda horizontal, muito
mais fácil, em vez de soldar para cima. Quando as partes ficavam
prontas, um guindaste as recolhia e as punha em ordem. Me
tornei o construtor naval de maior sucesso no mundo. Lançava
à água um navio por dia. Consegui realizar isso porque sempre
perguntava a mim mesmo: Por que não
se pode fazer? E depois eliminando os motivos aos poucos.
4
- Preste serviços ao público. Descubra projetos que satisfaçam
as necessidades do público. Quanto mais gente for beneficiada,
melhor para você também. Aos 71 anos, resolvi passar umas
férias no Havaí. Mas tive dificuldade em encontrar vaga no
hotel. Milhares de turistas já tinham sido recusados. "Há
muita gente que quer gastar dinheiro no Havaí" pensei.
"Vou construir uns hotéis." Alguns magnatas do Havaí
riram quando souberam dos meus planos. Onde construir um hotel?
Os únicos locais que restavam eram, na maior parte, lamaçais
e favelas. Transformei os lamaçais em uma das praias maiores
e mais lindas do Hawaí. Meses depois, o hotel estava pronto.
Como disse: "Quem presta um benefício ao público geralmente
acaba se beneficiando também."
5
- Raramente realizamos muita coisa
sozinhos. Precisamos do auxílio dos outros. Eu progrido
tendo em volta de mim gente mais esperta
do que eu e ouvindo suas opiniões. E eu parto do princípio
de que todos são mais sabidos em
algum assunto do que eu. Escuto e faço
perguntas. Quando um empregado me dá uma boa ideia,
geralmente digo: "Ótimo. Gosto dessa ideia. Você acaba
de adquirir um trabalho extra. Ponha em funcionamento a sua
ideia - a partir desta tarde." Não importa quem seja
o dono da ideia; a pessoa que demonstra a iniciativa recebe
novas responsabilidades. Um resultado disso é que a maior
parte das minhas 60 empresas é chefiada por executivos que
se tornaram gerentes com menos de 32 anos.
6
- Para se alcançar o sucesso, é necessário
um esforço total. Cuidado com as distrações. Se você
quiser obter sucesso, é preciso pagar um preço. Quando você
tiver necessidade de se divertir - visitas sociais, TV, cartas,
cinema - você deve avaliar isso, perguntando: "Esse
desgaste de tempo e energia me ajudarão a realizar meu objetivo
na vida?" O sucesso é um patrão egoísta. Leia
as biografias das pessoas famosas - os Curie, Einstein, Edison,
Winston Churchill. Todos eles, e quase
todos os outros que alcançaram a grandeza, trabalhavam desde
o raiar do dia até depois da meia-noite. Eu também
sou assim. Olho só para frente - nunca para os lados, Estou
sempre tocando para a frente.
7
- Dirija seus negócios como se você esperasse que hoje fosse
seu último dia de vida. Sou um dos homens que têm maior noção
de tempo no mundo. Até as cinco horas que destino para meu
sono são produtivas. Esse período é o que denomino de "período
de ideias", e tenho sempre um bloco e um lápis ao lado
da cama. As pessoas que não me conhecem muitas vezes ficam
admiradas quando lhes telefono às três horas da madrugada.
"Escute, tive uma ideia..." acredito que, poupando
alguns minutos aqui e algumas horas ali, é possível aumentar
em muitos anos a utilidade de nossa vida. Todas as manhãs,
relaciono mentalmente tudo o que quero fazer antes da meia-noite.
No fim da tarde, passo a lista em revista. Todos os projetos
têm de ser completados - tal como se eu não estivesse ali
no dia seguinte para tomar conta do que estivesse sobrando.
Esse costume me permite começar todos os dias 'em ordem'.
Me obriga a tomar as decisões à medida que surgem os problemas
em vez de empurrar para o dia seguinte."
Esses
sete princípios transformaram radicalmente Henry J. Kaiser
de um jovem doente, gago e pobre numa pessoa de grande fortuna,
vigor, prestígio, felicidade e longevidade. Será possível
a uma pessoa média usar com sucesso esses mesmos princípios?
Na opinião dele é possível, sim. "Primeiro resolva o
que quer fazer, e depois tenha a coragem de ir de encontro
à realização dos seus ideais, por mais impossíveis que possam
parecer. Se você quiser realmente chegar lá, não há nada que
possa impedir".
19
- AMADOR AGUIAR
O
fundador do Bradesco tinha 16 anos e tinha acabado de fugir
da fazenda de café onde empunhava a enxada. Quatro
anos antes, quando cursava o 4o ano primário, o pai,
que tinha 13 filhos, o tirou da escola para que ele o ajudasse
na plantação. Ele fugiu, revoltado
com o comportamento do pai, que bebia demais, e pegou no sono,
no banco de uma praça. De madrugada, foi acordado por um mendigo,
que lhe pediu um trocado. Aguiar revirou os bolsos e achou
uma moeda. Então, pensou: "Parece mentira, mas existe
gente que tem menos do que eu".
Amador
Aguiar entrou num restaurante. O dono olhou para o rapazote
de mãos calejadas e perguntou se ele queria comer alguma coisa.
"Não, primeiro eu quero trabalhar e só depois vou aceitar
o prato de comida", disse Aguiar. Não demorou para que
ele encontrasse emprego numa tipografia, na qual perdeu o
dedo indicador da mão direita numa máquina de impressão.
Aos 22 anos, Aguiar era office-boy na filial
de um banco no interior de São Paulo. Foi nessa época que
começou a acalentar a ideia de subir na vida e, algum dia,
tornar-se poderoso. Dois anos depois, numa carreira fulminante,
ele já ocupava o cargo de gerente. Mais do que à ambição,
ele atribuía o êxito a um detalhe aparentemente secundário.
"Todo o meu sucesso eu atribuo
à asma. Eu não dormia à noite e, por isso, lia tudo sobre
as atividades bancárias. Assim, superei os funcionários mais
letrados do que eu."
Em
1943, o projeto de virar banqueiro começou a se concretizar
quando, com amigos, adquiriu um banco falido de Marília. A
instituição ganhou de imediato um novo nome: Banco Brasileiro
de Descontos, o Bradesco. No dia da inauguração, a morte repentina
do sócio escolhido para dirigir o novo negócio fez de Amador
Aguiar o diretor-presidente. Além de plenos poderes, foi agraciado
com um terço das ações do banco, que, por sinal, naquele momento,
nada valiam. O Bradesco era tão insignificante que o próprio
Aguiar fazia piada da sigla da instituição. "Banco Brasileiro
dos Dez Contos, se há?", alguém perguntava, e ele respondia
às gargalhadas: "Não há!"
Os
financistas da época em geral tinham uma visão elitista do
negócio e só se interessavam pelo dinheiro dos fazendeiros
e dos grandes industriais. O Bradesco mudou tudo. Foi o pioneiro
em separar a administração das agências. A ideia de Aguiar
era afastar os altos executivos dos problemas corriqueiros
das agências. Com isso, sobraria tempo para eles se dedicarem
aos grandes negócios. Foi o primeiro banco brasileiro a investir
no varejo, o primeiro a aceitar o pagamento de contas de luz,
o primeiro a receber declarações de Imposto de Renda e o primeiro
a usar computadores em larga escala. Os gerentes, que antes
se escondiam em suas salas, foram enviados para a frente das
agências. Em vez de devolver cheques preenchidos de forma
errada, o banco chamava os clientes para ensiná-los a usar
o talão direito.
A
receita de Aguiar para lucrar no mundo das finanças: "Nunca
empreste muito a poucos, e sim pouco a muitos".
Com sua visão aguçada, ele fez com que o Bradesco se transformasse,
já em 1959, no maior banco privado
da América Latina, posição que nunca mais perdeu. Na
fachada do prédio do Bradesco em Osasco ainda hoje se lê a
frase que sempre inspirou Aguiar: "Só
o trabalho pode produzir riquezas."
Curiosidades: Num hotel em Manaus, se esqueceram
de colocar toalhas no quarto. Não quis incomodar a camareira
e se enxugou com a camisa. No restaurante, o garçom não o
reconheceu e pediu para ele mudar de mesa. "Ele está
só fazendo o seu trabalho", aceitou sem reclamar.
Em
1973, o Bradesco negociava a compra do Banco da Bahia. O governador
Antonio Carlos Magalhães (ACM) não gostou da ideia de um banco
paulista ficar com a tradicional casa baiana. Começaram as
depredações de agências do Bradesco em Salvador. Amador Aguiar,
o criador e dono do Bradesco, foi discutir a operação com
ACM e deu-se o seguinte diálogo:
- Doutor Amador, o povo baiano zangou-se com a venda do Banco
da Bahia. Estão quebrando suas agências...
Amador interrompeu-o:
- Governador, não trate esse assunto comigo. A manutenção
da ordem pública na Bahia é um problema seu.
(ACM contava essa história para mostrar a têmpera de Amador
Aguiar.) (Élio Gaspari)
20
- LORD BEAVERBROOK
Um
dos homens que mais contribuiu para salvar a Inglaterra durante
a Segunda Guerra Mundial e dar tempo às democracias para se
armarem, era conhecido como Lord Beaverbrook. Como ele ajudou
a salvar a Inglaterra? Bem, lembram-se dos dias trágicos quando
o exército inglês teve que se retirar da Europa e da Batalha
da Inglaterra - dias quando as principais cidades da Inglaterra
ardiam ante o impacto das bombas nazistas - dias quando a
própria existência do Império Inglês assemelhava-se à de um
condenado à espera da execução? Na véspera da retirada do
exército inglês da Europa, Winston Churchill compreendeu que
a produção inglesa de aviões tinha de ser dobrada em poucos
meses, ou a Inglaterra estaria perdida. Dobrar a produção
de aviões de um país em três meses requer um milagre; por
isso Churchill escolheu um homem milagroso para este serviço.
Lord Beaverbrook aumentou a produção das fábricas inglesas,
de 900 aviões em maio, para 1800 em agosto - e assim, com
certeza, salvou a Inglaterra da invasão.
Lord
Beaverbrook recebeu bem pouca educação escolar. Quase
não frequentou a escola; e quando frequentava, tinha maior
interesse em brigar com os colegas, que em estudar. A principio
falhava em tudo que tentava na vida - falhou como corretor
de seguros de vida e vendedor de máquinas de costura, como
proprietário de um estabelecimento de boliche, falhou na direção
de um jornal. Aos 20 anos não tinha
um centavo. Aos 30 anos, valia cinco milhões de dólares.
Como conseguiu isso? Primeiro, arranjou uma colocação como
secretário de um capitalista, e com seu entusiasmo realizador
começou a observar bancos e empresas.
Em 10 anos acumulou a maior fortuna já vista no seu país até
então.
Mas
tinha maiores ambições ainda. Foi para a Inglaterra, entrou
na política lançando uma formidável campanha, e conseguiu
ser eleito ao Parlamento. A fim de obter influência política,
comprou um jornal de Londres, que estava às margens da falência.
Três anos depois estava tendo um lucro de um milhão de dólares
anualmente. Publicava notícias sensacionais e chocantes e
atacava o governo. A circulação pulou de 300.000 a 2.500.000
exemplares - a maior circulação de qualquer jornal em todo
o mundo. A nomeação de Lord Beaverbrook para o Gabinete de
Churchill foi a quinta posição que ocupou neste Gabinete em
três anos e meio. Havia sido Ministro da Produção Aeronáutica,
Ministro de Estado, Ministro dos Abastecimentos e Ministro
da Produção. Estava sempre à disposição de Winston Churchill
para serviços especiais.
21
- JOSÉ BRAZ
Aos
13 anos, o garoto José Braz já tinha uma pequena poupança
que juntou trabalhando na mercearia
do pai e vendendo hortaliças na rua. O menino não gastava
nada do que ganhava: sonhava comprar um caminhão.
Aos
26 anos não só concretizou o grande sonho, transportando para
o Rio de Janeiro a primeira carga em caminhão próprio, como
plantou a semente do que é hoje o poderoso Grupo Líder.
Hoje,
o empresário ainda levanta às 5:30 horas, e conta, rindo,
que toda noite toma vinho. Os preferidos são os italianos,
cuja garrafa chega a custar 600 reais, além do prazer de ter
feito mais de 25 viagens ao exterior, mas ...houve época em
que nem tempo para dormir tinha: dirigia de 10 a 12 horas
por dia. As estradas não eram asfaltadas, os caminhões ficavam
atolados e era dentro da cabine do veículo que descansava,
enquanto enfrentava filas e mais filas para descarregar a
mercadoria.
Reinvestir
nos negócios, gastar só depois de ganhar e jamais fazer prestações
pessoais. Esta filosofia que ainda
norteia o empresário possibilitou a fundação da primeira empresa
do grupo: a Rodoviário Líder, inicialmente focada no transporte
do leite in natura. A frota chegou a 150 caminhões
que transportavam, um milhão de litros por dia. "Os fornecedores
sempre gostaram de trabalhar conosco porque sabiam que iriam
receber, pois em negócios não existe o amanhã, é o agora",
assinala o experiente José Braz.
Entre
as estratégias de gestão adotadas está formar profissionais
alinhados com a filosofia das empresas, pagar mais que a média
do mercado - inclusive comissionar motoristas, funileiros
e mecânicos - e dar ampla oportunidade de crescimento. E até
mesmo àqueles que estão financeiramente desorganizados, ajudar
a colocar a vida em dia. "Elaboramos um plano para essas
pessoas. Damos palestras que envolvem as famílias", revela
José Braz, tido pelos funcionários como exemplo a seguir.
O
crescimento da empresa se deve à capacidade de José Braz de
acreditar nas pessoas, delegar
poderes e autoridade. Hoje, o poderoso
Grupo Líder é formado por 43 empresas espalhadas pelo Brasil.
"Nunca pensei chegar aonde chegamos. Mas o dinheiro não
me mudou em nada."
22
- LUIZA HELENA TRAJANO
Luiza
Helena Trajano iniciou suas atividades profissionais no Magazine
Luiza aos 12 anos, quando abdicou das
férias escolares para trabalhar na loja. Quando ingressou
profissionalmente na empresa, aos 18 anos de idade, passou
por todos os departamentos do grupo, da cobrança à gerência,
das vendas à direção comercial, até tornar-se superintendente.
Em pouco tempo mudou o foco de gestão da empresa, terminando
com a burocracia, valorizou o trabalho dos funcionários e
deu o toque informal para tornar o Magazine Luiza um exemplo
citado, inclusive, como uma das melhores empresas para as
mulheres trabalharem e um dos "cases" mais discutidos
em MBAs do mundo inteiro. E foi a primeira rede a chegar ao
Rio Grande do Sul. São 361 lojas, 11 mil funcionários, um
grande número de prêmios na área de gestão e R$ 2,8 bilhões
de faturamento previstos para este ano e é a terceira em vendas
pelo site no Brasil e agora até com uma TV corporativa. Além
disso, a empresa continua crescendo e ela não tem o menor
problema de citar números e sucessos: "Não é preciso
ter medo de dizer quanto se ganha quando o trabalho foi feito
com seriedade e ética. É preciso pensar grande. Pobreza chama
pobreza. E não esquecer nunca que o patrão é o cliente".
Formada
em direito, ela carrega no sangue a paixão por vendas. Estudou
também administração, mas admite que
sua grande escola foi o trabalho. "A nossa grande
formação, sem dúvida, foi o balcão." Também por isso
a sua empresa valoriza e respeita bastante a função de vendedor.
"Independente da formação acadêmica de nossos profissionais,
todos nós somos vendedores." A
capacidade de buscar soluções, resolver problemas sugerir,
perguntar, aprender, implantar, "fazer acontecer"
são muito apreciados por ela quanto ao seu quadro de funcionários.
"Mas que não se esqueçam, por favor,
da ética e de que são parte
integrante e construtiva de um sistema."
Descomplicar
e ousar são palavras usadas com frequência pela empresária.
E conta, com muita simplicidade, outros segredos de sucesso:
"Profissionalismo, velocidade,
qualidade e agilidade de seus funcionários. Os empresários
têm que saber que uma empresa só pode crescer com as pessoas.
E é preciso inovar os procedimentos sempre, eu estou aprendendo
e aplicando coisas novas todos os dias". Também deixa
claro que não tem medo de expor suas ideias e projetos. "O
procedimento é facilmente copiado, mas a alma, o alinhamento,
o atendimento diferente, essas coisas não se copiam. É preciso
arriscar, você não ganha todas, mas tem que tomar decisões
e não ter medo de inovar. As pessoas
corajosas saem na frente, o medo atrapalha. No mundo
de hoje é preciso aprender a fazer o trabalho rápido
e bem feito".
Carismática
e muito bem-humorada (bom humor,
aliás, está na sua lista de qualidades para se dar
bem na vida profissional), ela fala com simplicidade de vários
assuntos, de política inclusive. "Do jeito que as coisas
estão, se a gente não resgatar o Brasil o pior ainda virá
pela frente. A gente ama esse país e se cada um de nós não
fizer a sua parte é melhor parar de ter filhos e netos. Não
queremos mais diálogo, queremos atitude. Nós também somos
culpados porque reforçamos os pontos negativos e não ajudamos
a divulgar os pontos positivos do Brasil".
Para
a vida profissional, outro conselho é deixar de lado o papel
de vítima e assumir a condução da sua vida. "Não adianta
fazer o papel de coitadinho de mim, vai à luta, ficar se lamentando
não leva a nada. A gente tem que fazer falta no lugar, ter
bom humor e usar energia positiva. E lembrem-se que dinheiro
não compra tudo, mas ajuda a gerar mais empregos e mais energia."
Ela
dá alguns conselhos para os jovens: "Não abra mão de
seus sonhos; valorize a transparência,
sabedoria, humildade e justiça em suas ações; não complique
a vida; descubra e lute por sua missão; não
abra mão de sua ética moral e, antes de tudo, acredite
em você."
O
Magazine Luiza possui uma rede de 744 lojas, emprega 24 mil
funcionários. Em 2013, a empresa faturou R$ 9,7 bilhões.
23
- HOWARD SCHULTS
Ele nasceu e cresceu no Brooklyn,
NY, num conjunto habitacional. Após se formar, trabalhou em
vários empregos até se tornar gerente de uma empresa. Sua
trajetória de sucesso começou, quando viajou de Nova York
a Seattle para verificar uma loja de café em grão chamada
Starbucks, que estava comprando cafeteiras suecas que ele
vendia. Ele ficou atraído pelo aroma do café, mas o que o
levou a se apaixonar pelo negócio foi o
cuidado dos proprietários da Starbucks em
escolher e torrar os grãos de café. Ele também ficou impressionado
com a dedicação dos proprietários em educar o público sobre
as maravilhas de se conhecer o café. Foi embora pensando:
"É uma grande empresa, em uma grande cidade. Eu adoraria
fazer parte disso".
Schultz
levou um ano para convencer os proprietários da Starbucks
em contratá-lo como diretor de marketing. Em uma viagem à
Itália ele observou que todas as cafeterias existentes num
quarteirão não só vendiam um excelente café expresso, mas
serviam também de ponto de encontro.
Mas
em Seattle os proprietários da Starbucks resistiram aos planos
de Schultz para servir café nas lojas, dizendo que não queriam
entrar nesse tipo de negócio. Frustrado, Schultz pediu demissão
e começou seu próprio negócio. Foi bem sucedido, e um ano
mais tarde comprou a Starbucks por US $ 3,8 milhões.
A
empresa começou a se expandir rapidamente e Schultz sempre
dizia que o principal objetivo era "servir uma excelente
xícara de café." Mas ligado a esse objetivo havia um
princípio: ele queria construir uma empresa com "alma".
Isso levou a uma série de práticas que eram sem precedentes
no varejo. Schultz insistiu que todos os funcionários trabalhassem
apenas 20 horas por semana, e tivessem uma cobertura de saúde
abrangente - incluindo os solteiros. Em seguida, ele apresentou
um plano de opção de ações aos empregados, criando assim lealdade
e uma rotatividade de funcionários extremamente baixa, apesar
de os salários serem baixos.
Por
que Schults foi tão generoso? Ele se lembra de seu pai, que
passou por grandes dificuldades em empregos de baixa remuneração,
com pouco para lhe mostrar quando morreu. "Ele estava
abatido, não foi respeitado", disse Schultz. "Ele
não tinha seguro de saúde, e ele não tinha nenhuma compensação
quando ele se machucou no trabalho." Schultz queria construir
o tipo de empresa que seu pai nunca teve a chance de trabalhar,
em que as pessoas fossem respeitadas.
Schultz
disse que seu modelo para a expansão da Starbucks é o McDonald,
com algumas diferenças fundamentais. Uma delas é que a Starbucks
possui suas próprias lojas, enquanto McDonald possui franquias.
Schultz não acredita que seja possível construir uma marca
forte em torno de franquias - embora o McDonald seja uma exceção.
Outra diferença é que a Starbucks conseguiu prosperar sem
publicidade de âmbito nacional, vendendo
produtos de alta qualidade para uma clientela exigente.
A Starbucks possui cerca de 4.000 lojas em 25 países.
24
- JOHN PAUL DeJORIA
Seus
pais se divorciaram quando ele tinha dois anos de idade, e
aos 9 anos ele começou a vender
cartões de Natal e jornais com seu irmão mais velho para sustentar
a família. Quando sua mãe não teve condições de sustentar
os filhos, eles foram enviados para um lar adotivo.
Quando
jovem, fez parte de uma gangue de rua, mas decidiu mudar de
vida depois que um professor lhe disse que ele nunca teria
sucesso na vida. Após concluir os estudos, passou dois anos
na Marinha, em seguida trabalhou como zelador e vendedor de
seguros.
Conseguiu
um emprego num laboratório de produtos para o cabelo, sendo
demitido posteriormente devido a desentendimentos. Sua vida
começou a mudar quando recebeu um empréstimo de US$ 700 para
criar sua marca de cosméticos para cabelos, que vendia de
porta em porta, enquanto morava em seu carro. Atualmente,
sua empresa possui um patrimônio de 4 bilhões de dólares.
25
- LEONARDO DEL VECCHIO
Órfão
de pai foi encaminhado para um orfanato, juntamente com cinco
irmãos, porque sua mãe não tinha condições de cuidar deles.
Aos 14 anos, começou a trabalhar em
uma fábrica de moldes de autopeças e de armações de óculos,
o que lhe permitiu ajudar sua família. Mais tarde,
passou a estudar desenho industrial à noite, ficando empolgado
com armações de óculos. Decidiu então se mudar para uma cidade
onde estava concentrada a indústria de óculos.
Após
6 anos de trabalho e experiência, resolve entrar para a indústria
de fabricação de óculos criando a própria empresa. Para expandir
sua empresa ele tomou uma importante decisão: desenvolver
sua própria linha de óculos exclusivos, usando a pesquisa.
Trata-se de uma empresa muito bem gerida, que produz os seus
próprios óculos e é a líder mundial no universo de óculos,
com um patrimônio de 15 bilhões de dólares.
26-
TED TURNER
Dono
de uma fortuna de 4,8 bilhões de dólares, Tuner é o 26o
homem mais rico dos Estados Unidos – no entanto, dirige o
próprio carro, aboliu o ar refrigerado em suas residências
e certa vez quase se machucou para pegar uma moeda debaixo
de uma porta giratória. Durante muitos anos ele declarou que
"detestava as notícias" porque elas faziam as pessoas
se sentirem mal. Mas fundou a CNN – o canal de televisão de
noticiário mais influente do mundo – e é hoje vice-presidente
do maior conglomerado de mídia do planeta, a Time Warner.
Segundo
um velho amigo, o segredo de
Ted para o êxito no iatismo e
nos negócios: "Ele descobria
o vento onde ninguém encontrava. Subia ao convés, puxava uma
corda aqui e ali. Não demorava para que o barco começasse
a se mover. Enquanto outros iates ficavam parados pela calmaria,
Ted conseguia bordejar através da flotilha até a linha de
chegada. Quando lhe dizem que algo é impossível, ele
vai em frente e faz."
Segundo
ele, para sentir-se engajado na vida, é preciso se ter metas
tão altas que nunca possa atingi-las. Sendo uma de suas metas
a paz mundial, razão pela qual doou à ONU um bilhão de dólares.
Ele acredita que o suicídio do seu pai se deveu, em parte,
ao fato de os objetivos dele serem limitados demais. Quando
realizou seus três sonhos – ser milionário, possuir um iate
e uma fazenda –, tornou-se um homem sem futuro.
Critica
duramente seu próprio país: "Somos o país mais esbanjador
e materialista do mundo. Estamos vivendo mais luxuosamente
do que nunca – temos iates enormes, três carros, duas casas...
e oprimimos os países menores".
Fez
da CNN em todo o mundo como um serviço de notícias internacionais
e não voltado para os Estados Unidos, excluindo a palavra
estrangeiro das transmissões da CNN, impondo multa
aos comentaristas que a utilizar.
Um
dos seus interesses globais é a superpopulação e considera
algumas das leis dos Dez Mandamentos obsoletas. Tem seus próprios
mandamentos, entre eles: amar e respeitar o planeta Terra
e todos os seres vivos que o habitam, especialmente a nossa
espécie, a humanidade; Não ter mais do que um filho; Jurar
fidelidade à Organização das Nações Unidas e seus esforços
para melhorar as condições do planeta.
27
- BELARMINO FERNANDEZ IGLESIAS
Aos
20 anos deixou a pequena aldeia no norte da Espanha e chegou
a São Paulo, em 1951 - logo teria de aprender a comer mal.
"Até hoje não me esqueço da tragédia que era a comida
na pensão em que eu morava." Para sobreviver, trabalhava
como empregado na construção civil, onde a comida não era
melhor. Belarmino deixou a construção civil e foi trabalhar
de garçom numa pequena lanchonete. Alternava no caixa e, quando
precisava, ajudava na limpeza. Foi aí que desenvolveu um exótico
hábito, o que fazia com que algumas pessoas o considerassem
um tanto maluco. Quando recebia o pagamento no final do mês,
ele vestia sua melhor roupa e ia ao restaurante Cabana, então
considerado a melhor churrascaria da cidade. Sentava sozinho
e estudava lentamente o cardápio. Gastava
mais do que poderia gastar para um garçom de lanchonete. Não
estava apenas querendo comer bem, longe da pensão. "Já
pensava em ter meu próprio restaurante." Acabou
cavando um emprego de garçom no Cabana, onde, além de desfrutar
de um bom prato, teria todo o tempo
para aprender como se cuida de um restaurante. "Cada
dia era uma aula." Conversador, foi fazendo amigos entre
os clientes, muitos deles ricos. Arrumou um sócio, e surgiria
assim o Rubayat.
Em
1957, nascia no centro da cidade o primeiro restaurante daquele
ex-garçom. Desde então, ele não parou de crescer. Abriu
novas casas nas regiões mais nobres de São Paulo, agora
ao lado do filho Belarmino. Chegou a comprar uma fazenda para
ter o suprimento de sua própria carne. Numa espécie de viagem
de volta, ele e seu filho abriram neste ano um restaurante
em Madri, uma réplica do Rubayat - um nome que soou estranho
para os espanhóis, por não ter nenhuma associação com o Brasil
nem com churrascaria, mais lembrando a culinária oriental.
Para ajudar a explicar a razão do nome, colocaram um detalhe
no cardápio. Em uma de suas páginas, com destaque, existe
um relato de vida: a história de um emigrante espanhol que
foi, sozinho, tentar a sorte no Brasil. "Tive sorte e
paciência", diz ele, que completou 75 anos. Desta vez,
porém, o aniversário foi comemorado na Espanha, onde estava
trabalhando. "Sempre quis voltar a ter um pé na terra
em que nasci. Acho que isso faz parte dos sonhos de todo emigrante.
Queremos mostrar que vencemos."
28
- JEFFERSON PUPPO
"Eu
cheguei em 1968 de Piedade, com 14 anos, e não tinha ideia
do que fazer. Como não conhecia ninguém e não tinha um centavo
no bolso, fui morar na rua,
embaixo de um viaduto",
lembra Jefferson Puppo, o Fininho, que permaneceu algumas
semanas assim, até conseguiu trabalho em uma padaria, como
ajudante geral. "Eu pedi para carregar a lenha que estava
na calçada para dentro da padaria em troca de um prato de
comida. Depois propus pintar as paredes e, assim, fui ficando",
conta. De ajudante geral de padaria a proprietário de cantinas,
Fininho hoje reflete que foi determinante apostar na carreira
de garçom. Após um curso preparatório, conseguiu um emprego
na Cantina Don Ciccillo, famosa na época por servir de locação
ao programa "Almoço com as Estrelas", exibido pela
extinta TV Tupi de São Paulo. De lá, passou por outras casas
até chegar à Trattoria do Piero. "O dono da Piero tinha
uma política de dar uma parte da empresa para os melhores
funcionários, até para segurar os melhores. Aconteceu comigo.
Só que fui guardando dinheiro para comprar um pouco mais da
cantina, um pouquinho mais depois, e assim fui me estabelecendo",
diz. Hoje, ele é dono de quatro casas na cidade - três cantinas
tradicionais (Cantina do Piero, L"Osteria do Piero e
Originale Tratoria) e um restaurante de origem italiana que
também é pizzaria no turno da noite (Famiglia Puppo's). "A
pizza te dá mais flexibilidade para criar. Já a cantina, é
assim: tem de ter a participação do dono e o apego às tradições",
ensina Fininho. Ele divide seu tempo entre a burocracia do
negócio, que organiza no intervalo entre o almoço e o jantar,
e a representação típica do papel de ‘cantineiro’, que envolve
a circulação constante por entre as mesas e sessões de apertos
de mãos dos fregueses. "Nosso
negócio é de venda comida, mas também de venda de tradição.
Eu faço hoje as mesmas coisas que aprendi lá atrás, como garçom.
Acho que enquanto estiver fazendo assim, as coisas vão continuar
dando certo", confessa.
29
- ALEXANDRE TADEU DA COSTA
Com
17 anos, ele colocava trufas e bombons num carro velho e os
vendia em padarias e supermercados. Era o início da sua empresa.
Antes mesmo de atingir a maioridade decidiu reativar a venda
de chocolates dos pais, que além dos doces vendiam lingeries
e artigos domésticos. Com a lista de contatos que os pais
já tinham, conseguiu um pedido de 2.000 ovos de Páscoa. O
problema surgiu quando o fornecedor disse que não fabricava
ovos de chocolate de 50g. O jovem saiu em busca de ajuda em
lojas de atacado até encontrar Dona Cleusa. Ela fazia ovos
de Páscoa caseiros e aceitou ajudar o rapaz. "Ela me
viu desesperado e pediu para eu comprar os materiais".
Na cozinha de Dona Cleusa, os dois trabalharam por 18 horas
diárias, durante três dias, para dar conta do pedido.
Ao
perceber que o mercado de chocolates artesanais era pouco
explorado, o empreendedor utilizou o dinheiro para abrir oficialmente
a empresa. A sede foi para uma sala na empresa dos pais do
empresário. Eles criaram um catálogo de vendas e a empresa
cresceu. Funcionários foram contratados e Alexandre fez seu
primeiro curso de chocolates na Bélgica. "A Bélgica é
a ‘terra dos chocolates artesanais’, mais até do que a Suíça.
Lá estão os melhores chocolates do mundo", afirma. O
crescimento da marca obrigou a mudança de endereço.
A
maior dificuldade enfrentada por Alexandre no início foi,
por conta da pouca idade, transmitir credibilidade para bancos,
fornecedores e clientes. Porém, ele diz que a persistência
o ajudou a mudar o cenário. "Tinha tanta força de vontade
que acabava conquistando os outros com o brilho dos olhos."
Em
2006, foi inaugurada a primeira fábrica. Atualmente, são quatro
fábricas em funcionamento. "Na vida há dois caminhos:
ou você vai ser a vítima e reclamar de tudo, ou vai ser o
protagonista e encarar os desafios." A rede de chocolates
Cacau Show possui 1.160 lojas com faturamento de R$ 1,2 bilhão.
30
- JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA
O
trabalho veio cedo e já aos
7 anos, estava atrás do balcão
da loja do pai. Aos 15 anos, saiu da casa dos pais e foi para
cidade trabalhar como balconista numa loja de tecidos. A vida
na cidade não era fácil já que o pouco que ganhava não era
suficiente para pagar um quarto. Dois anos depois, se mudou
para outra cidade, onde conseguiu seu segundo emprego numa
loja. Em pouco tempo, foi considerado o
melhor vendedor da loja. Quando completou
18 anos, seu irmão mais velho lhe emprestou dinheiro para
que ele pudesse abrir seu próprio negócio. José Alencar abriu
sua primeira empresa. Morar na própria
loja, "atrás da prateleira", e comer de marmita
fazia parte do esforço para baixar os custos e tornar competitiva
a lojinha que vendia quase tudo: tecidos, calçados, chapéus,...
Sempre contando com o apoio dos
irmãos, José Alencar manteve sua loja até 1953, quando decidiu
vendê-la e mudar de ramo. Iniciou seu segundo negócio na área
de cereais por atacado. Logo em seguida participou, em sociedade,
de uma fábrica de macarrão. Em 1963, construiu a Cia. Industrial
de Roupas União dos Cometas. Em 1967, em parceria com outro
empresário fundou, em Montes Claros, a Companhia de Tecidos
Norte de Minas, Coteminas.
Em 1975, José Alencar inaugurava
a mais moderna fábrica de fiação e
tecidos que o país já conheceu. A Coteminas cresceu
e hoje são 11 unidades que fabricam e distribuem os produtos
para o mercado interno, para os Estados Unidos, Europa e Mercosul.
No campo político chegou a vice-presidente da república.
31
- JORGE SIMEIRA JACOB
Tudo
começou quando seu pai morreu. Ele e os dois irmãos mais novos
já eram órfãos de mãe. Então, aos
16 anos e sem experiência em negócios, assumiu uma lojinha
de tecidos falida, no interior de São Paulo. Aos 63 anos,
esse empresário que veio praticamente do nada, construiu um
império comercial que se estendia pelo Brasil inteiro.
Uma cadeia de 244 lojas que vendia eletrodomésticos. A pequenina
firma estava cheia de dívidas, perdeu o crédito na praça e
começou a receber pedidos de falência. Os bens da família
ficaram bloqueados porque eles eram menores de idade. Ele
conseguiu resolver a situação fazendo um acordo com a Justiça.
Convenceu o juiz da cidade de que era capaz de administrar
o negócio. E assim conseguiu liberar o dinheiro da família
e adiar a decretação da falência. Com dinheiro na mão, pagou
parte da dívida e voltou a merecer a confiança dos fornecedores.
Foi tão bem como comerciante que, quando fez 18 anos de idade,
os concorrentes tentaram sabotá-lo. Convenceram o comando
do Exército na região a convocá-lo para o serviço militar,
mesmo sendo arrimo de família. Para ilustrar sua atuação na
época em que seu pai tinha falecido, ele conta uma piada parcialmente
impublicável - como quase todas as piadas de papagaio - sobre
um concurso de canto entre papagaios. O vencedor foi um louro
todo esfarrapado e mal ajambrado, que, além de cantar, declamou
poemas em grego, deu cambalhotas e sapateou. Indagado sobre
sua receita para tão memorável desempenho, o papagaio fez
referência a um charuto aceso enfiado em um local estratégico.
Ele também foi espicaçado mais ou menos da mesma maneira.
"Ou eu tocava a loja pra frente ou morríamos de fome."
Ele não sabia nada de comércio ou de contabilidade. Mas trabalhou
duro, abrindo mão de parte de sua adolescência.
E nem é preciso dizer que deu certo. Simeira Jacob era um
negociante nato, daqueles que possuem talento raro para enxergar
boas oportunidades. Com a estabilização da economia, sua loja
foi uma das primeiras empresas a esticar o prazo de financiamento,
pensando em vender ao povão. Mais de 80% de seus fregueses
só conseguia comprar a prazo. Como tinha bom nome na praça
e um banco no grupo, a empresa conseguia levantar recursos
pagando juros de 2,6% ao mês. "Como presidente do grupo
há 32 anos, minha sensação é de início de carreira. As oportunidades
são muitas e nossos ideais são os mesmos dos primeiros tempos.
Trabalhar, construir, olhar o futuro com esperança."
32
- VALENTIM DOS SANTOS DINIZ
Valentim
dos Santos Diniz chegou ao Brasil com o dinheiro suficiente
para sobreviver por um pouco mais de um mês e o endereço de
seu tio-avô que morava em São Paulo. Logo após sua chegada
arrumou um emprego de caixeiro e entregador de um empório,
trabalhava duro desde a manhã até o fim da noite. Depois de
um tempo conseguiu comprar uma doceria que no final da década
de 1950, especificamente em 1959, seria a primeira loja da
rede de Supermercados Pão de Açúcar.
O
principal diferencial de Valentim foi a inovação.
Os supermercados ainda eram uma novidade para os brasileiros,
ele trilhou caminhos desconhecidos e contou com a ajuda do
seu primogênito, Abílio Diniz. Um exemplo de inovação foi
a extinção dos balcões e balconistas que os clientes estavam
acostumados a ver nas mercearias que serviam como ponto de
compra de suprimentos para as pessoas. Dessa forma ele transferiu
a responsabilidade da venda da pessoa para o produto, ou seja,
os produtos passaram a concorrer entre si para ganhar a preferência
dos consumidores.
Hoje
o grupo Pão de Açúcar possui um faturamento anual superior
a US$ 3 bilhões e foi responsável por uma alteração radical
nos sistemas de embalagem, refrigeração, técnicas de venda,
publicidade e administração. Sem dúvida, Valentim dos Santos
Diniz juntamente com seu filho Abílio Diniz marcaram a história
do Brasil e gravaram seus nomes entre os maiores empreendedores
dessa nação.
33
- SAMUEL KLEIN
Nasceu
na Polônia e começou a trabalhar aos
9 anos de idade, tendo aprendido com o pai a profissão
de marceneiro. Quando os nazistas invadiram a Polônia, foi
levado com o pai para um campo de extermínio dos judeus durante
a Segunda Guerra. A mãe e os irmãos mais novos foram levados
para outro campo de extermínio, de onde nunca mais saíram.
Em 1944, quando o Exército da Rússia avançava sobre os nazistas
para libertar a Polônia, Samuel Klein com outros prisioneiros
foram levados rumo a um campo de extermínio. Como não havia
mais trens, teriam de caminhar os 50 quilômetros a pé. Quando
pararam em vasto campo de trigo, perto de um rio que deveriam
atravessar, Samuel decidiu colocar em ação um plano ousado.
Talvez fosse sua última chance de sobreviver. Pediu licença
a um dos soldados para fazer a necessidade fisiológica e se
embrenhou em meio à plantação. É o próprio sobrevivente quem
conta: "Fui me escondendo e entrando no trigal cada vez
mais. Não sei para onde estava indo, mas tinha a certeza de
me afastar do grupo." A noite caiu e Samuel dormiu em
meio à plantação. No dia seguinte ouviu cachorros latindo.
O alívio foi grande quando encontrou poloneses cristãos que
também se escondiam dos alemães. Estes poloneses lhe deram
alimento e o ajudaram a fugir.
Klein
conseguiu voltar para sua antiga casa. Ela estava completamente
destruída. Em troca de comida, foi trabalhar em uma pequena
fazenda nas proximidades. Ao final da guerra reencontrou com
a irmã Sezia e o irmão Salomon. Depois da guerra os irmãos
Klein foram para a Alemanha administrada pelos norte-americanos.
Tiveram a grata surpresa de reencontrar vivo o pai. Em Munique
Samuel conheceu Channah, com quem se casou. Sentiram que era
hora de deixar a Europa e reconstruir a vida em outro lugar.
Decidiu vir para a América do Sul, onde tinha alguns amigos.
Conseguiu visto para a desconhecida Bolívia e lá chegou com
a esposa e o filho. Em 1952 a Bolívia vivia uma situação social
muito complicada, com uma revolução em curso. Klein se lembrou
de uma tia que vivia no Rio de Janeiro. Com a mulher e o filho
embarcou no primeiro avião para a então capital brasileira.
Com a família foi se estabelecer em São Caetano do Sul, onde
iniciou sua fascinante carreira de comerciante.
Experiência
de vida e vontade de vencer não lhe faltava. Adquiriu
uma charrete e cavalo e se tornou vendedor ambulante, vendendo
roupas de cama, mesa e banho de porta em porta. Em cinco anos
de dedicado trabalho, conseguiu capital para abrir sua primeira
loja, chamada Casas Bahia. Era a sua
homenagem a seus fregueses, na maioria baianos. Os anos corriam
e, depois da primeira loja adquiriu outra e outra. Hoje
são mais de 500 lojas, 60.000 funcionários.
34
- SEBASTIÃO CAMARGO
Sebastião
Camargo, o fundador da construtora Camargo Corrêa era filho
de agricultores e estudou só até o
terceiro ano primário. Aos 17 anos, aprendeu a transportar
terra retirada de construções usando uma carroça. Tomou gosto
pelo negócio e, em 1939, comprou duas carroças. Com a pá em
punho e as rédeas nas mãos, Camargo ajudou a construir as
estradas que se multiplicavam pelo interior de São Paulo na
época.
Logo
aprendeu a técnica da terraplenagem e se transformou num modesto
empreiteiro. Quando conheceu Sylvio Corrêa, abriu com ele
uma pequena construtora, a Camargo Corrêa & Cia Ltda.
Engenheiros e Construtores, com um capital de 200 contos de
réis. Como eles nada entendiam
de engenharia, a palavra "engenheiros" foi usada
para salientar que os empreendedores estavam dispostos a qualquer
empreitada. E trabalho não faltava. Em 1940,
Camargo adquiriu um trator, o que significou grande vantagem
tecnológica em relação à concorrência. Os contratos se avolumaram.
Em Jaú, Camargo fundou a Companhia Jauense Industrial porque
queria proporcionar trabalho a seus conterrâneos. Conseguiu
mais do que isso - transformou a empresa numa grande produtora
de tecidos.
Nos
anos 50, a construção de Brasília era o sonho maior do empreiteiro.
Ao participar da licitação, ouviu de um assessor do presidente
Juscelino Kubitschek que a Camargo Corrêa não tinha máquinas
em número suficiente para encarar as obras da nova capital.
"Pois então me dê três dias e eu provo que o senhor está
enganado", respondeu, contrariado. Quando o prazo expirou,
o empresário desfilou pelo cerrado com mais de 100 tratores
vindos de seus canteiros em outros estados. Resultado: Coube
à Camargo Corrêa a abertura de várias estradas que possibilitaram
o acesso à capital federal. Em 1960, JK sugeriu que Camargo
construísse um moinho de trigo para abastecer Brasília. Preocupado
com o rigor técnico que a tarefa exigia, ele tratou de "importar"
um especialista da Suíça para garantir a qualidade do serviço.
Em 1962, quando construiu a usina hidrelétrica de Jupiá, uma
das maiores do Brasil, concluída em 1968, a imponência da
obra obrigou que uma cidade fosse construída ao seu redor
para alojar os 12 mil funcionários.
A
construtora entrou na licitação para as obras da ponte Rio-Niterói
e tirou o segundo lugar. A morte de pedreiros e desmoronamentos
em meio à construção da ponte obrigaram o Presidente da República
a pedir ao audacioso empreiteiro que assumisse a obra. "Pois
não, senhor presidente, mas vou fazer do meu jeito. Vou começar
derrubando tudo e partir do zero", respondeu Camargo.
A
empresa foi responsável por mais de mil obras, incluindo as
rodovias dos Imigrantes e Bandeirantes, o gasoduto Brasil-Bolívia,
além da usina nuclear de Angra I e as hidrelétricas de Ilha
Solteira, Itaipu e Tucuruí. A partir dos anos 90, Camargo
passou a fazer parte da lista de bilionários da revista Forbes
e sua fortuna pessoal foi avaliada em US$ 1,3 bilhão. O controle
da holding Morro Vermelho, que abrangia 34 empresas dos mais
variados setores, incluindo agricultura, siderurgia, têxtil,
alumínio e transporte, passou para os genros logo após sua
morte.
35
- CATHARINA MATOS
Não
há família na capital mineira que não pense no nome Catharina
Matos quando o assunto é comemoração. Banqueteira de fama
e empresária de sucesso, ela
é a comandante do bufê Catharina, famoso pela sua bela sede.
Nascida
numa fazenda, Catharina começou a trabalhar muito cedo: com
11 anos saía vendendo doces pelas ruas de uma cidade próxima.
O pai veio da Itália para comprar uma fazenda. Como o Brasil
não era aliado da Itália durante a Segunda Guerra, não pôde
tirar o dinheiro do banco. De um dia para o outro a família
perdeu tudo. Catharina parte então para o trem de sal; assim
a mocinha chamava os pastéis e bolinhos que vendia para os
funcionários do hospital recém-inaugurado na cidade. Os tempos
eram tão diferentes: não havia uvas e chocolates na cidade,
tinham que vir de Belo Horizonte. Doce feito de coco era um
trabalhão: ela tinha que quebrar, descascar, lavar e ralar
sacos de 30 cocos. Aos 18 anos já era requisitada para festas
e ganhava por dia. Era querida das
freguesas que apostavam em sua vitória. "A vida
inteira tive gente que me auxiliou. Todo mundo com quem eu
conversava me dava uma ajudazinha", conta ela.
Dona
de mãos habilidosas trabalhou em casa de família e qual não
foi a surpresa da patroa quando viu que Catharina fazia lindos
docinhos moldados. Foram seus primeiros itens de sucesso quando
chegou a Belo Horizonte. Continuava pegando encomendas e inventando
pratos. Desdobrava-se para não perder nenhuma oportunidade.
E de indicação em indicação foi trabalhar para a família do
Governador do Estado.
Se
para os convidados a festa era deleite garantido, para ela
era trabalho duro, nem mesmo conseguia tempo para festejar
o Natal: comprava presentes para os quatro filhos e trabalhava
sem parar. Os frutos vieram, a família prosperou e hoje seu
nome é referência no quesito bufê e banquete.
36
- BILL GATES
(Fonte: Revista Seleções)
Certo
dia, em 1965, trabalhando como bibliotecária, fui abordada
por uma professora. Um de seus alunos acabava sempre os trabalhos
antes dos outros e precisava de um desafio. "Posso trazê-lo
aqui para lhe ajudar na biblioteca?", ela me perguntou.
"Mande o garoto", respondi. Pouco depois, aparecia
um menino magro e louro. "Tem trabalho aí para mim?",
perguntou. Expliquei-lhe como arrumar os livros nas prateleiras,
e ele pegou a coisa de imediato. Mostrei-lhe depois uma pilha
de livros há muito por devolver, mas que eu começava a desconfiar
de que já tinham sido devolvidos. Deviam estar misturados
com os errados. Ele perguntou: "É uma espécie de trabalho
de detetive?" Respondi que sim, e o garoto se tornou
um investigador incansável.
Quando
a professora abriu a porta e anunciou "Recreio!",
ele já tinha encontrado três livros que estavam com os cartões
errados. Argumentou que queria acabar
o trabalho, mas ela contrapôs a necessidade de se ter
de apanhar ar, e ele teve mesmo de ir. Na manhã seguinte,
chegou cedo: "Quero acabar de
encontrar aqueles livros", me disse. No final
do dia, quando me pediu que o aceitasse como bibliotecário,
para mim foi fácil dizer que sim. Ele
era incansável.
Algumas
semanas depois, encontrei um bilhete em minha secretária convidando-me
para jantar na casa dele. Aceitei e, no final de uma noite
agradável, sua mãe anunciou que iam se mudar para outra zona
escolar. Segundo me disse, a preocupação principal de seu
filho era deixar a biblioteca. "Quem é que vai encontrar
os livros que sumiram?", perguntava ele. Quando o dia
da partida chegou, eu lhe dei um adeus relutante. Apesar de,
no princípio, ele me ter parecido um garoto comum, seu zelo
fizera que se destacasse. Senti sua falta, mas não por muito
tempo. Alguns dias depois, ele entrou pela minha porta: "A
bibliotecária de lá não deixa os alunos trabalharem na biblioteca
e mamãe me transferiu de novo para cá. Meu pai me traz todos
os dias, de passagem para o trabalho. E se ele não puder,
venho a pé."
Eu
devia ter pressentido que uma determinação tão grande levaria
aquele menino até onde quisesse. O que
não podia adivinhar é que ele se tornaria um nome poderoso
da era da informática: Bill Gates, fundador da Microsof e
um dos homens mais ricos do mundo.
_._._._._._
Bill Gates, que abandonou a faculdade para
fundar a Microsoft, disse que seu pai, na época, reclamou
da decisão. "Reconhecemos que o mais ilustre membro da
classe de 1977 do Harvard College nunca
se graduou", disse o reitor da Universidade de
Harvard. "Parece que já é hora de sua universidade lhe
entregar o diploma". "Esperei por mais de 30 anos
para dizer isto, pai, eu sempre lhe falei que voltaria para
me formar", disse Bill Gates, para a plateia, entre ela
seu pai, também chamado Bill. "Vou mudar de emprego no
ano que vem e será bom finalmente ter um diploma no meu currículo",
afirmou Gates, referindo-se ao seu plano de dedicar-se integralmente
à filantropia. A falta de um diploma
não retardou a ascensão de Bill Gates ao topo do mundo dos
negócios.
37
- ATTILIO FONTANA
O
menino Attilio Fontana, então com 8
anos de idade, recebe uma proposta para vender bolachas
caseiras durante uma festa. Assim aconteceu o contato inicial
de Attilio com o comércio. Foi o primeiro dinheiro ganho com
esforço próprio e, sem dúvida, marca o início de uma história
de muito trabalho e grandes empreendimentos. Assim como seus
onze irmãos, começou cedo a trabalhar
na terra. Seu pai era um próspero produtor de alfafa
e atendia a granjeiros da região. A entrega era feita de carroça
pelos irmãos Domingos e Attilio. Enquanto Domingos acertava
as contas com o comprador, cabia a Attilio cuidar dos animais.
Em uma dessas ocasiões, alguns vizinhos de um dos granjeiros
viram no jovem a pessoa ideal para supri-los de produtos escassos
no lugarejo, como ovos e galinhas. Como a viagem era feita
toda semana, seria fácil. Attilio poderia comprar os produtos
e revender. E foi o que fez por oito meses, enquanto durou
o contrato com aquele granjeiro. As oportunidades não paravam
de surgir para Attilio. Certa vez, uma viúva vizinha de sua
família precisou se desfazer de uma bezerrinha. De imediato
o jovem Fontana resolveu comprar o animal em sociedade com
um irmão. Em pouco tempo, a novilha cresceu, engordou e teve
duas crias. A primeira ficou com Attilio; a segunda foi vendida
com a mãe por um bom preço.
Attilio
Fontana iniciou seus estudos aos 7
anos, aprendendo as primeiras letras com o pai. Apesar
de na escola seu professor notar nele uma "boa cabeça",
Attilio cursou apenas até o 3o
ano primário. Mas seu tino para os negócios já havia
aflorado. A vida continuava dura, com muito trabalho na lavoura.
Romano Fontana fazia questão de que os filhos aprendessem
as atividades ligadas ao campo. Certa ocasião comprou uma
prensa de aço, que logo provocou a curiosidade de Attilio.
Em pouco tempo, o garoto operava a engenhoca com muita habilidade.
A experiência possibilitou o aprendizado necessário para se
tornar um excelente enfardador de alfafa e também abriu as
portas para seu primeiro emprego.
Com
a morte do pai, começou a trabalhar como enfardador de alfafa
e na lavoura de trigo. Observando a desenvoltura de Attilio,
seu patrão lhe ofereceu sociedade na comercialização da alfafa.
Ao mesmo tempo, comprava e vendia suínos. Já casado e de posse
de certa quantia, comprou um pequeno hotel. Esse hotel era
administrado por sua esposa e sua cunhada. Com o passar do
tempo, ele achou por bem transformar o hotel em loja. Em sociedade
com o sogro e com o apoio dos agricultores locais, que prometeram
ser seus clientes, deu início a essa nova empreitada. Em vez
de esperar os caixeiros-viajantes para adquirir seu estoque,
decidiu fazer suas compras diretamente das matrizes atacadistas,
para, com isso, oferecer melhores preços aos seus clientes.
Sua
primeira casa de comércio começou a vender os produtos a preços
mais baixos. Por isso, em pouco tempo, sua clientela estava
formada. Para renovar o estoque, Attilio continuou fazendo
suas viagens a São Paulo, sempre transportando lotes de suínos
para vender. Mais tarde, Attilio procurou um dos compradores
para propor um acordo de fornecimento regular de porcos, e
acabou por ser convidado para um negócio muito melhor e definitivo
em sua trajetória profissional. A forma proposta era tão boa
que vários comerciantes de Santa Catarina quiseram trabalhar
nas mesmas bases. Mas a resposta era sempre a mesma: quem
os representava na região era Attilio Fontana. Anos mais tarde,
em seu livro de memórias, ele escreveu: "Uma sociedade
rara, feita apenas verbalmente, sem nenhuma espécie de documento;
na base tão somente da palavra empenhada.
E durou nada menos que dezoito anos, sem que jamais tivesse
havido um só arranhão na lisura, na estima e na confiança
com que nos tratávamos".
Os
negócios cresciam, e Attilio atraía os mais variados convites.
Em Concórdia, oeste de Santa Catarina, um empreendimento industrial,
composto por um pequeno moinho, um abatedouro de suínos e
um frigorífico, estava parado por desavenças entre os cotistas.
O então prefeito convidou Attilio para uma visita ao local
e, logo nos primeiros contatos, todos já estavam insistindo
para que ele assumisse a direção da sociedade, proposta essa
não aceita, pelo menos não nos termos sugeridos. Ao invés
disso, Attilio Fontana propôs uma sociedade de participação:
50% para os cotistas e 50% para ele, para que administrasse
o negócio.
Mais
tarde, Attilio quis se retirar dos negócios. Mas os cotistas
foram irredutíveis e insistiram para que permanecesse. Sendo
assim, ele fez uma proposta que julgou impossível de ser aceita.
Para sua surpresa, eles concordaram. No ano seguinte, 1944,
foi constituída formalmente a S. A. Indústria e Comércio Concórdia,
tendo como diretor-presidente Attilio Fontana. Um de seus
primeiros atos foi juntar as iniciais do nome da empresa,
correspondentes à expressão "sociedade anônima",
à última sílaba de Concórdia. Estava criada a marca Sadia,
sinônimo de uma das maiores indústrias alimentícias da América
Latina.
Attilio
se mudou para Concórdia e continuou a trabalhar seguindo três
alicerces básicos, nos quais sempre acreditou: o
respeito ao trabalho do homem, o cuidado
com a terra e a valorização
da técnica.
Posteriormente
era inaugurada a nova empresa, com objetivos os mais variados:
industrializar e comercializar produtos alimentícios, além
de instalar matadouros, frigoríficos, fábricas de conservas
enlatadas, de carnes, gorduras e laticínios.
A
exportação dos produtos também estava nos planos e, já no
início dos anos 70, a Sadia chegou aos países árabes e europeus,
para depois aterrissar na Ásia e no restante da América Latina.
Attilio
Fontana continuou ampliando seus negócios, e a marca Sadia
já era vista como sinônimo de qualidade. Atualmente a Sadia
lança uma média de quarenta novos produtos por ano, possui
doze unidades produtoras, dezoito filiais comerciais, emprega
mais de 30 mil funcionários, e, em 1999, seu faturamento atingiu
R$ 3,14 bilhões.
38
- DADÁ DA BAHIA
Enquanto
a mãe trabalhava, Aldacir dos Santos, Dadá, vendia sardinhas
fritas em frente ao mercado. Sua mãe fazia um tabuleirinho
que forrava com papel de embrulho, onde botava as sardinhas
e o vinagrete de tomate cortado miudinho.
Depois
de certo tempo, voltaram para sítio do Conde, onde sua mãe
foi trabalhar na roça. A cidade era ao lado, e Dadá andava
pela vizinhança, espiando pela janela. "Eu fui criada
como uma menina de rua, mas que adorava frequentar as casas
das pessoas para ver as coisas que achava que eram importantes
para mim. Queria aprender".
Na casa onde foi trabalhar como empregada doméstica havia
fartura, vinha muita coisa da fazenda, nada era regulado,
então Dadá aproveitava para aumentar a quantidade de ingredientes
da receita e, assim, melhorava os pratos.
A
menina Dadá era querida. Das
cozinhas do Conde foi levada para Salvador, para uma casa
de família que lhe queria bem. Outro mundo se abriu diante
de seus olhos. Depois de aprender os segredos das comidas
de dendê em Salvador, ela, que já estava com 16 anos foi para
São Paulo, acompanhando um irmão da família para a qual trabalhava.
O período no Sul foi um curso completo: comidas novas, outros
ingredientes. De volta à Bahia, passou a fazer marmitas e
logo, no boca-a-boca, formou uma freguesia fixa. O negócio
era um sucesso, ela foi economizando, colocando um dinheirinho
de lado. O trabalho era enorme, marmitas, mingaus... Era preciso
que o dia tivesse muitas horas. Mas como nada é fácil na vida,
a morte do irmão e a doença da mãe – que faleceu logo em seguida
– arrasaram suas finanças, abalaram sua energia e reduziram
sua clientela.
O
turismo era crescente no Estado e uma amiga alertou Dadá para
isso. Porque não se vestir de baiana, preparar e levar o melhor
dos pratos para encantar a diretoria da Bahiatursa? Assim
ela fez: preparou, levou e encantou... Com a Bahiatursa, viajou
o Brasil e levou o melhor da comida baiana aos quatro cantos
do país. Depois que deixou as viagens, Dadá passou a trabalhar
novamente em casa de família e, em seguida, em dois restaurantes.
Foi num deles que conheceu Paulo, cozinheiro como ela. Associaram-se
no trabalho e acabaram casando. Juntos, passaram a fazer jantares
em casas particulares e em empresas. Foram economizando e
aplicando o dinheiro no que lhes parecia útil para o negócio
que desenvolviam.
Alugaram
uma casa que era perfeita, poderia abrigar a família e, quem
sabe, um restaurante modesto. O movimento era pequeno, atendiam
apenas uma ou duas mesas por dia. Pior do que isso era o pouco
dinheiro, empatado em ingredientes e bebidas, que não retornava.
O que fazer? Decidiram, então, preparar o famoso PF! O prato
feito foi a boa ideia que teve Dadá. Daí o restaurante engrenou,
quem chegava se tornava logo cliente fiel. "A turma da
TV Bahia, que fica aqui do lado, me descobriu e ficaram encantados
com minha comida – regada a muito azeite de oliva – e avisaram
os jornalistas do Correio da Bahia, sugerindo que viessem
conhecer o restaurante e fazer uma matéria. Foi aí que ganhei
a minha primeira matéria de jornal."
Estava
avançada a execução do projeto de restauração do Centro Histórico.
Foi aí que Dadá começou sua trajetória para um sucesso abrangente.
Ela e Paulo (hoje eles não estão mais casados) abriram, então,
o restaurante do Pelourinho. Por sua localização, é frequentado
por turistas. Dadá se tornou também proprietária de um restaurante
na orla de Salvador, na praia de Patamares, o Dadá Patamares,
local onde também recebe amigos, fãs e clientes para se deliciar.
Aos
44 anos, é uma mulher forte, iluminada, bem sucedida, muitos
amigos e um talento culinário reconhecido até no exterior.
Ela ganhou o prêmio de Mulheres mais Influentes do País na
categoria de gourmet. "Foi tanta emoção estar ali recebendo
um troféu com tantas mulheres ilustres." Inaugurou o
restaurante Temperos da Dadá, no complexo da Costa do Sauípe,
seu quarto empreendimento. "Costumo
dizer que o sucesso é o nosso trabalho", afirma Dadá.
Coragem? Não falta. Ela diz não ter medo de nada nesta vida.
39
- ARRI COSER
Aos
14 anos, trabalhava como passador de carnes em uma churrascaria
de beira de estrada. Quando deixou a Serra Gaúcha trinta anos
atrás, levava com ele apenas alguns centavos no bolso e um
sonho: queria ser dono de uma lanchonete. A ambição se revelou
muito pequena diante do império gastronômico que ergueria.
Junto com o irmão Jair, Arri é proprietário da Fogo de Chão,
a mais conhecida e premiada rede de rodízios da cidade. Além
das três unidades de São Paulo, reúne hoje uma em Belo Horizonte
e oito espalhadas pelos Estados Unidos. A cadeia teve um faturamento
de 96 milhões de dólares no ano passado.
"Digo
sempre que parti do zero menos zero", brinca Arri. Com
apenas 14 anos e a 6ª série do ensino
fundamental, o então adolescente veio tentar a sorte
no interior de São Paulo. Rumou para Aparecida, onde já estava
Jair, seu irmão. Ambos foram lavadores de pratos e garçons
num rodízio de beira de estrada. "Quando percebemos a
falta de oportunidade profissional, mudamos para o Rio de
Janeiro", conta. Na capital fluminense, juntaram um minguado
pé-de-meia e regressaram ao Rio Grande do Sul em 1980. Em
Porto Alegre, arremataram a simplíssima churrascaria Fogo
de Chão, que funcionava à la carte e somente de quinta a domingo.
Lá, descobriram a fórmula do sucesso ao adotar nos domingos
o serviço de rodízio. Esse sistema, nada nobre na época, atraiu
um mundaréu de gente e acabou estendido aos demais dias da
semana.
Rapidamente,
as fronteiras gaúchas ficaram estreitas para os irmãos Coser.
No início de 1986, eles inauguraram a primeira filial paulistana.
Um ano depois, montaram a segunda. Nesse período, houve um
boom de rodízios pela cidade. Na tentativa de se diferenciar,
a concorrência inundou os bufês de peixes e frutos do mar,
além de sushis de qualidade duvidosa. Arri e Jair, porém,
concentraram-se no principal: a carne. Enquanto a maioria
dos lugares do gênero acabou aderindo a um estilo popular
ou naufragou, a Fogo de Chão continua de uma solidez inabalável
entre as 140 churrascarias que existem na cidade. E é um dos
rodízios mais caros do Brasil. Sua força reside justamente
nos cortes de primeira. "Na Fogo de Chão não te enchem
de coisinhas para que na hora da carne você esteja sem fome",
diz o concorrente Belarmino Iglesias, dono da rede Rubaiyat.
"Os outros rodízios estão longe da qualidade deles."
Para atingir um bom desempenho no exterior, adotou-se
uma estratégia interessante. Sempre no comando, há um gerente-geral
brasileiro. Os dois cargos imediatos, de gerência de atendimento,
ficam com profissionais americanos. "Estão em postos-chave
porque conhecem bem a cultura do país, assim como as leis
locais", diz Jair. Na relação de 700 garçons da rede,
porém, existe gente de 23 nacionalidades, entre as quais filipina,
chinesa, canadense, mexicana, francesa... "É uma ONU
lá dentro, tchê", diverte-se Arri. Qualquer empregado
brasileiro pode se candidatar a uma vaga no exterior. Hoje,
são 130 atuando nas unidades americanas. Os requisitos básicos
são falar bem inglês, ser exímio no serviço das carnes e entender
de vinhos e bebidas.
40
- CÉSAR RITZ
Nasceu em um
povoado humilde dos Alpes Suíços e cresceu como criador de
cabras do rebanho familiar. É considerado como "o
pioneiro da hotelaria moderna de luxo".
Começou a trabalhar aos 15
anos de idade como garçom e, posteriormente, como cozinheiro
em um hotel. Foi despedido por seu patrão, que o recriminou
dizendo que ele não tinha talento para sobreviver na indústria
hoteleira. Convencido de que seu patrão não tinha razão, foi
à França e depois à Inglaterra em busca de melhores oportunidades
para se especializar na área de hotelaria. Finalmente conseguiu
inaugurar seu hotel, realizando seu sonho, introduzindo
conceitos revolucionários para a época, como
banheiros privativos nos quartos, restaurantes abertos ao
público e serviços de entretenimento familiar. A
partir daí, não parou de crescer inaugurando outros hotéis.
Tinha como lema "somos damas e cavalheiros atendendo
a damas e cavalheiros" e "o
cliente tem sempre razão". Para ele um hoteleiro de
êxito deve ser um mestre em sua profissão, também
deve ser extrovertido e ao mesmo tempo diplomático, deve conhecer
muito bem a natureza humana, falar vários idiomas e ser capaz
de prever, se ajustar e se preparar para mudanças e desenvolvimentos
em seus negócios. O bom hoteleiro deve ser um organizador,
um excelente dirigente de recursos humanos, e amante de sua
profissão. Não se deve apenas cumprir com as expectativas
de um hóspede, mas exceder em qualidade humana e com
um conceito de atenção donde cada hóspede se sinta como "a
razão de ser de cada empregado do hotel".
41
- ALBERTO SARAIVA
Meus
pais foram para São Paulo sem emprego garantido, sem dinheiro.
Fomos morar numa casa muito humilde, mas
meu pai me carregava, ia comigo nas vendas. Ele às vezes me
fazia ir na frente para vender os doces, sempre me
puxou para esse lado comercial.
Mais
tarde meu pai comprou uma padaria velha, na esperança de transformar
numa padaria melhor. No 19º dia que ele tinha comprado, dois
assaltantes roubaram e mataram o meu pai dentro da padaria.
Foi uma tragédia. Depois, tranquei a matrícula da faculdade
e assumi a padaria. Foi muito difícil. Teve até um momento
em que pensei desistir. Ficava lá, não tinha clientela, os
padeiros me largavam na mão. Às vezes eu chegava de manhã
e não tinha pão, tinha que buscar na padaria concorrente.
Entrava pelos fundos e os clientes me viam chegar com o pãozinho.
Passava uma vergonha desgraçada.
Um
dia decidi que ia mudar a minha vida. E aí parece que eu ganhei
uma força extra. Fui para dentro da
padaria e virei padeiro. Aprendi a fazer pão, a mexer no forno.
Acordava e acompanhava o trabalho do padeiro. Comecei a entender
de pão e nessa época, com as dificuldades da padaria, aprendi
a maior filosofia que tenho que é vender a preço acessível,
que é vender barato. A padaria começou a melhorar,
eu entendia do assunto e comecei a trocar os equipamentos.
A padaria acabou sendo a melhor do
bairro. Nasceu ali essa parte comercial.
Pensei comigo: Quando eu tiver alguma dificuldade na minha
vida já sei como resolver. Com o preço. Não barato, extremamente
barato. Não justo, extremamente barato. Nunca mais me esqueci
disso aí e hoje aplico essa filosofia em todos os meus negócios.
O
nosso país tem essa vantagem. Ele tem muitas opções de coisas.
Na Europa está tudo feito, tudo planificado. É difícil ter
chance, tem que trabalhar de emprego para subir na carreira.
Aqui, é um país novo, que tem força, que tem oportunidade.
Hoje a maior dificuldade de crescimento da minha empresa não
é o dinheiro, é encontrar pessoas
qualificadas para exercer os cargos de liderança.
Eu tento qualificar as pessoas para ver se encontro 40 pessoas
que se destacam e que têm a mesma garra,
a mesma vontade que eu.
42
- LUIZ GONZAGA DE MAGALHÃES
Tem
uma história que fala assim: pai rico, filho nobre e neto
pobre. Eu fui esse neto pobre. Meu avô era um homem bem de
vida. Era um político bem conceituado no interior. Meu pai
perdeu os pais aos 11 anos. Uma pessoa que não teve muito
tempo de ser educada pelos pais, mas sempre foi muito inteligente,
muito ligada à família. Só que, logo ele perdeu tudo que meu
avô tinha deixado. Minha família entrou em uma dificuldade
financeira enorme. Nós éramos 12 irmãos. Comecei a procurar
o que fazer, tínhamos que ajudar em casa. A primeira coisa
que encontrei, foi engraxar sapato e vender manga na rua.
Depois, comecei a trabalhar em um armazém. Eu
fazia de tudo: vendia, comprava, carregava, descarregava
caminhão. Fazia de tudo um pouco.
Antigamente, os viajantes andavam a cavalo. No fim da tarde,
eu ia para a porta da pensão e ficava esperando os viajantes,
que soltavam os cavalos no pasto perto da pensão. No dia seguinte
eu ia lá de manhã e pegava os cavalos para eles. Até costumo
brincar com o assunto. Falo muito que a gente fica atrás do
cliente, procurando pelos clientes, mas não tem nada mais
difícil do que pegar um cavalo desconhecido. Não tem nada
mais difícil do que correr atrás de um cavalo que não conhece
você e você não o conhece também. Posteriormente, trabalhei
numa loja durante 4 anos. Os donos da loja resolveram se mudar
e quiseram me vender a loja. Mas minha mãe não deixou. Disse
que era muito pouco e que eu deveria ir para a capital. Segui
o seu conselho e consegui emprego em uma construtora. Nos
fins de semana, comprava e vendia veículos. Um dia meu patrão
disse: "Se você compra e vende veículos toda semana,
por que não comprar e vender tratores usados para a nossa
empresa?". Pensei muito e aceitei o desafio. Então, fundei
a Tracbel. Começamos com tratores usados e oficina. Isso foi
muito importante na minha vida, pois me ensinou
a operar o negócio mais difícil do nosso ramo, que é o
pós-venda. É no pós-venda que você consegue
realmente fidelizar o cliente. Qualidade e agilidade são essenciais,
já que o negócio do cliente não pode parar. A Tracbel fatura
cerca de R$ 800 milhões.
43
- YIN MINGSHAN
O
empresário Yin Mingshan, dono de um dos maiores grupos privados
da China, cresceu num país onde cultivar tendências capitalistas
era crime punido com prisão. Tornou-se um fora-da-lei aos
13 anos, quando tomou 50 centavos
emprestados, comprou um punhado de
agulhas e passou a vendê-las de porta em porta. Sete
anos depois, o governo lançou seus tentáculos ideológicos
sobre Yin, que foi acusado de trair a pátria, julgado e preso
— condenado a passar o resto da vida nos campos de reeducação
criados por Mao Tsé-tung para desvirtuados como ele. Ficou
na cadeia durante as duas décadas. Em 1979, foi avisado de
que sua prisão havia sido apenas um mal-entendido. Estava
livre. "Somente nesse dia vi que poderia voltar a ser
uma pessoa normal". Para seu espanto, a realidade encontrada
na saída do cárcere era totalmente diversa da anterior. Arrasada
por três décadas de obscurantismo econômico e fanatismo político,
a China estava nos primeiros estágios da transformação que
a tornaria o motor do crescimento mundial. Uma transformação
resumida assim por seu mentor, Deng Xiaoping, sucessor de
Mao. "Pobreza não é socialismo", disse Deng, do
alto de seu metro e meio de altura, num discurso célebre.
"Ser rico é glorioso." O governo começava, de forma
tímida, a incentivar quem queria ter seu negócio. Se antes
era crime, enriquecer tornou-se obsessão nacional. E para
quem tinha tendências capitalistas, como Yin Mingshan, era
mais fácil chegar lá.
Trinta
anos depois, as histórias dos primeiros empreendedores são
repetidas como mitos de formação dessa nova China. Alguns
dos mais bem-sucedidos empresários chineses dessa época começaram
do zero absoluto, sem dinheiro ou preparo acadêmico. O ex-presidiário
Yin Mingshan fundou a Hongda, sua modesta oficina mecânica,
em 1992 (o nome não é coincidência). Tinha nove funcionários
e começou a se dedicar com afinco à nobre arte da engenharia
reversa (desmontar equipamentos para aprender a montá-los).
Logo conseguiu produzir cópias das motos japonesas e vendê-las
pela metade do preço. Hoje, aos 70 anos, tem 14 000 funcionários,
também faz carros e fatura 1,6 bilhão de dólares por ano (após
um processo movido pela Honda, trocou o nome da empresa para
Lifan).
44
- JACK FARIS
Presidente e diretor executivo
da Federação Nacional dos Empresários Independentes, a maior
organização de pequenas empresas dos EUA.
Quando
eu tinha 13 anos, comecei a trabalhar
no posto de gasolina de meus pais. Eram três bombas,
dois boxes de serviço e uma cobertura de lona sob a qual os
carros eram encerados. Papai se ocupava dos boxes e mamãe
das contas e da caixa registradora. Eu queria aprender a mexer
em carros, mas papai me pôs para atender os clientes. "Filho,
os carros mudam, gente não", me disse. "Aprenda
coisas sobre as pessoas." Quando chegava um automóvel,
eu já estava ao lado da porta do motorista antes mesmo de
o veículo parar. Eu abria o capô e verificava o óleo, a correia,
a água da bateria e do radiador. Observei que os clientes
sempre voltavam, quando eu me esmerava.
Meu
pai deixava as coisas bem claras, me dizendo: "Você sabe
qual é seu trabalho e qual deve ser sua atitude.
Seja correto, qualquer que venha a ser a reação do
cliente." Eu trabalhava 6 dias por semana, depois da
escola. Aos sábados e durante o verão, das 6 às 19 horas.
Além de adquirir sólida conduta profissional,
aprendi a administrar meu ordenado. Meus pais me ajudavam,
pondo uma parte dele na poupança. Os primeiros 10% de qualquer
soma que eu ganhasse eram utilizados para ajudar alguém. Outros
20% ficavam com meus pais para contribuir para as despesas
da casa. Mais outros 20% iam para o cofrinho de minha própria
poupança. Os restantes 50% eu podia gastá-los como quisesse.
Trabalhar
naquele posto me ensinou o desafio que a administração de
um pequeno negócio familiar representa. Meus pais tinham de
ser proprietários, gerentes e ainda fazer as vezes de qualquer
um que faltasse.
45
- DAVID THOMAS
(Fonte: Revista Seleções)
Fundador de uma cadeia
mundial com mais de 4300 restaurantes e refeições rápidas.
Quando
eu era jovem, sempre fui grande demais para minha idade, o
que me ajudou a arranjar emprego cedo. Eu sempre dizia ser
mais velho do que realmente era. Aos 12 anos, minha família
se mudou para outra cidade, onde convenci o gerente de um
restaurante de que tinha 16 anos e fui contratado para atender
ao balcão. O restaurante pertencia a dois irmãos. Um deles
tinha começado a trabalhar lavando louça, enquanto o outro
vendia cachorro-quente. Eram durões e exigentes, mas
nunca pediam nada aos empregados que eles próprios não fizessem.
"Meu rapaz", me disse um deles uma vez, "enquanto
você tentar fazer as coisas bem, poderá sempre trabalhar para
mim. Caso contrário, não vai poder continuar." Esse tentar
incluía tudo, desde trabalhar duro até tratar os clientes
com bons modos. Sabia sempre o que estava acontecendo no restaurante,
até mesmo o número de clientes que estavam lá num determinado
momento.
A
gorjeta habitual naquele tempo eram 10 centavos, mas quem
trabalhasse bem e rápido e tratasse bem os fregueses chegava
a receber 25 centavos.
Meus primeiros patrões me ensinaram
a importância de se ser educado e de se elogiar os outros
pelos trabalhos bem-feitos. Quando trabalhamos
e nos dedicamos verdadeiramente, sempre atingimos nossos objetivos.
Não é assim tão complicado.
46
- ARTHUR IMPERATORE
(Fonte: Revista Seleções)
Investidor,
proprietário de uma linha de balsas e presidente de uma empresa
de caminhões. No
verão de 1935, em que fiz 10 anos,
em plena Depressão nos Estados Unidos,
trabalhei num caminhão distribuindo
produtos alimentícios de qualidade.
Percorria 100 lojas por dia. Por 12
horas de trabalho eu recebia um sanduíche, um refrigerante
e 50 centavos de dólar. Como não tinha experiência
anterior, achava que trabalhar assim era normal. Nos dias
em que não estava na distribuição, trabalhava na loja de doces
da esquina.
Certa
vez, enquanto varria, encontrei algumas moedas sob uma mesa
e entreguei-as a meu patrão. Colocando o braço à minha volta,
ele me contou que tinha sido ele quem as pusera lá,
para ver se podia confiar em mim. Acabei por ficar trabalhando
com ele até terminar o 2º grau. Nunca
me esqueci de que foi a honestidade que me manteve a seu serviço.
Poupei
todo o dinheiro que pude daqueles dois empregos e abri minha
primeira conta bancária. Com o passar dos anos, tive muitos
outros: fui garçom, guarda de estacionamento, empregado doméstico
e outros. Mais tarde, quando minha empresa de caminhões mergulhou
em quatro anos de crise seguidos, pensei naqueles tempos de
outrora e na lição sobre a confiança que aprendera naquele
dia na loja de doces. É essa a palavra-chave no trabalho com
os outros e na construção de uma empresa. Foi a confiança
que acabou trazendo sucesso à minha empresa.
47
- SEBASTIÃO BONFIM FILHO
Quando criança, aos 9 anos,
chegou a surpreender o pai, que tinha uma loja de máquinas
de costura. "Um dia, meu pai saiu e me deixou tomando
conta da loja. Um cliente chegou querendo olhar os produtos
e não é que eu vendi a máquina para ele? Quando meu pai retornou,
tomou um susto, pois o preço que dei era maior do que o real.
Meu pai, então, fez a correção, mas me parabenizou pela venda."
Com apenas 16
anos de idade, ele perdeu o pai e teve a pesada responsabilidade
de assumir os negócios da família. Administrar as fazendas
do pai, na época, foi um grande trauma para ele, hoje um empreendedor
no ramo de lojas de artigos esportivos. Aos 22 anos teve sua
primeira oportunidade de trabalho fora das fazendas: uma representação
de balanças.
Aos
24 anos, já mostrando seu desejo de crescer e querer sempre
mais, o jovem empreendedor economizou dinheiro e fundou, juntamente
com o seu cunhado, sua própria fábrica de balanças.
Quando
tinha 26 anos, a fábrica já contava com 60 funcionários e
possuía representantes em quase todo o país. E chegava a trabalhar
80 horas por semana. Por falta de experiência e por ter crescido
sem uma boa infra-estrutura, a empresa de balanças praticamente
quebrou. Se desfez da fábrica de balanças, iniciou outro empreendimento:
uma lojinha de bairro com apenas quatro funcionários.
Possui,
hoje, uma rede de 62 lojas em nove estados da federação. A
MG Master, rede de lojas que dirige, já é a maior empresa
do ramo no Brasil, incorpora três nomes bem conhecidos: Centauro
Esportes, By Tennis e Almax Sports. "Nosso negócio não
tem muito mistério. Compramos de mil
em mil e vendemos de um em um. Assim, nós
conseguimos lucro", ensina com
simplicidade o empresário.
Sempre
aberto para aprender e evoluir, ele também anseia que sua
empresa se torne, nos próximos três anos, uma das 100 melhores
onde trabalhar no Brasil.
48
- ALAIR MARTINS
Desde pequeno sentia que seu
lugar não seria na roça, com serviços braçais e repetitivos.
Aos 19 anos convenceu seus pais a venderem um sítio da família
e montar um armazém.
O
armazém foi inaugurado, e as entregas eram feitas através
de uma bicicleta cargueira. Nos primeiros anos de funcionamento
foi ininterrupto, sem direito a férias, mas em compensação
o capital dobrava a cada ano. E o primeiro balanço anual foi
feita com uma calculadora emprestada e o faturamento chegou
à casa dos 100 mil dólares. Com isto, o armazém adquiriu uma
pequena frota de camionetes, compradas de segunda mão e viajavam
fazendo entregas. O estoque excedente começava a ser revendido
para outros comerciantes, criando assim o conceito atacado-distribuidor.
Já na década de 60, Alair toma uma importante decisão: não
atuaria mais com varejo. Sendo assim, a única atividade da
empresa seria o atacado. Nesta época, inaugura-se Brasília
e Uberlândia se torna a cidade com o maior índice de distribuição
de mercadorias para a nova capital federal. No fim da década
de 60, a frota de veículos do Martins já inclui 10 caminhões
e já contam com mais de 30 funcionários, na administração
e vendas e o mesmo número de motoristas. Na década seguinte,
Alair amplia a área de atuação, até então restrita ao interior,
para as capitais.
As
primeiras entregas eram feitas pelo próprio Alair, praticamente
um menino, em uma bicicleta cargueira. Isso depois de muito
custo para convencer o pai a sair da zona rural e tentar a
vida em Uberlândia, no comércio. Ele tinha 17 anos. "Ele
queria comprar um sítio maior. Falava: ‘cidade é lugar de
gente inteligente, esse negócio de comerciante, ter
que mentir para o cliente, eu não aprovo isso’".
O jovem Alair tentava convencer o pai que pessoas inteligentes,
honestas e desonestas estão em toda parte. "Não importa
o lugar e sim o caráter e a formação da pessoa. Eu estava
com 13 anos, ansioso que ele desse o sinal verde e ele não
mudava de posição. Mudei de estratégia. Ele não comprava uma
vaca sem falar com a minha mãe. Dos 13 aos 15 anos eu, com
a ajuda de tios e avós, convenci minha mãe de que a mudança
seria boa para nós. E dos 15 aos 17 ela me ajudou a convencer
o pai". Estrategista desde
pequeno.
Sua mãe fez um bom trabalho
e o casal se mudou com os sete filhos para Uberlândia, depois
de vender os únicos bens da família, um sítio e um caminhão.
Mas não foi tarefa fácil. "Quando papai deu o sinal verde
fiquei feliz. Algumas vezes quando ele estava quase sendo
convencido que poderia fazer isto vinha um palpiteiro, um
vizinho, aquele cara que acha que sabe tudo e dizia: ’Não
faz essa burrada, esse menino seu vai acabar com a sua pequena
economia’. Foi uma luta convencê-lo."
Em 1953 foi inaugurado
o armazém de Secos e Molhados Borges Martins. Em um ano a
dívida de Alair com o pai estava sanada. "Eu trabalhei
16 horas por dia dos 19 aos
29 anos, domingo até às 12h. Esse foi o começo.
Sempre gostei de servir, me sentir útil. Penso
nos outros e as pessoas gostam disso, o que
me dá uma satisfação grande", afirma Alair Martins, que
quando visitava os avós ficava fascinado com o jeito que atendiam
os clientes no comércio. "Eu sempre pedia para ajudar.
Me encantou aquele jeito de servir. Eu não tive curso superior
e a minha escola é aprender fazendo e ouvindo gosto
mais de ouvir do que de falar. Não deixei
essa característica da minha origem se perder. Humildade e
simplicidade foram fundamentais para o meu crescimento."
Faz parte da história
dos pequenos comerciantes manter as rédeas do negócio e Alair
Martins demorou um pouco para perceber que precisava aprender
a delegar. Em 1972, com a empresa já com 19 anos e uma frota
de cerca de 50 caminhões ele estava estressado e precisou
tomar uma decisão difícil. "Ou eu aprenderia ou a empresa
não ia crescer e eu iria adoecer. Optei por aprender a delegar,
e não foi fácil", afirmou. Ávido por conhecimento, Alair
Martins, fundador do maior atacadista da América Latina, tem
prazer em aprender. "Tudo que eu aprendo me faz mais
feliz, por mais simples que seja. E
colocar em prática o que aprende é fundamental".
Atualmente, o grupo Martins fatura cerca de cinco bilhões
de reais por ano, conta com 4 mil representantes autônomos
que visitam cerca de 180 mil clientes.
49
- GUGU LIBERATO
Descendente de
portugueses quando garoto ganhava seus
trocados vendendo gibis de segunda mão e perfumes que
ele mesmo fabricava. O primeiro emprego foi
como office boy em uma imobiliária. Tinha
então 13 anos.
Apaixonado por
gincanas, concursos e programas de auditório, aos 15 anos
conseguiu uma vaga de auxiliar de escritório no SBT. Sem medo
de ousar, vez ou outra enviava para Silvio Santos, sugestões
para seus programas. Muitas delas foram aceitas. Aí começa
sua história na TV brasileira.
Estudou
odontologia e pedagogia, mas abandonou os dois cursos para
se graduar jornalista. Atuou como assistente de produção,
redator e repórter do "Programa Silvio Santos".
Ainda nos tempos de faculdade apresentou a "Sessão Premiada",
onde os telespectadores ligavam para emissora na tentativa
de acertar o nome do filme exibido naquela noite.
Logo
nas primeiras aparições na TV, Gugu marcou sua presença e
revelou ser dono de uma personalidade própria. Seguidor da
escola criada pelo "mestre" Silvio Santos, adotou
uma linguagem popular e conquistou um público fiel e cada
vez mais numeroso.
Em 1982 lançou
o "Viva a Noite", primeiro projeto totalmente apresentado
por ele. Não demorou para o programa se posicionar entre os
lideres de audiência da emissora. Popularidade em alta. Contrato
milionário assinado em fevereiro de 1988 e a garantia de permanecer
no ar por seis horas semanais.
50
- AFONSO CELSO DE BARROS SANTOS
Eu tive uma infância muito
pobre. Vou ser honesto com você: perdi a conta de quantas
vezes a minha família foi despejada por falta de pagamento
de aluguel. Eu tinha uns 10, 12 anos. Desde que eu me lembro
por gente vi que meus pais lutavam muito para pagar as contas
de casa. Mas a luz de casa era difícil não cortar.
Cada irmão fazia uma
coisa. Cada um foi para um lado para se virar um pouco. Mas
ainda assim era insuficiente para complementar a renda. Aí
a minha mãe me colocou para trabalhar no Bradesco como office
boy. Eu lembro que não passei em nenhuma questão da prova
de admissão. Acho que levei zero de matemática.
O maior problema para
começar a Avis foi o capital inicial. Até aquela época eu
só havia juntado 100 000 dólares. Era o único dinheiro que
eu tinha. Se desse errado eu estava complicado. É muito pouco
depois de 23 anos de serviço. Montei
uma locadora com 21 carros e apenas quatro funcionários. Um
ano depois, já tinha 200 carros. Este ano, vamos terminar
com 18 000 carros.
Me
considero uma pessoa que tem ambição. Sou um eterno descontente.
Se você me perguntar se eu me considero realizado, respondo:
nem um pouco. Infelizmente. Lembro quando eu atingi 100 carros
e a minha mulher falou: Agora tá bom, né, Afonso? Eu respondi
que não, que precisaríamos crescer mais um pouco. Quando cheguei
em 1.000 carros ela falou: Agora, tá excelente. Eu respondi
que não, que ainda não estava bom.
51
- LÍRIO PARISOTTO
"Quando eu era criança, não tinha muitos
sapatos. O sapato era para domingo. Eu usava para ir para
a missa, para ir ao baile. A gente tinha a roupa da roça e
a roupa do domingo. Domingo era dia de ir para a capela, para
a igreja. Fui para o seminário dos 13 aos 18 e depois fiquei
um ano trabalhando na roça.
Fui mandado embora
de todos os empregos que eu tive. Em Brasília eu fui mandado
embora porque o meu tio foi embora e eles me demitiram. Depois
teve o frigorífico e em seguida um concurso do Banco do Brasil
que eu prestei, mas aí eu já queria ser médico. Me disseram
para ir à cidade e pedir transferência depois de seis meses
e você consegue mudar para a cidade onde tem a universidade.
Cheguei lá e todos os funcionários estavam esperando a mudança.
Pensei comigo: Não sou mais bonito que ninguém, não tenho
ninguém para me ajudar e fui embora. Essa foi a decisão mais
difícil da minha vida e só faltou o pessoal me internar.
Fui trabalhar como vendedor
de toca-fitas. Eu deixava o rádio com as lojas, eles instalavam,
vendiam e iam me pagando. Só que os donos da loja começaram
a me dever dinheiro. O meu pequeno capital de giro começou
a ficar comprometido porque eles me deviam 10, 15 toca-fitas.
Até que um dia um deles me perguntou se eu não queria ficar
com a loja dele. Eu pensei: Que loja, que nada! Quero ser
médico. Aquilo ali era para me sustentar. Como vi que não
ia receber o que ele me devia, acabei ficando com a loja.
A entrada foi o valor dos toca-fitas e o resto em 24 vezes.
Veja bem: quando falamos de loja estamos falando de uma pequena
instaladora de rádio com apenas dois funcionários."
Formado em Medicina
pela Universidade Caxias do Sul, o primeiro empreendimento
do médico Lírio Parisotto foi a Videolar, que gerou os recursos
necessários para que ele multiplicasse seu capital através
da Bolsa. Utilizando critérios de análise fundamentalista
semelhantes aos utilizados pelo mega-investidor americano
Warren Buffet, Lírio alcançou um patrimônio considerável em
ações e manteve a calma, mesmo nos piores momentos da crise
de 2008. Hoje seu patrimônio já está recuperado e seu fundo
tem um valor superior a R$1,3 bilhão. Uma lição de perseverança
e gestão do risco.
"Na verdade, nunca
coloquei como objetivo de vida aonde chegar. Porque eu não
sei onde estou, se cheguei a algum lugar. Acho que estou começando,
me sinto um eterno iniciante. Agora que eu resolvi dar uma
parada para começar uma segunda parte da minha vida. A partir
de primeiro de janeiro de 2008 a empresa vai ter um novo presidente.
Estou saindo da companhia e vou estudar em Nova York."
52
- ALCIDES PARIZOTTO
Na infância, eu tinha tudo o que precisava, mas as
coisas mais simples. Como morávamos no interior, teve época
em que meus irmãos mais velhos trabalharam na roça. Quando
a coisa evoluiu, eles vieram para o comércio.
Eu sempre trabalhei
com atacado, nunca tive varejo. Desde o primeiro dia, desde
o começo. Aí eu recebi um caminhão de peixe. O meu depósito
tinha uns 60 metros quadrados e eu estocava o queijo de um
lado e o peixe de outro. Era peixe salgado, em caixa. O cheiro
que exalava era horrível e eu dormia nos fundos. Tinha uma
abertura no depósito para eu poder ver se acontecia alguma
coisa. Eu quase dormia agarrado aos queijos porque eu tinha
um compromisso de pagar aquela mercadoria, o quanto antes
possível. Cuidava daquilo com o maior carinho do mundo.
No começo, eu encontrava
os representantes das indústrias e dava um cartão meu. Contava
o que estava fazendo e falava que queria comprar deles. Aí
a pessoa fazia o meu cadastro e via que eu não tinha nada,
não tinha bens. Nessa época eu tinha 25 anos e era muito jovem,
tinha cara de menino. Um dia fui a uma das cooperativas filiadas
à União, fazer uma visita. O presidente, que não me conhecia,
perguntou se o meu pai estava satisfeito com os produtos que
estava recebendo. Eu disse que ele estava feliz e me mandei,
preocupado em que ele descobrisse que eu era o Alcides Parizotto.
Hoje o jovem é prestigiado, mas naquela época não era assim.
Tinha que ter bigode, ser meio gordinho, casado e com filhos
para merecer crédito.
A festa de inauguração
da nossa primeira grande sede, em 1985, foi tão linda que
congestionamos a Marginal Tietê. Tínhamos mais de 3 000 pessoas
do Brasil inteiro, clientes e fornecedores. A mercadoria era
tão bem estocada, que se chegasse ao armazém e soltasse um
prumo nas pilhas, não tinha diferença nenhuma embaixo. Não
tinha bituca de cigarro, o piso brilhava. Imagina aquela pessoa
que dormia no depósito de queijo e peixe lá em Maringá inaugurando
um empreendimento desse. Foi um deslumbre. Outra mudança foi
que colocamos 40 balconistas e, assim, também inauguramos
a primeira loja de auto-serviço de atacado. O grande sucesso
do Atacadão e da Inpar deve-se ao fato
de o dono colocar a barriga no balcão.
O Brasil oferece oportunidade
para quem se sente capaz de realizar alguma coisa. O que tem
de coisa para ser feito pelo Brasil afora. Acredito que não
teria o mesmo sucesso se estivesse em outro país.
53
- VISCONDE DE MAUÁ
Irineu Evangelista de Sousa ficou órfão
de pai aos 5 anos. Aos 11 anos já trabalhava
como contínuo, aos 15 foi trabalhar com um comerciante
onde rapidamente aprendeu tudo. Depois passou a trabalhar
numa firma importadora, onde aprendeu inglês, contabilidade
e a arte de comerciar. Aos 23 anos já era sócio da firma onde
trabalhava. Irineu adquiriu o hábito das leituras sérias,
lendo no original o clássico "A riqueza das nações",
de Adam Smith. Quando tinha acabado de completar 22 anos,
o chefe reuniu todos os funcionários e comunicou que ia se
aposentar e voltar para a Inglaterra e que Irineu seria o
novo acionista controlador. Aos 27 anos, viajou até a Inglaterra
visitando fábricas, fundições de ferro e conheceu a ferrovia,
a coqueluche do meio empresarial e político do momento. Visitando
uma fundição de ferro na Inglaterra, Mauá escreveu: "Era
precisamente o que eu contemplava como uma das necessidades
primárias para ver aparecer a indústria propriamente dita
no meu país... é a indústria que manipula o ferro, sendo a
mãe das outras, que me parece o alicerce". Essa visão
do país mais moderno do mundo abriu os olhos de Mauá para
aquilo que ele gostaria que o Brasil fosse: uma nação adiantada.
De volta ao Brasil, resolve tornar-se
industrial. Foi o primeiro do Brasil, aos 32 anos. Aos 40
anos Mauá já estava rico. Investiu na indústria pesada, fundições,
estradas de ferro, estaleiros. Fabricava navios, engenhos
de açúcar, guindastes, prensas, peças de artilharia, postes
para iluminação e canos de ferro para água e gás, além de
possuir bancos, empresas de comércio exterior, mineradoras,
usinas de gás, fazendas de gado e sócios milionários em toda
a Europa.
Destacou-se também em empreendimentos
públicos: a iluminação a gás da cidade do Rio de Janeiro,
companhias de navegação, companhias de bonde, a primeira estrada
de ferro do Brasil, assentamento de cabo submarino e mais
17 empresas instaladas em seis países. Tudo no Brasil que
significasse desenvolvimento e progresso, onde não houvesse
escravos, tinha a marca de Mauá. O que era moderno tinha suas
mãos.
O Barão foi precursor de multinacionais,
da globalização e do Mercosul, e no Brasil seus negócios se
espalhavam do Amazonas ao Rio Grande do Sul. Mauá era um empresário
da diversificação, sendo considerado
o maior empreendedor que o Brasil já teve.
Mas o Visconde de Mauá era um estranho
no ninho. No ninho de um país ruralista, escravocrata e latifundiário,
cuja economia vivia sob o controle estatal. Por isso era incompreendido
e até perseguido. Era desprezado e talvez invejado por D.
Pedro II. Jamais tiveram alguma discussão pública, mas sua
incompatibilidade de gênios era notória. Mauá cometia o supremo
pecado de ser devotado ao lucro e isso D. Pedro II, não podia
tolerar. Em consequência disso, os políticos partidários do
imperador inviabilizavam quanto podiam os projetos de Mauá,
até ao ponto de torná-los impossíveis. O
Visconde era um gigante em terra de anões. Afinal depois
de muita perseguição em 1875, Mauá faliu e pediu moratória
por 3 anos. Vendeu tudo o que tinha, pagou todas as dívidas
e limpou seu nome. Irineu Evangelista de Sousa, Barão de Mauá,
era respeitado pelos grandes banqueiros ingleses, como "o
único banqueiro confiável do Hemisfério Sul". Morreu
em 1889, famoso e respeitado na Europa. Chegou a ser citado
por Júlio Verne num dos seus trabalhos. A perseguição e incompreensão
dos poderosos proprietários escravocratas brasileiros que
não se adaptavam à modernidade capitalista praticada por Mauá
e que o levaram à falência constituiu um retrocesso e um dos
mais lamentáveis fatos da história econômica brasileira do
século XIX.
54
- SEBASTIÃO CLECY FRAUCHES
Aos 19 anos, formado em técnico de contabilidade,
conseguiu com muita dificuldade, o primeiro emprego. "Meu
pai não podia me manter e eu tinha que trabalhar para pagar
a pensão onde morava."
Sua primeira oportunidade real
para mudar de vida nasceu após
um gesto de solidariedade. Tudo aconteceu
num sábado à noite, quando estava sentado num banco. "Vi
um casal muito bem vestido desembarcando e percebi que o pneu
do carro deles estava furado." Clecy se ofereceu para
trocar o pneu. Sensibilizado com seu gesto, antes de ir embora
o homem tentou oferecer uma quantia em dinheiro como gratificação,
mas Clecy recusou. "Ele me perguntou o que eu fazia e
contei minha história. Então, ele me deu um cartão e me pediu
para procurá-lo naquele endereço."
Aquele homem era Solon Bueno, dono de
uma usina. "Ele me recebeu, chamou o chefe administrativo
e pediu que providenciasse um curso prático de contabilidade
para mim. Eu seria o futuro contador da empresa." Anos
mais tarde Clecy veio a tornar-se homem de confiança de Solon.
Solon começou a ter problemas com o sócio
de uma mineradora que possuía em outra cidade. A partir de
então, Clecy passou a administrar a mineradora. "Para
minha surpresa, ele me deu 10% da empresa." Sete anos
mais tarde, após uma crise no setor de minério ele abriu uma
empresa prestadora de serviços no setor de mineração. Trinta
e cinco anos depois criou a Fidens, que é focada em construção
pesada, mineração e concessões, atendendo clientes públicos
e privados em vários estados. São mais de 100 obras espalhadas
pelo Brasil, incluindo aeroportos, barragens, prédios industriais
e rodovias, e uma receita de R$ 449 milhões em 2006.
55
- RUBEM BERTA
O alemão Otto Meyer tinha uma metáfora
que julgava infalível para saber em quem podia confiar: a
firmeza do aperto de mão e a franqueza do olhar. Usou a regra
para selecionar os candidatos que apareceram em resposta ao
anúncio que publicou nos jornais de Porto Alegre, em 1927,
oferecendo emprego na companhia que pretendia abrir, a Viação
Aérea Riograndense (Varig). Um moço de 19 anos - Ruben Martin
Berta -, neto de alemães e húngaros, foi o que mais impressionou.
Era inquieto, curioso e de memória
espantosa. E o principal: nem discutiu o salário, que
não era dos melhores. Também não se importava com o fato de
ser o único funcionário da empresa.
Até os 13 anos, enquanto os dois irmãos
brincavam na calçada, ele sumia da vista da mãe e escondia-se
na biblioteca de um vizinho. Tinha até planos de ser médico.
Aí o pai contraiu tuberculose e se afastou da fábrica de fogões
e cofres. Ele empregou-se na loja de tecidos de um padrinho
para ajudar o sustento da casa. Era um serviço sem perspectiva
e, por isso, alguns anos depois, quando leu o anúncio da companhia
aérea, se entusiasmou. Contudo, a mãe ficou furiosa ao saber
que ele pretendia trocar o certo pelo duvidoso. "Não
tem cabimento largar a loja para se meter nessa maluquice
de voar." Berta dormiu três noites no escritório da Varig
até a mãe se acalmar.
Na Varig, além de varrer o chão, foi guarda-livros,
datilógrafo, caixa e carregador de malas. A origem
da empresa foi épica. Meyer, observador aéreo no front da
Primeira Guerra Mundial, ao chegar ao Brasil, em 1921, percebera
que, dada a dimensão continental do País, a aviação comercial
por essas bandas haveria de ser um bom negócio. Em 1925, convenceu
o governador gaúcho Borges de Medeiros a lhe conceder isenção
fiscal por 15 anos.
Era a época dos hidroaviões. Meyer e Berta
arregaçavam as calças até os joelhos e remavam para levar
os passageiros até a aeronave. O barco ia ziguezagueando,
a bordo homens de terno e chapéu e mulheres de vestido longo,
a lata de combustível a seus pés, até alcançar o avião, que
voava a 140 km por hora sobre a Lagoa dos Patos. Em 1932,
a Varig passou a operar com aviões terrestres, guiando-se
pelas estradas lá embaixo em meio à neblina e dando rasantes
para afastar os animais do campo de pouso. Quando nem existia
Ministério da Aeronáutica, a Varig implantou por conta própria
equipamento de rádio que abrangia 130 localidades e instalou
luzes de pista em 19 aeroportos para voos noturnos.
Em 1941, com a Segunda Guerra, Meyer,
que temia ser alvo de violência por causa da origem alemã,
passou o comando para Berta e se afastou da empresa. Impressionava
o pessoal da manutenção ao dar palpites certeiros em assunto
tão complexo. "Cansei de vê-lo sair de casa, à uma hora
da manhã, levando uma cesta de sanduíches que minha mãe preparava
para os mecânicos", contou sua filha. A confiança em
seus comandados se consolidaria em 1945, quando convenceu
os acionistas a doarem 50% da Varig à Fundação dos Funcionários.
Rebatizada Fundação Ruben Berta, ela controlava 87,5% da empresa.
Traçou o plano de voo para conquistar
o mundo no início dos anos 40. Em 1942, inaugurou a linha
de Porto Alegre a Montevidéu. Em 1946, chegou ao Rio de Janeiro.
Em 1955, no voo inaugural Rio-Nova York, Berta passou a maior
parte do tempo (a viagem durava 22 horas, com três escalas)
na copa-cozinha supervisionando o serviço de bordo. "Não
é favor atender bem o passageiro. É ele que presta um grande
favor quando nos procura." Em 1965, assumiu as linhas
para a Europa, a África e o Oriente Médio da falida Panair.
Ao sofrer o primeiro infarto, em 1950,
tratou de estudar doenças cardíacas a fundo. "O objetivo
era convencer o médico de que não precisava reduzir o ritmo
de trabalho", lembra sua filha. O segundo infarto o pegou
em seu gabinete. Sentiu-se mal, mas continuou a ditar tarefas
enquanto o médico o atendia. O "Velho", como era
carinhosamente chamado, morreu 20 minutos depois de ataque
cardíaco, sem ver a Varig dar a volta ao mundo, como sonhara.
Em 1972, um jato da companhia pousaria no aeroporto de Tóquio,
no Extremo Oriente. A utopia se transformara em realidade.
Autodidata, estudou botânica, mineralogia
e agricultura. Suas ideias avançadas lhe valeram dois
convites para ser ministro de Juscelino Kubitschek. "Foi
o único homem que não nos pediu nada e, quando convidado para
ministro, deixou o presidente três dias à espera de uma resposta
para, afinal, recusar", escreveu JK.
56
- STEVE JOBS
(Discurso a formandos da Universidade Stanford)
Estou honrado de estar aqui, na
formatura de uma das melhores universidades do mundo. Que
a verdade seja dita, eu nunca
me formei na universidade. Isso é o mais perto
que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu
gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E
é isso. Nada demais. Apenas três histórias.
A primeira história é sobre ligar
os pontos. Eu abandonei a Universidade depois de seis meses,
mas fiquei enrolando por mais dezoito meses antes de realmente
abandonar a escola. E por que eu a abandonei? Tudo começou
antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária
solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito
que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo
estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por
um advogado e sua esposa. Mas quando eu apareci, eles decidiram
que queriam mesmo uma menina. Então meus pais, que estavam
em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite
com uma pergunta: "Apareceu um garoto. Vocês o querem?"
Eles disseram: "É claro".
Minha mãe biológica descobriu mais
tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade
e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela
se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses
mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu
iria para a faculdade. Este foi o começo da minha vida. E,
17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas inocentemente
escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford.
E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora,
estavam sendo usados para pagar
as mensalidades. Depois de 6 meses, eu não
podia ver valor naquilo. Eu não tinha ideia do que queria
fazer na minha vida e menos ideia ainda de como a universidade
poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu gastando
todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda
a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria
OK. Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás
foi uma das melhores decisões que já fiz.
No minuto em que larguei, eu pude
parar de assistir às matérias
obrigatórias que não me interessavam e comecei
a frequentar aquelas que pareciam muito mais interessantes.
Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório
e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia
garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais
eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo
domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna.
Eu amava aquilo. Muito do que descobri naquela época, guiado
pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser
de uma importância sem preço. Vou dar um exemplo: a Universidade
Reed oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia
do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de
gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha
largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais,
decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes
com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço
entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna
uma tipografia boa.
Aquilo era bonito, histórico e
artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode
entender. E eu achei aquilo tudo fascinante. Nada daquilo
tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10
anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador
Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac.
Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca
tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria
tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E
considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem
provável que nenhum computador as tivesse.
Se eu nunca tivesse largado o curso,
nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores
poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É
claro que era impossível conectar esses fatos olhando para
frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito,
muito claro olhando para trás 10 anos depois. De novo, você
não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só
os conecta quando olha para trás.
Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se
conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa
– sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja.
Porque acreditar que os pontos vão se ligar em um momento
vai te dar a confiança para seguir seu coração, mesmo que
te leve para um caminho diferente do previsto, e isso fará
toda a diferença.
Minha segunda história é sobre
amor e perda. Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que
queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na
garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos
duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa
de 2 bilhões de dólares com mais de 4 mil empregados. Um ano
antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação – o
Macintosh – e eu tinha 30 anos. E aí fui demitido. Como é
possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando
a Apple cresceu, contratamos alguém, que achava que era muito
talentoso, para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo
deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram
a divergir…
Quando isso aconteceu, o conselho
de diretores ficou do lado dele. Então aos 30 anos, eu estava
fora. E muito escandalosamente fora. O que tinha sido o foco
de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador.
Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses. Senti que tinha
decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha
deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado
para mim. Eu encontrei David Packard e Bob Noyce e tentei
me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um
fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale do
Silício. Mas lentamente, eu comecei a me dar conta de que
eu ainda amava o que fazia. As coisas que aconteceram na Apple
não mudaram isso em nada. Eu havia sido rejeitado, mas continuava
amando.
Foi quando decidi começar de novo.
Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi
a melhor coisa que podia ter
acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído
pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas
sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos
mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes,
criei duas companhias e me apaixonei por uma mulher maravilhosa
que se tornou minha esposa. Em uma inacreditável guinada de
eventos, a Apple comprou uma das minhas companhias, eu voltei
para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está
no coração do atual renascimento da Apple. E eu tenho uma
família maravilhosa.
Tenho certeza de que nada disso
teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple.
Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava.
Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca
a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu
seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que
descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu
trabalho quanto para com as pessoas que você ama. Seu trabalho
vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira
de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita
ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente
trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou
o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos
os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como
em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor
à medida que os anos passam. Então continue procurando até
você achar. Não sossegue.
Minha terceira história é sobre
morte. Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo
assim: "Se você viver cada dia como se fosse o último,
um dia você certamente vai acertar". Aquilo me impressionou,
e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo
no espelho toda manhã e pergunto: "Se hoje fosse o meu
último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?" E
se a resposta é "não" por muitos dias seguidos,
sei que preciso mudar alguma coisa. Lembrar que estarei morto
em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para
me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo – expectativas
externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar – caem
diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante.
Lembrar que você irá morrer, é a melhor maneira que conheço
para evitar o pensamento de que se tem algo a perder. Você
já está nu. Não há razão para não seguir o seu coração.
Há cerca de um ano, eu fui diagnosticado
com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava
claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um
pâncreas. Os médicos me disseram que aquilo era certamente
um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar
viver mais de 3 a 6 meses. Meu médico me aconselhou a ir para
casa e arrumar minhas coisas – que é o código dos médicos
para "preparar para morrer". Significa dizer aos
seus filhos tudo o que você pensou que teria os próximos 10
anos para dizer, em apenas poucos meses. Significa ter certeza
de que tudo está no lugar, para que seja o mais fácil possível
para a sua família. Significa dizer seu adeus. Eu vivi com
aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz
uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha
garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos.
Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células
do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá,
contou que quando os médicos viram as células em um microscópio,
começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático
que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem.
Isso foi o mais perto que eu estive
de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou
ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso
agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando
a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer.
Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer
para chegar lá. Ainda assim, a morte é o destino que todos
nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim
é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal
invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa
o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo
é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente
se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático,
mas isso é a verdade. Não deixe que o barulho da opinião dos
outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante:
tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição.
Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer
se tornar. Todo o resto é secundário.
57
- THOMAS ADAMS
Em
1869, o fotógrafo Thomas Adams Junior morava em Nova Iorque
e era vizinho e amigo de um ex-presidente mexicano. Adams
notava que o ex-presidente costumava mascar uma espécie de
borracha que tinha trazido do México chamada tchiclé. Em uma
de suas idas à farmácia, Adams notou um tablete de cera que
uma menina acabara de comprar e agora mascava com alegria.
A associação com o tchiclé foi imediata. Ele voltou para casa
e a partir de uma amostra obtida com seu vizinho, criou uma
versão com sabor e mais macia da tal borracha. Cortou sua
versão de tchiclé em tabletes, embrulhou em papel colorido
e foi vender sua primeira produção para a mesma farmácia e,
desde então, Adams se tornou sinônimo de chicletes. Se Adams
não tivesse sido tão simpático
com sua vizinhança, se não tivesse tido a curiosidade
de experimentar o tal tchiclé mascado por aquele senhor mexicano,
se não tivesse percebido a menina
na farmácia e não tivesse tentado criar
sua própria fórmula de mascar, talvez a goma de mascar não
seria o sucesso que é.
58
- PHIL KNIGHT
Phil estava na aula de gestão de
pequenas empresas quando ficou encantado com a possibilidade
de se tornar empreendedor. "Naquela aula eu tive um momento
de luz. Passei a querer ser um empreendedor" – disse.
Quando contou ao seu pai, ele riu. Phil repetiu que queria
ser um empreendedor, seu pai continuou rindo. Só na terceira
vez seu pai ficou sério e disse que estava desapontado. Não
tinha investido tanto na educação do filho para ele se tornar
um aventureiro. Phil quase chorou de raiva.
Mas
continuou com a ideia de se tornar empreendedor e ficou ainda
mais entusiasmado quando pensou criar um negócio no que mais
gostava de fazer: correr. Por esta razão, seu plano de negócio
na aula de gestão de pequenas empresas tentava encontrar uma
resposta para a questão: "Os tênis esportivos japoneses
podem fazer o mesmo que as câmeras japonesas fizeram com as
câmeras alemãs?". Naquele momento, as fabricantes japonesas
tinham invadido os Estados Unidos com câmeras baratas, mas
de boa qualidade, roubando a participação das marcas alemãs.
Será que era possível bater a empresa alemã de tênis esportivos
das três listras?
Depois
de formado, foi para o Japão e voltou de lá com 200 pares
de tênis de corrida. Encheu o porta-malas com os tênis e parou
na frente de um centro de treinamento de corrida em sua cidade
natal. Vendeu todos rapidamente. Diante do sucesso, se associou
ao seu antigo técnico de corrida para criar a Blue Ribbon
Sports. Cada um entrou com 500 dólares de capital. Importaram
mais tênis e já no primeiro ano, a empresa lucrou quatro mil
dólares, quatro vezes o que tinham investido. Para aumentar
as vendas contrataram um vendedor em tempo integral que achou
que o nome Blue Ribbon (faixa azul) estava muito associado
à principal marca de tênis de corrida da época, a Adidas.
Sugeriu então um nome curto e simples: Nike.
Décadas
depois, Phil Knight voltou para Stanford para doar 105 milhões
de dólares e construir uma nova escola de negócio, muito mais
moderna e sustentável. Se estivesse vivo, quem estaria chorando
neste momento poderia ser seu pai, ...de orgulho.
Para
os que ainda querem empreender, mas ainda não tiveram seus
momentos de luz, vale refletir sobre famoso slogan da Nike:
Just do it! (Apenas aja!)
59
- RICARDO ELOI
Aos
9 anos, saía com seu
carrinho de madeira para vender as alfaces na cidade onde
morava. Dois anos depois, passou por um grande trauma que
mudaria sua vida para sempre e abafaria qualquer vestígio
de espírito empreendedor por muito tempo: sua mãe o abandonou,
e o pai, que sofria de alcoolismo, o expulsou de casa. Viveu
em um orfanato por três meses, até ser acolhido por uma tia.
Aos 19 anos, conseguiu um emprego fixo. "Eu só queria
ter uma família e uma casa, o que toda pessoa simples pensa.
Meus amigos viviam me dizendo que
eu tinha muito carisma e não podia me contentar
com pouco, que eu tinha que querer algo mais, mas eu não via
dessa forma."
Depois do primeiro emprego, ele passou por mais alguns
até chegar ao mundo das vendas. Começou com cervejas e, tempos
depois, estava vendendo colchões terapêuticos por R$ 4.000.
A princípio, Ricardo duvidou que conseguiria vender colchões
por esse valor, mas depois conheceu
o produto, entendeu a procura e começou a
gostar do que fazia. Ele viu que havia possibilidade de crescimento
real, se o negócio fosse divulgado de outras formas. Foi ali
que seu espírito empreendedor despertou novamente. Começou
a compartilhar ideias com seu chefe sobre novos meios de prospectar
vendas, mas nenhuma era aceita. Prestes a ter seu primeiro
filho, Ricardo ganhava 5% sobre as vendas, o que representava
uma média de R$ 11 mil por mês. Ele pensou que poderia ter
muito mais e oferecer uma vida mais confortável ao filho se
tivesse sua própria empresa de venda de colchões. Foi aí que
decidiu sair e colocar suas ideias em prática.
Abriu a Sono Quality em Santo André (SP). "Eu tinha muita
convicção, pesquisei o mercado, outros fabricantes, apostei
minhas fichas e deu certo." Ricardo colocou todas as
ideias no papel, mas não sabia como tirá-las de lá. Em uma
manhã de domingo, chamou um ex-colega de trabalho para ajudá-lo
a concretizar aqueles pensamentos. Hoje, é o seu vice-presidente.
"Era um mercado pouco explorado e resolvi mudar o jeito
de comercializar para chegar a mais clientes. Fiz uma propaganda
para rádio e fechei três meses de contrato com a rádio ABC."
De acordo com ele, a primeira ação rendeu 28 ligações, 22
visitas e 14 vendas. Daí em diante, só cresceu. Atualmente,
a Sono Quality investe mais de R$ 20 milhões por ano em propagandas
audiovisuais. Hoje, quando Ricardo Eloi olha em volta, vê
uma empresa que faturou R$ 57,4 milhões em 2017.
60
- JACK MA
Quando criança
possuía a fama de ser um menino problemático e rebelde. Na
juventude já demonstrava interesse em aprender inglês e, com
apenas 10 anos, decidiu que aprenderia, já que sua família
não poderia custear um curso. Assim, começou a frequentar
o Hotel Hangzhou, pedalando 70 minutos diariamente para praticar
inglês com os turistas que se hospedavam no hotel e oferecendo
tours ao redor da cidade. Ele conquistou os estrangeiros e
permaneceu na função por 9 anos, expandindo sua visão de mundo
através desse contato. Quando uma rede de fast-food chegou
em sua cidade, ele se candidatou a uma vaga de trabalho na
empresa. Segundo ele, dos 24 candidatos, 23 foram aprovados
e somente ele foi rejeitado sob o argumento de "não ser
bom o suficiente" e ter "um currículo vergonhoso".
Ele foi rejeitado em mais 30 empresas nessa época sob essas
justificativas. Tentou ingressar em três universidades de
prestígio, mas foi rejeitado pelas três e precisou se contentar
com uma universidade mediana de professores locais. Posteriormente
tentou ingressar na Universidade de Harvard mais de 10 vezes
e foi rejeitado em todas elas. Profundamente frustrado e decepcionado
com a sua vida profissional até esse ponto. Em 1995, quando
era professor de inglês ele deu seus primeiros passos rumo
a seu império bilionário. Começou o seu negócio no próprio
apartamento e hoje é um dos maiores bilionários da China e
de todo o mundo. Hoje, a Alibaba, criada por Jack Ma consiste
em uma gigantesca cadeia de empreendimentos e vale, aproximadamente,
500 bilhões de dólares.
61
- SILVIO SANTOS
Durante
as eleições de 1946, Silvio Santos, então com 14 anos, viu
um homem que vendia capinhas para guardar títulos de eleitor,
e teve seu primeiro gesto como empreendedor ao decidir fazer
o mesmo. O potencial da voz
de Silvio logo chamou a atenção nas ruas do Rio, e ele foi
convidado para fazer um teste numa estação de rádio. Passou
em primeiro lugar, mas logo voltou a trabalhar como ambulante,
onde ganhava mais. Aos 18 anos, ele foi convocado pelo Exército.
Como a carreira de camelô era incompatível com a de militar,
ele voltou a trabalhar como locutor nos dias de folga, para
ter uma renda extra.
Para ir trabalhar em Niterói, ele pegava todos os
dias a barca que cruza a Baía de Guanabara, e em uma das viagens
teve a ideia de montar um serviço de alto-falantes no transporte,
que até então era silencioso. Nos intervalos entre uma música
e outra, ele fazia propagandas de alguns produtos. A iniciativa
fez tanto sucesso que algumas barcas passaram a contar com
um bar e um bingo. Ao comprar uma bebida ou refrigerante,
o consumidor ganhava uma cartela de bingo para concorrer a
prêmios como jarras e quadros.
Aos 20 anos, decidiu tentar a vida em São Paulo,
onde apresentava espetáculos e sorteios em caravanas de artistas.
Para incrementar a renda, ele criou uma revista chamada “Brincadeiras
para Você”, que trazia palavras cruzadas, passatempos e charadas,
e era vendida por ele nos comércios da cidade.
O talento para os negócios abriu as portas para o
empreendimento que transformaria Silvio em bilionário. Em
1958, seu amigo e também radialista Manoel da Nóbrega estava
com dificuldades para administrar uma empresa de venda de
brinquedos a prazo. O Baú da Felicidade era um sistema de
carnês em que o cliente pagava as prestações de uma caixa
de brinquedos ao longo do ano e recebia os produtos na época
do Natal. Nóbrega havia vendido muitos carnês, mas estava
com dificuldade para entregar as mercadorias, então pediu
a ajuda de Silvio para resolver a situação antes de fechar
a empresa. Acontece que Silvio Santos viu no Baú da Felicidade
uma grande oportunidade e assumiu o controle total da empresa.
Era o início do que em 1962 viria a se tornar o Grupo Silvio
Santos.
O apresentador manteve o sistema de crediário, mas
expandiu o negócio, criando lojas em que as pessoas poderiam
trocar os carnês quitados tanto por brinquedos quanto eletrodomésticos.
Além disso, em 1961 Silvio Santos estreou seu primeiro programa
na TV, chamado “Vamos Brincar de Forca” – que mais tarde se
tornaria o “Programa Silvio Santos” –, onde passou a fazer
propaganda do Baú da Felicidade.
Com o tempo, o Baú passou a distribuir não só brinquedos
e eletrodomésticos, mas uma enorme gama de produtos, incluindo
carros e casas. E para suprir as demandas do empreendimento,
Silvio criou empresas nas mais variadas áreas. Entre 1965
e 1975 ele fundou ou comprou mais de dez empreendimentos –
como a Baú Construtora, a concessionária Vimave e a Marca
Filmes – que em 1972 passaram a ser administradas pela holding
Silvio Santos S/A. O coração do Grupo Silvio Santos, no entanto,
era sua divisão financeira. No cenário de inflação alta do
fim dos anos 1960, o empresário e apresentador se deu conta
de que era preciso aplicar o dinheiro das prestações do carnê
do Baú para que esse capital não se desvalorizasse até o fim
do ano. Assim, em 1969 ele fundou a Baú Financeira, embrião
do que, 21 anos depois, se transformaria no Banco PanAmericano.
Em 1975, a divisão financeira do Grupo Silvio Santos ganharia
ainda o reforço da Liderança Capitalização, que em 1991 passou
a comercializar a TeleSena.
Apresentador e empresário de sucesso, na década
de 1970 Silvio Santos começou a pensar em ter sua própria
emissora de TV. O sonho foi concretizado em 1975, quando venceu
a concorrência para o Canal 11, do Rio de Janeiro. A emissora,
chamada TVS, começou a operar com mais de 13 mil funcionários
e contou com um investimento inicial de US$ 10 milhões. Em
1981, Silvio ganhou a concessão de mais quatro canais, que
juntos passariam a formar o Sistema Brasileiro de Televisão,
ou SBT. Toda sua popularidade à frente das câmeras rendeu,
inclusive, convites para que ele entrasse no mundo da política,
o que quase aconteceu nas eleições presidenciais de 1989.
Ele chegou a lançar campanha na televisão, mas a candidatura
acabou barrada na Justiça sob a alegação de que ele era dono
de uma concessionária de TV.
Ao longo das
décadas de 1980 e 1990, Silvio se dedicou especialmente à
consolidação e expansão do SBT, mas nos anos 2000 voltou a
se aventurar em novas áreas. Em 2006 fundou a Jequiti cosméticos
e, em 2007, inaugurou o hotel Sofitel Jequitimar Guarujá.
Depois de
cinco décadas de prosperidade, no entanto, o Grupo Silvio
Santos passou por uma situação delicada no começo desta década.
No final de 2010 foi descoberto um rombo de R$ 4,3 bilhões
no Banco PanAmericano, o que levou o empresário a cogitar
vender todo o seu império e ir morar nos Estados Unidos. Porém,
resolveu empenhar várias de suas empresas para quitar a dívida
e apostou suas fichas na Jequiti, que vem crescendo cerca
de 20% ao ano, o dobro da taxa registrada pelo setor de cosméticos.
Passados quatro anos da crise, o Grupo Silvio Santos segue
firme graças ao talento para os negócios de seu proprietário,
tendo faturado US$ 5,9 bilhões em 2013, com um lucro de US$
800 mil.
62
- DAVID PORTES
Um
homem com gestos espontâneos,
sorriso no rosto e linguagem popular. Esse
jeito diferente, aliado a uma visão simples e eficiente, levou
David Portes de vendedor de doces a palestrante renomado.
O homem que fez sua vida com uma barraca de doces no Centro
do Rio de Janeiro desenvolveu táticas exemplares de venda
e fidelização de clientes, deixou muitos empresários admirados
com suas estratégias e fez sua fama – dando entrevista até
para a rede norte-americana de televisão CNN.
Ele
era bóia-fria e trabalhava na roça. Foi para o Rio de Janeiro
em busca de um sonho. Na época, já era casado e a esposa foi
com ele. Dormiam na rua e catavam latinha na praia. Um dia
a esposa, estava passando muito mal, sentia dores e tinha
de ser medicada. Ele precisava de R$ 12 para comprar o medicamento.
Em vez de comprá-lo, comprou R$ 12 em doces. Ele não sabia
que tinha o dom de encantar e conquistar os clientes – em
duas horas vendeu todos os doces. Pôde então comprar o remédio
e com o restante do dinheiro fez seu capital de giro e continuou
vendendo.
Comprar
o remédio e apostar em doces foi bastante arriscado. Poderia
ter dado tudo errado, mas para poder sair da vida difícil,
tem de arriscar. Aquela era a sua única saída naquele momento.
Depois ainda tinha de pagar o porteiro do prédio na região
em que trabalhava porque foi ele quem emprestou os R$ 12.
Foi comprando e vendendo até conseguir montar a banca. Com
um ano de funcionamento, ela já estava tendo sucesso.
Em
um ano, já tinha 280 itens na banca, e com isso as vendas
cresceram - quanto mais produtos se oferece mais crescem as
vendas. A diversidade de produtos
atraiu um número maior de clientes. Outra coisa: desde aquela
época já separava os produtos na banca como
loja de departamento. Tinha o setor dos produtos
diet e o de refrigerados, por exemplo. Até "drive thru"
e call center tinha. Só o McDonald’s tinha. Colocou dois cones
próximos ao meio-fio e colocou a placa indicando "drive
thru". As pessoas paravam o carro no sinal e aproveitavam
para fazer o pedido. Esse também foi um diferencial. Segundo
ele o cliente é o rei, o vendedor tem de encantá-lo, e não
o contrário. Para fidelizá-lo é preciso fazer diferente.
Fez
pesquisas e descobriu que as pessoas queriam um call center.
Muita gente trabalha em prédios altos e não tem como descer
para ir até a banca. Colocou
uma caixa de sugestões na banca e perguntou
às pessoas qual o serviço que poderia ser oferecido para atender
melhor. Era isso mesmo, queriam
o "delivery". Isso há 18 anos, naquela
época, quase ninguém fazia isso. Ao lado da banca, havia três
orelhões e passou a usá-los para isso. Até que a Telemar descobriu,
tirou os telefones de lá e colocou numa outra esquina. Teve
de comprar um celular e, assim, começou o call center – fez
cartões e mandou distribuir. Depois disso
veio a loja virtual.
Viu a necessidade de colocar um catálogo de produtos online
para a pessoa poder escolher o que queria. Isso até ajudou
a liberar a linha do call center, porque não a ocupava mais
com ligações de pessoas que queriam saber o que tinha na banca.
Foi muito mais prático.
O
que foi determinante para o sucesso da banca,
foi a atitude. Tem de ter atitude para fazer
as coisas. Para ele, isso é tudo. Não tem medo de cometer
erros, vai sempre em busca de fazer diferente, não fica estacionado.
Hoje em dia, todos os produtos estão num patamar só, por isso
a grande sacada é criar um atendimento diferenciado: atender
bem, com carinho, com um sorriso, e inovar!
Para
a fidelização dos clientes ele faz de várias maneiras: com
brinde, com atendimento e fazendo com o que o cliente se sentisse
bem. Para abrir um negócio, tem de ter um sorriso, porque
um sorriso abre todas as portas.
Ele tem moças e rapazes
que são contratadas para fazer
pesquisa e chamar a atenção das pessoas também.
Percebeu que a venda da seção de doces tinha caído, e com
essas pesquisas ficou constatado que os clientes estavam indo
mais ao dentista em razão do aparecimento de cáries. Pensou:
"Por que não proteger a saúde dos cliente? Eu não perco
o cliente e ele não perde o dente." Criou a promoção
'Dente Limpo', que consistia num cartão de 'milhas' com as
figuras dos 32 dentes. Quem queria, podia se cadastrar para
participar da promoção. Foram mais ou menos 500 participantes.
A cada compra que faziam com valor mínino de R$ 3, ganhavam
um dos dentinhos do cartão. Quando completasse os 32 dentes,
o cliente ganhava uma limpeza de tártaro e aplicação de flúor.
Se
tornou palestrante quando foi descoberto por um jornalista.
Fazia meu Marketing na banca quando um jornalista passou por
lá e achou interessante. Depois saiu na mídia - na Exame,
na Veja, na Meio & Mensagem - e o que ele estava fazendo
foi aparecendo cada vez mais. Estava sendo organiza um evento
em São Paulo para 180 grandes empresários, era o 12º Fórum
de Marketing Industrial. Ele foi convidado para participar
e contar sobre o meu trabalho. As pessoas gostaram muito,
e por isso começou a ser chamado para dar palestras. Em sete
anos, já fez 730 palestras!
Quando
começou a trabalhar não sabia
nada de marketing. Aliás, até hoje não sabe.
Não sabe o que é marketing, só sabe que faz direito. Já competiu
com palestrantes da área de Marketing e ganhou prêmios sem
nunca ter estudado Marketing na vida. Ele é autodidata. Cria
suas próprias idéias sozinho, sem apoio de livros. Hoje citam
bastante sua história nas faculdades. Isso é bonito, ainda
mais por não ter estudado, faz as coisas intuitivamente.
Sabia que precisava fazer alguma coisa para se diferenciar
dos meus concorrentes e, assim, encantar e fidelizar o cliente.
As
características que o ajudaram a chegar tão longe:
Simplicidade, empatia, tratar as pessoas com transparência
e fazer as coisas certas. Uso sempre a velha
máxima: "é dando que se recebe". Numa mão aberta,
as coisas saem tanto quanto entram. Numa mão fechada, nem
entra, nem sai. Trato as pessoas com
respeito e carinho. Um gesto negativo é como
uma gota de veneno num balde com água: contamina tudo! Temos
sempre de buscar algo positivo.
63
- LAÉRCIO
ALBUQUERQUE
Fomos
eu e meu irmão mais novo, os mais velhos também ajudavam.
Meu pai tinha um bar. Vendia pão e leite de manhã e pinga
à noite. Consegui depois um emprego de pegador de bolinha
de tênis. Esses trabalhos nunca foram para ajudar meus pais
em si. Eles nunca deixaram faltar nada, nem roupa, nem comida.
Queríamos ajudar uns aos outros. Eu e meus irmãos, somos quatro
irmãos, quantas vezes ajudamos nossos pais no balcão. Virei
office-boy em um banco e conseguia pagar o meu colégio. Um
dia arrumei um estágio, chamei meu pai e minha mãe para contar
que tinha arrumado um estágio na Duratex, uma empresa conceituada,
com carteira assinada, e iria trabalhar na minha área. Ao
longo da jornada eu nunca imaginei chegar onde estou. Dica
número um: faça sempre
muito bem feito aquilo para o que foi contratado
para fazer. Seja o melhor. Faça a mais, e eu tenho certeza
de que alguém vai olhar em algum momento e vai te trazer para
outra posição. Eu passava madrugadas numa fábrica e, quando
acabava meu trabalho. Um dia alguém olhou e me chamou para
outro lugar. Dica número dois é a escada
do sucesso: não fique pensando só no último degrau. Se tiver
o pé firme
em cada degrau da sua vida, vai chegar muito mais sólido ao
final dessa escada. Terceira
dica: 'quem aconselha a si mesmo tem um idiota
como conselheiro'. Você não é o dono da verdade, não é o cara
que sabe tudo e que não precisa de ninguém. Busque
conselhos, eu sempre busquei com os mais velhos
e mais experientes. Para toda decisão que vou tomando na minha
vida, busco conselhos com gente da área, gente de fora da
área.
Acredito
que, ao dar oportunidade aos talentos espalhados no mundo
inteiro, como eu tive, eles abraçam essa oportunidade como
se fosse a única coisa da vida. E foi o que eu fiz. Adoraria,
e essa é uma bandeira que carrego dentro do meu coração, poder
fazer algo pela sociedade brasileira, de poder fazer algo
para levar a inclusão social e poder tocar o ser humano e
o cidadão brasileiro para ser um cidadão com uma qualidade
de vida e com uma esperança muito maior no nosso futuro. Esse
é o meu próximo passo, o desejo do coração pensando no amanhã.
64
- ADAMS ÓBVIO
(Robert R. Updegraff)
Um homem solitário
sentou-se à mesa, perto da janela em um restaurante. Ele tinha
acabado de jantar. Dois homens entraram e foram conduzidos
a uma mesa próxima. "Está vendo aquele homem ali?"
disse um deles. "Bem, aquele é o ‘Adams Óbvio’!... "Parece
um homem comum, não é?" comentou o primeiro. "Sim,
só de olhar para ele, você nunca imaginaria que ele é o famoso
‘Adams Óbvio’, da maior agência de publicidade de Nova York.
E, para dizer a verdade, não consigo entender por que ele
é endeusado por todo mundo." disse o outro.
"Já o ouvi falar duas ou três vezes nos encontros da
Associação de Propaganda, mas ele nunca disse nada que nós
já não soubéssemos.
Naquele mesmo instante em que os
dois homens falavam de Adams, ele estava fazendo sucesso em
negócios. Ele pegou o menu, estava desenhando um esboço e
fazia anotações no verso. Para qualquer pessoa que pudesse
observar o trabalho, este poderia parecer insignificante.
Entretanto, Adams parecia muito contente com o resultado.
Balançou a cabeça em sinal de aprovação e guardou o menu no
bolso.
Meia hora mais tarde, o telefone
tocou na biblioteca de uma mansão. "Alô! Sr. Adams! Não
esperava ter notícias suas tão cedo! Onde o senhor está? Em
Chicago!... O senhor tem algum plano? Bem, eu estava sentado,
pensando nele, sozinho, e já mastiguei três charutos, tentando
imaginar o que deveríamos fazer a respeito." Silêncio
na biblioteca da mansão. "Entendi sua ideia. Tem que
funcionar..." É uma ideia ótima e eu acredito que vá
resolver o assunto. Tudo bem, Adams... Boa noite!"
Por um longo minuto, o dono da mansão ficou
em pé, e olhou pensativamente para a lareira. "Agora,
por que diabos nenhum de nós pensou nisso? - comentou
- "Era a coisa mais natural
do mundo a fazer, mas tivemos que trazer um homem
de Nova York para nos mostrar!!"
Mas estamos começando a história
pelo fim. Para conhecer ‘Adams Óbvio’, e para entender o segredo
de seu sucesso, precisamos conhecer o início de sua vida.
É a história de um menino pobre que começou a vida como Oliver
Adams, numa pequena mercearia, e que depois se tornou famoso
no mundo dos negócios como ‘Adams Óbvio’. Ao que parece, Adams
veio de uma família muito pobre. Seus pais eram trabalhadores
dedicados e tinham apenas o curso primário. Quando Oliver
tinha 12 anos, seu pai morreu e ele começou a trabalhar numa
mercearia.
Era um menino comum. Não tinha muita
iniciativa e raramente tinha ideias brilhantes. No entanto,
de algum modo, a loja cresceu solidamente, ano após ano. Qualquer
um que conhecesse o dono da mercearia, diria que ele não era
o responsável pelo crescimento da loja, pois não era do tipo
empreendedor. Bem, as coisas correram normalmente até que
o dono da mercearia ficou doente e morreu. Então a loja foi
vendida e Oliver ficou sem emprego.
Os seis anos seguintes da vida de
Adams correram sem que ninguém ouvisse falar, e ele mesmo
tem muito pouco para contar desse tempo. Quando a mercearia
foi vendida, Adams foi para Nova York, onde trabalhava durante
o dia e à noite frequentava a escola.
Perto do fim do último ano da escola noturna,
o Diretor programou uma série de palestras. A primeira foi
feita por James Oswald, presidente da famosa Oswald Advertising
Agency. Foi um dos mais interessantes e instrutivos conferencistas,
com jeito especial de adequar sua
mensagem às necessidades dos ouvintes - razão pela
qual ele era tão bem-sucedido como homem de propaganda.
Adams ficou extasiado durante toda a palestra.
Era sua primeira visão do grande mundo dos negócios. Teve
a chance de ser apresentado a ele e cumprimentá-lo depois
da palestra.
No caminho de casa, Adams pensou
no que o Sr. Oswald tinha dito sobre o negócio da propaganda.
Enquanto se preparava para deitar, pensou sobre Oswald e concluiu
que se tratava de um grande profissional. Adams, então, decidiu
que gostaria de trabalhar em propaganda.
Na manhã seguinte, quando acordou, dois pensamentos
haviam se tornado um só. Ele gostaria de trabalhar em propaganda
e para James Oswald. A coisa natural a fazer, ao menos para
Oliver Adams, era ir então dizer isso diretamente a ele.
E então, naquela mesma tarde, ele
pediu licença para sair por umas duas horas, para ir à agência.
Chegando lá, a recepcionista comunicou ao Sr. Oswald que Adams
estava lá e queria uma entrevista; porém o grande homem estava
ocupado. Oliver pensou por uns instantes e depois disse: "Diga-lhe
que posso esperar uma hora e dez minutos." A
moça olhou para ele surpresa. As pessoas não tinham
o hábito de mandar esse tipo de recado para o grande chefe.
Mas havia alguma coisa na simples objetividade do rapaz que
fazia a mensagem parecer perfeitamente natural. Um
tanto surpresa consigo mesma, ela repetiu o recado para o
presidente da agência, palavra por palavra. "Ele vai
receber você dentro de dez minutos" disse ela a Adams.
Da entrevista em si, James Oswald se deliciava
em contar: "Porta adentro, entrou o jovem Adams, sério
como um diácono. Não o reconheci como um dos jovens que me
haviam sido apresentados na noite anterior, mas ele logo mencionou
o nosso encontro. Disse então que havia pensado sobre o assunto
e tinha resolvido que queria entrar para a propaganda e que
queria trabalhar para mim e, por isso, estava ali."
"Eu o examinei. Ele era um rapazinho
bastante comum e, me pareceu, um tanto parado e não parecia
muito brilhante. Fiz a ele algumas perguntas para verificar
se ele ao menos era esperto. Adams respondeu a todas com suficiente
rapidez, mas suas respostas não eram especialmente inteligentes."
continua Oswald "Gostei dele, mas achei que lhe faltava
vivacidade, aquele ‘jogo de cintura’ tão importante na propaganda.
Finalmente eu disse, tão gentilmente quanto possível, que
achava que ele não era talhado para ser publicitário, que
sentia muito, mas não poderia lhe dar um emprego. Eu lhe dei
alguns conselhos paternais. Foram realmente palavras escolhidas,
firmes, mas gentis. Ele recebeu a coisa com classe. Mas ao
invés de implorar por uma chance, agradeceu e, ao se levantar
para sair, disse ‘Bem, Sr. Oswald, decidi que quero trabalhar
em propaganda e com o senhor. Pensei que o óbvio era vir aqui
e dizer isso ao senhor, mas já que o senhor parece não acreditar
que eu possa vir a me tornar um bom publicitário, acho que
vou ter que arranjar um meio de provar o contrário. Não sei
ainda como vou fazer isso, mas vou procurá-lo outra vez assim
que souber. Obrigado pelo seu tempo. Até logo!...’ e saiu
antes que eu pudesse responder.
Bem, eu fiquei meio constrangido!
Todo o meu pequeno discurso havia evaporado no ar. Ele nem
considerou meu veredito. Pensei uns cinco minutos sobre o
assunto. Fiquei um tanto irritado por ter sido menosprezado
por um garoto, ainda que ele o tivesse feito de modo delicado.
Durante o resto da noite me senti mal com aquilo."
"Naquela noite," continua Oswald
"a caminho de casa, voltei a pensar no assunto. Uma frase
tinha ficado gravada na minha memória: ‘Quero entrar para
a propaganda e desejo trabalhar para o senhor, e achei que
a coisa certa a fazer seria vir lhe dizer isso.’ De repente
percebi tudo!... Quantos de nós têm sensibilidade bastante
para identificar e fazer o óbvio? E quantos têm a persistência
para defender a própria concepção do que seja óbvio? Quanto
mais eu pensava no assunto, mais convencido ficava de que
deveria haver um lugar em nossa agência para um moço capaz
de ver e fazer o óbvio. Alguém que fosse direto ao ponto,
sem perder tempo nem fazer estardalhaço. E, por Deus, no dia
seguinte mandei chamar o rapaz e lhe dei um lugar no arquivo
de jornais."
Antes que Adams completasse um mês de trabalho,
ele foi falar com o chefe e sugeriu uma mudança no método
de trabalho. O chefe o ouviu e então perguntou qual seria
a vantagem dessa mudança. Adams lhe disse que haveria uma
redução considerável no tempo e no manuseio dos jornais e
ficaria quase impossível cometer erros. A mudança era simples
e Adams recebeu autorização para aplicá-la. Depois que o novo
plano já estava funcionando, ele foi novamente até o chefe
e disse que tudo vinha funcionando tão bem, que qualquer moça
ganhando um terço do salário dele poderia assumir o lugar.
Será que não haveria um cargo melhor para ele? Adams disse
ao chefe que havia observado que os redatores estavam precisando
trabalhar à noite. E acrescentou: "Fico imaginando; se
eles continuarem sobrecarregados assim, se não valeria a pena
treinar um novo redator desde já." O chefe sorriu e lhe
disse para voltar aos seus afazeres. Adams voltou ao seu trabalho,
mas também começou a escrever textos nas horas vagas.
A correria da redação era por causa
de uma grande campanha para a Associação de Enlatadores de
Pêssegos da Califórnia. Adams
se dedicou a estudar pêssegos. Pensou, sonhou e comeu pêssegos:
frescos; enlatados; e em conserva. Mandou buscar folhetos
editados pelo Governo. Passou as noites estudando processos
de enlatamento. Um dia, ele
estava sentado à mesa de trabalho, dando uns toques finais
num texto, que logo pôs de lado. O chefe da redação entrou
para pedir um número antigo de jornal. Adams foi pegar o jornal,
deixando o texto do anúncio em cima da mesa. O chefe da redação,
enquanto esperava, bateu os olhos no papel. "Seis Minutos
do Pomar à Lata", esse era o título. Aí havia layouts
com fotos ilustrando as operações necessárias para enlatar
pêssegos. Cada uma delas com um pequeno subtítulo e uma rápida
descrição do processo: "PÊSSEGOS AMADURECIDOS NO SOL
DA CALIFÓRNIA" Colhidos maduros das árvores. Selecionados
por moças com uniformes brancos. Descascados e enlatados higienicamente.
Cozidos a vapor limpo. Latas fechadas a vácuo. Enviados à
mercearia para você — por apenas 30 centavos a lata.
O chefe da redação leu e releu o anúncio.
Quando Adams voltou, o chefe da redação tinha sumido. O anúncio
também. Na sala da frente, ele estava conversando com o presidente
e ambos estavam olhando o layout do anúncio sobre a mesa.
"Eu garanto, Sr. Oswald: aquele rapaz tem os ingredientes
certos para ser redator. Ele não é brilhante (e só Deus sabe
como estamos cercados de homens brilhantes), mas parece que
ele consegue ver os pontos essenciais e os coloca no papel
com muita clareza. Para dizer a verdade, ele fez um texto
que nós lá em cima estamos tentando escrever há uma semana
e não conseguimos fazer em menos de três páginas. Gostaria
que o senhor me cedesse esse rapaz por uns tempos." "Lógico,
vou fazer isso." concordou o Sr. Oswald.
O texto do anúncio de pêssegos enlatados
teve que ser trabalhado um pouco. Deram outros temas a Adams
para escrever. Suas primeiras tentativas foram bem cruas.
Depois de algumas semanas, o redator chefe quase chegou à
conclusão de que, afinal, errara sobre o rapaz. Aí, um dia,
a agência ganhou uma nova conta. O produto era um bolo pronto,
vendido através de mercearias. A empresa tinha uma distribuição
limitada: Queria crescer depressa.
Antes que algum pedido chegasse à criação,
alguns redatores ouviram falar e Adams ouviu os comentários.
Naquele dia ele passou a hora do almoço inspecionando as mercearias
que vendiam o bolo. Comprou um para experimentar, comeu um
bom pedaço e gostou muito! Naquela noite, em casa, ele passou
o tempo todo pensando no bolo. Adams tinha decidido que, se
tivesse a chance de fazer um anúncio do bolo, teria que ser
um anúncio muito bom.
Para a decepção de Adams, o pedido foi entregue
a um dos redatores mais antigos. Ele pensou no assunto a manhã
inteira. Por volta do meio-dia, tinha chegado à conclusão
de que havia sido um tolo em imaginar que eles confiariam
a um principiante como ele uma campanha dessa importância.
Mas resolveu continuar trabalhando nas horas vagas como se
aquele trabalho fosse seu.
Três semanas mais tarde, a campanha ficou
pronta. Quando viu as provas, o coração de Adams quase parou.
Que texto!... Era de dar água na boca! Preston era famoso
pelos textos de alimentos, mas tinha se superado no trabalho
desse bolo. Adams ficou completamente desencorajado. Nunca
seria capaz de escrever um texto como aquele. Era pura literatura.
Fazia com que um simples bolo de 15 centavos se transformasse
em algo semelhante a um néctar dos deuses. A campanha foi
programada para seis meses e Adams a acompanhou atentamente.
Mentalmente já havia resolvido que iria fazer um treinamento
com aquele redator.
Quatro meses mais tarde, apesar dos textos
maravilhosos estarem saindo nos grandes jornais e nos jornais
do bairro, chegavam sinais de insatisfação por parte do cliente.
Eles gostavam dos anúncios, concordavam que eram os melhores
anúncios de bolo jamais feitos; os negócios estavam até crescendo
um pouco. Mas as vendas não atingiam as metas pré-estabelecidas.
No fim do mês seguinte, o cliente estava ainda mais desapontado
que nunca. Finalmente, depois de seis meses, o cliente anunciou
que iria suspender a propaganda: afinal, não era tão rentável
quanto haviam imaginado!...
Adams se sentiu profundamente desapontado.
Era como se ele fosse o Sr. Oswald em pessoa. Ele se interessara
muito pela fabricação de bolos. Na noite em que ouviu a notícia
de que a Golden Brown Cake iria parar de anunciar, foi para
casa arrasado.
Passou a noite pensando na Golden Brown
Cake Company. Depois de algum tempo, foi até uma gaveta
e pegou um envelopão com os anúncios de bolo que tinha escrito
meses antes. Releu-os. Pareciam muito amadores, se comparados
com os textos de Preston. Aí ele olhou para alguns cartazes
que tinha feito para sua campanha imaginária. Pegou uma cartolina
onde tinha feito alguns desenhos e começou a colori-los. Sentou-se
e olhou para essas peças. Pensou, pensou, pensou. Daí começou
a revisar o seu trabalho de meses antes, editando e fazendo
emendas, modificando aqui e ali. À medida que trabalhava,
suas ideias se desenvolviam. Eram quase três da manhã, quando
ele finalmente apagou a luz e foi dormir. No dia seguinte
foi para o escritório com uma ideia sobre o que deveria fazer.
Às 10:00 ele ligou para a diretoria
e perguntou se podia ver o Sr. Oswald. Disseram-lhe que sim.
Às 11:00 o Sr. Oswald tirou os olhos do último anúncio que
Adams tinha escrito e disse: "Adams, acho que você conseguiu!...
Fizemos ótimos anúncios de bolos, mas passamos por cima de
algumas coisas importantes que você colocou nos seus. Fizemos
muita propaganda e pouca venda. Acho que, com esse seu plano,
posso trazer aquela gente de volta."
Adams foi chamado à sala do presidente, às
3:00 da tarde. "Sr. Adams" disse o Sr. Oswald enquanto
se sentava "a Golden Brown Cake Company está
de volta conosco, e está pra valer. Eles dizem que o plano
parece ótimo. E assim estamos partindo para uma nova campanha.
Agora quero que leve todo esse material ao Sr. Howland para
que ele possa lhe ajudar a finalizá-lo. Eu falei com ele a
respeito e ele ficou tão feliz quanto você."
Adams estava nas nuvens quando saiu da sala
do presidente. Mas depois de conversar com o chefe da redação
mais de uma hora voltou a pôr os pés no chão: compreendeu
que ainda havia muito a ser feito, antes que os anúncios ficassem
prontos para veiculação. Entretanto, suas sugestões principais
iam ser seguidas:
• Todos concordaram com ele que o bolo tinha que ser experimentado.
• Os cartazes do bolo seriam em grande close-up e
em cores.
• Era ótima a ideia de fornecer diariamente às mercearias
fatias de amostra do bolo fresco, embrulhadas em papel manteiga
para os fregueses experimentarem.
• Abandonar a antiga embalagem verde em troca de uma bege,
na cor do bolo com o texto em marrom escuro. Daria um destaque
melhor e apelaria mais aos olhos e ao apetite dos possíveis
compradores.
Algumas dessas coisas Adams tinha aprendido
antes, na pequena mercearia da Nova Inglaterra, onde tinha
trabalhado. Todas essas ideias pareciam as mais naturais do
mundo. Também acharam o Sr. Oswald e o Sr. Howland, logo que
souberam do plano. E todo o resto da equipe também o aprovou.
Todos ficaram pensando por que não
tinham pensado antes nessas coisas.
Antes de terminar a primeira semana da campanha
da degustação, as vendas cresceram substancialmente. No fim
do mês, a Golden Cake Company anunciou um acréscimo
de quase 30% nas vendas, no que era habitualmente um dos meses
mais expressivos do ano. E aquele começo foi o marco de uma
das mais bem-sucedidas campanhas que a agência de Oswald fez.
Sim, o texto era simples - quase simplório
até. Mas tinha aquele cheiro de bolo que acabou de sair do
forno. Falava de cozinha, limpa e arejada, na qual os bolos
Golden Brown eram assados. Na
verdade, dizia tudo de maneira tão simples, que é bem provável
que tivesse sido rejeitada, caso a primeira campanha não tivesse
falhado.
Alguns meses mais tarde, houve uma reunião
muito importante, na sala da diretoria da agência. Os executivos
da Monarch Hat Company estavam fechados com o presidente
da agência e o redator chefe. A Monarch Hat Company
tinha duas lojas de varejo numa grande cidade do Sul. Uma
delas dava lucro, enquanto a outra ficava sempre para trás.
Eles não queriam abandonar nenhuma das lojas, porque a cidade
era grande e podia muito bem absorvê-las. Mas a companhia
não podia se dar ao luxo de continuar perdendo dinheiro. Já
tinha investido milhares de dólares numa campanha de propaganda
- que fez melhorar a loja que já ia bem - mas não conseguia
fazer sair do vermelho a loja perdedora. Alguma coisa tinha
que ser feita, e depressa. A reunião se estendeu até a hora
do almoço, sem solução. Todos os planos sugeridos ou já tinham
sido testados ou eram impraticáveis. "Bem, senhores"
disse Oswald, finalmente "passamos três horas falando
o que devemos fazer. No entanto, minha primeira preocupação
é tentar saber o que está acontecendo realmente.
Concordam em me dar duas semanas para descobrir isso? Depois
marcamos outra reunião." "Qual é a sua ideia?"
perguntou o chefe da redação, depois que todos já tinham ido
embora. "Eu vou correr o risco, Howland." disse
Oswald, olhando para ele bem sério "Se eu tivesse tempo
sobrando eu mesmo iria investigar, mas não posso. O pessoal
da Monarch não deve jamais saber disso, mas vou mandar um
rapaz até lá e ver se descobre o que está realmente ocorrendo."
"Você está querendo dizer..." perguntou Howland.
"Sim, vamos mandar o jovem Adams." confirmou Oswald
"Eu tenho uma leve desconfiança de que há algo obviamente
errado naquela situação. Se houver, vou apostar que aquele
jovem, simples e rotineiro, vai saber detectar."
Quando o jovem Adams chegou Oswald
disse a ele "Adams, a Monarch Hat Company tem
duas lojas. Umas delas dá lucro, a outra não. Gostaria que
você fosse até lá para tentar saber (sem perguntas, é claro)
qual das lojas dá prejuízo."
Adams foi lá. Vinte minutos mais tarde, já
tinha achado uma das lojas, localizada na esquina de duas
ruas importantes, com entrada imponente e vitrines viradas
para as duas ruas. A outra loja, Adams a encontrou 45 minutos
mais tarde, na principal rua do comércio varejista. Era também
localizada numa esquina. Mas ele ficou surpreso ao perceber
que já havia passado por essa loja umas três vezes antes de
localizá-la. Ele parou do outro lado da rua e ficou observando.
A loja tinha uma frente pequena, na Market Street, e uma enorme
vitrine que dava para uma pequena travessa lateral. Adams
ficou pensativo; a dificuldade de localizar a loja chamou
sua atenção. Se eles investissem maciçamente em propaganda,
os benefícios iriam para a outra loja por causa de sua localização
privilegiada. Sim, ele tinha certeza de que estava diante
da loja que dava prejuízo. Ficando ali, observando, começou
a notar que os pedestres subiam mais do que desciam por aquele
lado da rua. À medida que se aproximavam da loja, tinham de
olhar para frente, atentos aos sinais do policial para atravessar
a rua transversal. Quando isso acontecia, ficavam de costas
para a vitrine lateral. Nem mesmo as pessoas que desciam pelo
mesmo lado da rua tinham uma boa visão daquela vitrine, pois
vinham mais perto do meio-fio, com uma pequena multidão entre
eles e a loja. Contou o número de transeuntes em períodos
de cinco minutos; descobriu que o número de pessoas subindo
por aquele lado da rua era quase 50% maior do que o número
das que desciam. Então, ele contou os que passavam do outro
lado e concluiu que o número das pessoas que desciam por aquele
lado era quase 50% maior. Evidentemente, aquela loja estava
pagando por aquela grande vitrine lateral um aluguel maior
do que deveria. As pessoas não viam a loja; era mesmo difícil
localizá-la.
Naquela noite, no hotel, ele pensou, riscou,
fez diagramas. Sua tese parecia correta; ele tinha certeza
sobre ela. No dia seguinte, continuou a estudar a situação
e conseguiu obter do gerente da loja alguns dados de vendas
e preços de aluguel. No fim do dia, pegou o trem para Nova
York.
Alguns meses depois, assim que o contrato
de locação expirou, a loja mudou de endereço. Adams tinha
resolvido o dilema. Era realmente
muito simples quando se conhecia a resposta. "Esta
é a obviedade de Adams na qual apostei." - falou Oswald
para o chefe da redação - "Ele
não se deixa desviar dos fatos. Ele os olha objetivamente,
de frente, e aí os analisa. Nada de espetacular
acontecera em caso algum. Era a simples
análise da situação e o elementar bom senso para fazer um
planejamento adequado."
Uma vez chegou uma carta de um fabricante
de papel bond. A carta dizia que eles estavam interessados
em anunciar e indagava se Oswald podia mandar um homem até
a fábrica, para discutir o assunto com eles. E aconteceu que
Adams estava na sala do presidente, no momento em que ele
leu a carta. "Você gostaria de conversar com essa gente,
Adams?" "Então vá. Boa sorte."
Adams foi na manhã seguinte. O presidente
da fábrica lhe perguntou se ele achava que papel bond
podia ser anunciado com sucesso. Adams disse que não podia
responder até ter uma ideia melhor da indústria e do produto.
Ele tinha de levantar os dados. Deram a ele um guia e, nos
dias seguintes, ele praticamente mergulhou em papel.
Chegou à conclusão de que o papel bond
daquela fábrica era feito de fibras brancas selecionadas;
a água usada na fabricação era a mais pura e filtrada; que
era secado em esteiras muito limpas. E, o mais surpreendente
de tudo, o papel era inspecionado folha por folha, a mão.
Esses fatos não eram de conhecimento geral naquele tempo,
e Adams achou tudo muito promissor para a propaganda.
Levou os anúncios no fim da tarde, quando
voltou à fábrica. O presidente olhou-os e resmungou. Sem dúvida,
ele estava zangado. "Jovem, todo papel bond
de qualidade é feito de fibras brancas cuidadosamente selecionadas.
Todo bom papel bond é feito com pura água filtrada.
Todo papel bond é secado em esteiras limpas. Todos
os bons papéis bond são inspecionados a mão. Eu não
precisava de um homem de propaganda de Nova York para vir
aqui me dizer isso. Todos sabem essas coisas sobre papel bond."
"É mesmo?" perguntou Adams "Eu nunca soube
disso! Nossa agência compra anualmente muitos milhares de
dólares em papel bond. Entretanto, me arrisco a dizer
que não deve haver ninguém lá que saiba alguma coisa sobre
fabricação de papel, salvo o fato de que os de boa qualidade
são feitos de fibras. Como vê, Sr. Merritt, nós não fabricamos
papel e ninguém nos contou esses fatos antes. Sei que esses
anúncios não são geniais; são apenas informativos. Mas eu
sinceramente acredito que mencionar esses pontos como qualidade
do seu produto, mês após mês, fará com que as pessoas em pouco
tempo concluam que o seu papel bond está acima da
concorrência. O senhor estaria dois ou três anos à frente
dos seus concorrentes. E, no momento em que eles começassem
a anunciar o produto deles, o nome do seu produto já estaria
gravado na memória do público. Seria quase sinônimo do melhor
papel bond fabricado." O Sr. Merritt estava
evidentemente impressionado pela lógica de Adams, mas hesitava
ainda. "Mas nós seríamos motivo de piada para os outros
fabricantes de papel do país." disse ele a Adams "Vão
rir quando nos ouvirem falar desse jeito sobre o nosso papel,
como se todos os outros papéis não fossem fabricados com a
mesma técnica." Adams inclinou-se um pouco, olhou bem
dentro dos olhos do Sr. Merritt e disse: "Sr. Merritt,
para quem exatamente o senhor deseja anunciar? Para
fabricantes de papel, ou para compradores de papel?"
"Compreendo seu ponto de vista." disse o presidente
"Você está certo. Começo a perceber que a propaganda
não é algo mágico e sim o mais puro e elementar bom senso."
Adams voltou a Nova York com um contrato para
uma campanha de um ano. A campanha foi um sucesso na saída.
No entanto, ao ser analisada, via-se que Adams não tinha feito
nada além do óbvio.
Os anúncios dos Chapéus Monarch, por exemplo,
sempre eram ilustrados com homens de corpo inteiro, fazendo
com que os chapéus parecessem pequenos e insignificantes.
"Vamos mostrar o chapéu, e não o homem!" - disse
Adams um dia, quando olhava uma foto no Departamento de Arte
- "Se os homens pudessem ver essa foto nesse tamanho,
eles comprariam o chapéu. Mas na redução da foto a gente perde
muito!" Em seguida pegou uma tesoura e começou a recortar
aquela magnífica foto, de todos os lados, até que restou somente
um chapéu, um rosto sorridente e só um detalhe do colarinho
e da gravata. "Bem," disse Adams, colocando o recorte
sobre uma página da revista, quase ocupando todo o espaço
"publique isso e ponha o texto no canto esquerdo."
Hoje em dia é muito comum encontrar, nas páginas das revistas,
rostos quase do tamanho natural, sorrindo para você.
Adams descobriu também que os anúncios não
tinham que berrar suas mensagens em tipos garrafais. Provou
que as pessoas leem anúncios de quatro páginas, com muito
texto, desde que o layout conduza facilmente à leitura
e que o texto seja tão interessante e dramático quanto uma
história.
Você pode ficar surpreso ao saber que Adams
não era um tipo de homem particularmente interessante de se
conhecer. Não tinha nenhuma
das características normalmente atribuídas aos gênios; e não
era temperamental. Desde o começo, trabalhou em campanhas
difíceis, aconselhando aqui, orientando ali, retirando-se
algumas vezes, cometendo erros ocasionais, mas sem nunca repeti-los.
Com sua habilidade em merchandising,
salvou inúmeras empresas do naufrágio, e as colocou de volta
a navegar em águas calmas com os ventos soprando a favor.
Ajudou empresas de fundo de quintal a se transformar em grandes
indústrias. Modificou os hábitos do povo americano na refeição
matinal. Transformou marcas de produtos em substantivos comuns
nos dicionários.
Certa vez perguntei a Adams como foi que ele
ganhou o apelido ‘Adams Óbvio’. "Não nasci ‘Óbvio’. Foi
o Sr. Oswald quem me rotulou assim. Naquela época eu nem parava
para pensar se uma coisa era óbvia ou não. Só
fazia o que me ocorria naturalmente, depois de ter refletido
muito. Não tenho mérito pessoal
algum nisso. Simplesmente aconteceu."
"Por que mais homens de negócios
não fazem o óbvio?" eu insisti "O pessoal da sua
agência conta que frequentemente passam horas imaginando o
que você vai sugerir, depois deles próprios tentarem concluir
o que é óbvio. E, mesmo assim, você os surpreende sempre."
"Bem, depois que me colocaram esse apelido, eu tenho
pensado muito na questão e cheguei à conclusão de que
fazer o óbvio exige muita análise.
Para analisar é preciso pensar e acho
que o Professor Zueblin está certo quando diz que pensar é
o trabalho mais árduo que as pessoas têm de fazer. E elas
não gostam de pensar nem um pouco a mais do que o necessário."
As pessoas procuram sempre o caminho mais fácil,
através de atalhos ou truques, que chamam de coisa óbvia a
fazer. Mas rotular essas saídas de óbvio não quer dizer que
realmente sejam. Elas não levantam
todos os dados, nem os analisam antes de decidir o que seja
o óbvio. E assim passam por cima do primeiro e do
mais óbvio mandamento dos negócios. Quase sempre esta é a
principal diferença o pequeno e o grande e bem-sucedido empresário.
Muitos pequenos negócios sofrem de um agudo caso de miopia
empresarial, que seria curável se seguissem o caminho óbvio
de chamar um especialista para corrigir sua visão e dar-lhes
uma verdadeira análise da empresa e de seus métodos. A mesma
coisa se pode dizer de um bom número de grandes empresas.
"Algum dia" - continuou
Adams - "muitos homens de negócios vão acordar e perceber
o poder e a sensatez do óbvio. Alguns já perceberam. Theodore
Vail, por exemplo, se preocupou com a ociosidade do telégrafo,
que ficava parado diariamente, durante oito horas, e inventou
a night letter, para aumentar o movimento durante
as horas ociosas. O que poderia ser mais óbvio?"
"Observe os homens que estão
ganhando salários de mais de 100 mil dólares por ano. Eles
são evidentemente os fazedores do óbvio."
Cinco maneiras de testar o óbvio:
Em todas as atividades o óbvio sempre
funciona. Nos negócios, ele é seguro e lucrativo. Então fiz
uma segunda descoberta: somos inclinados a exagerar na busca
do óbvio. Tentamos encontrá-lo através do raciocínio lógico.
O pensamento lógico é um dos processos mentais mais cheios
de armadilhas. O que elegemos como solução óbvia ou o caminho
a seguir muitas vezes não é, de forma alguma, o óbvio, mas
uma mera racionalização.
I - A primeira maneira de testar
o óbvio eu copiei do Sr. Kettering, da General Motors,
que colocou uma placa no Edifício da GM: "Este
problema, depois de resolvido, será simples."
O óbvio, quase sempre, é simples — tão simples que, muitas
vezes, uma geração inteira de homens e mulheres olha para
ele sem vê-lo. Quando uma ideia tenta ser esperta, engenhosa
ou complicada, deveríamos desconfiar. Provavelmente não é
óbvia. A história da ciência, das artes e dos grandes avanços
no mundo dos negócios está repleta de referências sobre homens
que têm encontrado, por acaso, soluções fáceis para problemas
complexos. Parafraseando o próprio Sr. Kettering: "A
solução, quando encontrada, será óbvia".
II - A segunda maneira de testar
o óbvio: é fazer a si mesmo a pergunta: "Esta
solução é compatível com a natureza humana?".
Se você não tiver absoluta certeza de que a sua ideia ou plano
vão ser facilmente compreendidos e aceitos - por seus vizinhos,
seus irmãos, sua mãe, sua mulher, seus primos, sua tia, sua
secretária, seu companheiro que pega o metrô ou o ônibus com
você todo dia, o colega que trabalha na mesa ao lado, o mecânico
que conserta seu carro, o sacerdote da sua paróquia, o barbeiro,
o gerente da mercearia onde você faz compras, o garoto que
engraxa seus sapatos, ou os seus amigos mais sinceros - e
se você não se sentir muito à vontade ao explicar a eles a
sua ideia, então essa ideia provavelmente não é óbvia. Essa
gente vai ver sua ideia na sua realidade mais simples, livres
das complicações de envolvimento profissional e técnico, e
livre das inibições nascidas da experiência. Coletivamente,
essas pessoas são uma amostra da natureza humana e essa mesma
natureza constrói ou destrói qualquer plano ou a solução de
qualquer problema. É o que rege a vida, os negócios, as ciências
e as artes. Quer se trate de vender mercadorias para pessoas,
ou conseguir adesões para uma causa, ou convencer as pessoas
a agir de certa maneira, ou persuadi-las a mudar hábitos antigos,
de nada adiantará, se a sua maneira de fazer isso não estiver
de acordo com a natureza humana. Você vai perder tempo, dinheiro
e energia tentando atingir os seus objetivos. O público é
curiosamente óbvio em reações — porque a mentalidade do público
é simples, direta e sem sofisticações.
III - Coloque
a ideia no papel. Escreva seu plano ou projeto
em palavras de uma ou duas sílabas, como se você o estivesse
explicando a uma criança. Será que você consegue isso em dois
ou três parágrafos curtos, que façam sentido? Se, entretanto,
a explicação for longa, envolvente, engenhosa, é bem provável
que não seja óbvia. Porque, repetindo: "Quando
você encontrar a resposta, ela será simples."
Nenhuma ideia,
plano, programa ou projeto é óbvio, a menos que possa ser
compreendido e executado por qualquer pessoa de inteligência
média. Frequentemente, a simples tentativa de colocar
no papel uma ideia ou o rascunho de um plano mostrará logo
suas fraquezas ou complexidades. Ao fazer isso, você verá
o que está errado e poderá chegar a uma conclusão simples
e óbvia. Certamente, escrever é uma maneira rápida de verificar
o que você tem ou não tem.
IV - O óbvio
"explode" na cabeça das pessoas? Se, quando
você tiver apresentado sua ideia, delineado uma solução para
o problema, ou explicado um plano, projeto ou programa, as
pessoas disserem "Puxa! Por que não pensamos nisso antes?"
você pode sentir-se encorajado, pois as ideias óbvias tendem
a produzir na mente esse tipo de reação "explosiva".
Em muitos casos, desse momento em diante, tudo parece estar
nos eixos, sem maiores explicações ou discussões. É óbvio
demais e não necessita de considerações prolongadas. Mesmo
com esse tipo de reação, entretanto, é aconselhável deixar
a decisão para dentro de um ou dois dias, porque algumas vezes
há defeitos ocultos que só aparecem no dia seguinte. Se uma
ideia ou proposta não "explodir" ou precisar de
explicação longa, ou envolver horas de debates, isso ocorre
porque não é óbvia ou talvez porque você não tenha pensado
o suficiente para reduzi-la à sua mais óbvia simplicidade.
"Explosões" mentais são reveladas pelas coisas que
as pessoas dizem, pelos rostos iluminados, pelos olhos que
aprovam, quando deparam com uma ideia óbvia. É um dos modos
mais infalíveis de reconhecer o óbvio.
V - A quinta maneira de testar o
óbvio: É saber reconhecer o
momento certo. Muitas ideias
e planos são óbvios em si, mas obviamente aplicados fora de
hora. Identificar o momento ideal é tão importante quanto
verificar se o plano ou a ideia são óbvios. Algumas vezes
o momento pode ter passado definitiva e irrevogavelmente.
E aí o mais óbvio a fazer é esquecer a sua ideia. Em outros
casos, o momento certo pode ainda não ter chegado, o que exige
paciência e atenção. O presidente de uma indústria de borracha
me mostrou certa vez um "Armário do Futuro", onde
ele guardava artigos incomuns feitos inteira ou parcialmente
de borracha, mas que estavam adiantados para a época. Esses
artigos tinham sido desenvolvidos nos laboratórios de pesquisas
da empresa, mas ainda eram muito caros para competir com similares
feitos de outros materiais. Assim, eles ficavam "guardados
na prateleira" até que seu preço se tornasse competitivo,
seja através do desenvolvimento de métodos mais econômicos
de produção, ou porque os preços dos concorrentes tivessem
aumentado. Desde então, alguns desses produtos do "armário"
foram lançados no mercado com sucesso e são hoje de uso comum.
Depois do primeiro teste - o da simplicidade - o teste do
momento exato é muito importante na verificação da obviedade
de um plano ou programa. "Umas das virtudes principais"
escreveu Emerson em seu diário, "é
reconhecer o momento oportuno. Meu vizinho constrói
carrocerias, faz trenós durante todo o verão. E durante todo
o inverno faz leves e alegres charretes para junho e agosto.
Assim, no primeiro dia de cada estação, ele está preparado..."
Estar pronto para o momento
oportuno é o requisito óbvio.
Normalmente
não é necessário aplicar todos esses cinco ‘Testes de Obviedade’
a determinada ideia, plano, projeto ou programa. Mas antes
de ignorá-los, é sábio pensar neles todos até estar bem certo
de que não se aplicam ao seu caso específico. É sábio porque
é óbvio proceder assim. É óbvio porque é sábio reconhecer
nossa tendência de convencer-nos facilmente de que nossas
ideias são boas. Mesmo quando estivermos convencidos de que
temos uma ideia óbvia, nosso problema não estará inteiramente
resolvido. A menos que seja uma ideia que vá de encontro ao
quarto teste (Será que a ideia ‘explode’ na mente das pessoas?).
Ainda assim, teremos que vendê-la. E a venda pode ser mais
difícil, só pelo fato de ser uma ideia completamente óbvia
para nós. Somos impacientes com outras pessoas se não ‘compram’
nossas ideias logo ‘de cara’. Às vezes, dedicamos dias, semanas
ou meses desenvolvendo uma ideia, ficamos tão familiarizados
com seus prós e contras, que esperamos que as pessoas a aceite
imediatamente - só porque somos nós que a estamos propondo.
Isso quase nunca acontece. As
pessoas têm que ter tempo para pensar e digerir mentalmente
a sua ideia. É um direito que ela tem.
Cabe a nós explicar nossas ideias com
simplicidade e clareza. E deixar que as pessoas
perguntem o que quiserem. A
sabedoria é tentar encorajá-las a nos desafiar com críticas.
Se for óbvia, a ideia vai sobreviver a perguntas e críticas.
Se não for, ela corre riscos. Será melhor que nós mesmos a
analisemos novamente.
Estes cinco ‘testes de obviedade’ são apenas sugestões. Cada
executivo deveria desenvolver seus próprios testes. O problema
é ter a certeza de que não estamos sendo levados pelo nosso
próprio entusiasmo ou por uma ideia ou plano, na fácil suposição
de que essa ideia ou esse plano seja óbvio. Fazer o óbvio
não é tão simples quanto parece!...
Onde e como vamos descobrir o óbvio? Aqui
estão algumas ‘perguntas-teste’ que devem, pelo menos, conduzir
a imaginação através dos caminhos do óbvio:
I - Não se impressione
como a coisa sempre tenha sido feita ou como outras pessoas
gostariam de fazê-la. O importante é saber: Qual a maneira
mais simples de fazê-la? Esqueça
todas as ideias, práticas, métodos, técnicas e tradições já
usadas. Se uma criança de sete anos desarmada de
preconceitos de gerações estivesse, pela primeira vez, analisando
o problema, como será que ela o faria? A experiência da vida
é valiosa - mas pode intimidar, dificultar, complicar e afastar-nos
do óbvio. É preciso pensar de forma
simples, nova, original e corajosa para simplificar qualquer
coisa. E não se esqueça: "Esse problema, quando
for resolvido, será simples". Existe uma maneira perfeita
e mecânica de simplificar um plano ou projeto ou de analisar
uma ideia, para testar sua simplicidade: registre
cada item num papel. À medida que você for escrevendo
cada item, aplique a ‘pergunta-teste’: "Será
que este item é absolutamente necessário?".
É muito comum a gente descobrir, sem querer, que começou no
ponto onde os outros pararam. Assim você está aceitando a
somatória de ideia de outras pessoas. Considerando que a maioria
das ideias se desenvolveu por acréscimo - como uma bola de
neve - o jeito óbvio de simplificar uma ideia é começar novamente.
A técnica óbvia é eliminar todas
as partes ou características supérfluas. Vá ao núcleo
do problema. Pergunte a si mesmo: "O que eu estou tentando
fazer? E por quê?". Um dos nossos maiores problemas hoje
em dia, é termos muitos métodos e práticas, muita maquinaria
complicada, muitas ferramentas, muitos costumes e tradições
profundamente arraigados. Pensamos e planejamos nossas bases,
construindo por cima de uma fundação enrijecida de experiências
e hábitos acumulados através dos anos. Ao invés disso, deveríamos
começar do zero como se, a cada manhã, acordássemos num mundo
novo, onde nenhum dos problemas da vida e dos negócios, jamais
tivesse sido resolvido. Esse é o primeiro - e o mais óbvio
- caminho para ser óbvio.
II - Imagine como seria se tudo pudesse
ser completamente invertido. Nada abre mais a mente para um
caminho novo do que fazer esta corajosa consideração. O
fato de uma coisa ter sido feita ou construída de certo jeito
durante vários séculos, significa, provavelmente, que chegou
a hora de questioná-la. Talvez o óbvio seja, realmente,
inverter as coisas de algum modo. A história de como R.J.
Pigott, diretor de engenharia da Gulf Oil desenvolveu um ‘dispositivo
óbvio’ para lubrificar ferramentas de corte é um desses casos.
Pigott estava olhando uma ferramenta produzir rebarbas espirais
de uma peça de aço que girava num torno. Um fio de óleo caía
do alto, enquanto a lâmina estava cortando por baixo. Um pensamento
lhe ocorreu: "Como o óleo pode por cima fazer um bom
trabalho de resfriar e lubrificar a ferramenta na parte de
baixo?". Ele foi para a prancheta e projetou um jato
de alta pressão para dirigir o óleo para cima, exatamente
entre a lâmina da ferramenta e o metal torneado. O novo método
não só permitiu maior velocidade de corte como também aumentou
substancialmente a vida da ferramenta. Pigott chegou a um
método óbvio de lubrificar usando a
técnica de inversão.
III - Será que você conta com a aprovação
e com a participação do público no seu projeto? Nos negócios,
muitas decisões são tomadas dentro dos escritórios e não nos
lugares onde a ação realmente acontece. Uma famosa rede de
supermercados de Chicago decidiu lançar sua própria marca
de café. Os especialistas em café podiam, é claro, recomendar
as misturas e tipos de torrefação. Mas o presidente da empresa
preferiu fazer com que as famílias
de Chicago escolhessem elas próprias a mistura e o ponto de
torrefação que desejassem. Foram preparadas
quatro amostras com misturas e graus de torrefação diferentes,
embaladas em latas de meia libra sem identificação. Essas
latas, cada uma representando uma diferente combinação de
mistura e torrefação, foram distribuídas a milhares de domicílios,
com um questionário para ser respondido, indicando a preferência.
Desse modo, a rede de supermercados lançou o "Royal Jewel
- o café que Chicago escolheu". O sucesso do produto
já estava garantido, pois o próprio público o havia escolhido.
Muito frequentemente, alguns testes simples com um grupo maior
ou menor de pessoas fazem surgir a preferência óbvia ou a
maneira óbvia de fazer, produzir, ou dizer alguma coisa. Sendo
o público quem decide o nosso sucesso ou fracasso em tudo
que tentamos fazer, parece muito óbvio pesquisar nossos planos
juntos ao mercado, antes de irmos longe demais.
IV - Quais oportunidades estão passando
despercebidas porque ninguém se importou de examiná-las? Na
matriz de uma grande companhia de seguros, um homem ganhou
um prêmio de 600 dólares por uma simples ideia depositada
na caixa de sugestões. Seu conselho aos companheiros: "Procure
o óbvio com o qual ainda ninguém se importou". Existem,
literalmente, milhares de ideias óbvias, em todos os negócios
e profissões, que até aqui "ninguém se importou em examinar".
São tão lugar-comum, que ninguém as percebe. No seu livro,
Ray Giles conta a seguinte história que ilustra o fato de
haver grandes oportunidades no óbvio. "Há alguns anos
atrás, o vendedor de uma mercearia estava cortando queijo
— um enorme queijo tipo Americano. Quando você pedia meio
quilo, o homem levantava a tampa do vidro e cortava uma fatia
calculando o peso. Enquanto isso o queijo ficava descoberto,
sujeito ao pó e às moscas. Se tivesse pouca saída, o queijo
esfarelava antes de terminar. A única proteção era uma casca
grossa, pela qual você tinha de pagar, juntamente com o peso
do queijo. Um dia, o vendedor teve uma ideia — uma dessas
bem óbvias que podia ocorrer a qualquer um: Por que não dividir
o queijo em fatias e acondicioná-las em embalagens higiênicas?"
Em quase tudo que usamos em nosso cotidiano existe oportunidade
para aperfeiçoamento - muitas vezes essa oportunidade é tão
óbvia que deveríamos nos envergonhar da nossa cegueira.
Benjamin Franklin se sentia tão incomodado
por ter que usar dois pares de óculos - um para perto e outro
para longe - que desenvolveu as lentes bifocais, uma bênção
para toda a humanidade. Nada poderia ser mais óbvio. Este
caso sugere que a melhor técnica para se descobrir o óbvio
é dar uma olhada bifocal em tudo que usamos, fazemos e de
que precisamos. Examinar de perto para ver se um detalhe pode
ser melhorado. Olhar de longe para ver se não há uma forma
que seja mais simples, mais eficiente e mais econômica.
V - Quais são as necessidades específicas
do caso? Muitas vezes, a própria situação indica alguma oportunidade
de aperfeiçoamento, que ainda não foi considerada. Ou o inventor
da caneta esferográfica que acabou com o tinteiro. A ‘Du Pont’com
suas fibras sintéticas que não amarrotam. Todas essas soluções
eram criativamente óbvias. E também atenderam aos desejos
e necessidades do público muitas vezes não expressos e nem
mesmo percebidos. Entretanto, no momento em que alguém as
transformou em soluções, ficou óbvio que a necessidade já
existia há muito tempo. O mundo está
cheio de necessidades, vontades e desejos não expressos, esperando
pelo homem ou pela mulher que faça o óbvio para resolver problemas
da vida diária. Essas pessoas serão regiamente recompensadas!
Bibliografia:
Como
Venceram os Grandes Homens - Dale Carnegie
Revista Seleções
Revista Encontro
Revista Veja
Internet
P E N
S A M E N T O S
MARK
ZUCKERBERG
65
- Ajudar um bilhão de pessoas a se conectarem é incrível,
modéstia parte é, de longe, a coisa que eu mais me orgulho
na minha vida. Eu estou empenhado em trabalhar todos os dias
para fazer do Facebook melhor para você, e espero que juntos
um dia nós seremos capazes de conectar o resto do mundo também.
66 -
Ao dar às pessoas o poder de partilhar e de ação, estamos
tornando o mundo mais transparente e começando a ver as pessoas
a fazer suas vozes serem ouvidas em uma escala diferente do
que tem sido historicamente possível.
67 - Se eu estivesse começando
hoje, eu faria as coisas de uma maneira muito diferente. Eu
não sabia de nada. No Vale do Silício você sente que precisa
estar aqui, mas aqui não é o único lugar que existe.
68 - Nós temos um ditado: "Mova
rápido e quebre as coisas." A ideia é que se você nunca
quebrar nada, você provavelmente não está se movendo rápido
o suficiente.
69 - Se queremos ter o maior
impacto, a melhor maneira de fazer isso é ter certeza de que
sempre se concentrarmos em resolver os problemas mais importantes,
dará certo.
Não construímos serviços para ganhar dinheiro, nós fazemos
dinheiro para construir melhores serviços.
BILL GATES
70
- Então é justo dizer que o que está acontecendo hoje é como
a chegada da imprensa escrita, do telefone ou do rádio. E
essas ferramentas de comunicação tiveram efeitos penetrantes.
Elas fizeram do mundo um lugar menor. Elas permitiram que
a ciência fosse feita de forma mais eficiente. Eles permitiram
que a política fosse feita de uma nova maneira. Elas tiveram
um impacto modesto na forma como as pessoas eram educadas,
mas as pessoas eram otimistas em achar que podiam fazer uma
grande mudança. Agora, o computador pessoal conectado à Internet
é muito mais poderoso, em muitas formas do que qualquer um
desses.
71 - Sempre acreditei que qualquer
ferramenta que aprimore a comunicação tem efeitos profundos
em como as pessoas podem aprender umas com as outras, e como
elas podem alcançar a liberdade na qual estão interessadas.
O e-mail na Rússia foi fundamental para permitir que as pessoas
se unissem e pensassem. Eles querem voltar ao modelo anterior
de governo? Em cada país, você vê que essas ferramentas têm
feito realmente uma grande e incrível diferença.
72 - Quando comecei a pensar
em filantropia, olhei para trás e estudei o que algumas das
fundações fizeram no decorrer da história, e busquei que tipo
de coisas poderiam realmente fazer diferença, que tipos de
coisas teriam um impacto dramático. E a primeira causa que
me chamou a atenção foi a questão do crescimento
populacional, de assegurar que as famílias tivessem
informação para decidir exatamente quantos filhos queriam
ter, e qual o objetivo se o crescimento da população fosse
menor do que seria sem isso, o efeito seguinte de ter recursos
suficientes para educação, para o meio-ambiente, para cada
elemento de qualidade de vida que se pode imaginar, e que
isso seria fundamentalmente vantajoso.
73 - Estamos vivendo em uma
era fenomenal. Se pudermos passar as primeiras décadas do
século 21 buscando abordagens que atendam às necessidades
dos menos favorecidos, com meios que gerem lucros e reconhecimento
para os negócios, encontraremos um modelo sustentável para
reduzir a pobreza no mundo. A tarefa está em aberto. Ela nunca
terá fim. Mas um esforço apaixonado para responder a este
desafio ajudará a mudar o mundo. Estou animado de fazer parte
disso.
74 - Até que tenhamos educado
cada criança de uma forma fantástica, até que cada centro
decadente tenha sido limpo, não há falta do que fazer.
75 - Se eu tivesse de dizer
o que me faz sentir melhor, é estar envolvido em toda a revolução
do software e no que surgiu disso, porque você pode ir para
todo o mundo e entrar nas escolas e ver os computadores sendo
usados, e entrar nos hospitais e ver que eles estão sendo
usados, e ver como há ferramentas para compartilhar informações
que esperançosamente levam a situações mais pacíficas, e ver
os grandes avanços em pesquisas que surgem disso.
76
- Quando Paul Allen e eu começamos a Microsoft há 30 anos,
tínhamos grandes sonhos sobre software. Sonhávamos com o impacto
que ele teria. Nós falávamos sobre um computador em cada mesa
e em cada casa. Tem sido incrível ver tanto daquele sonho
se tornar realidade e tocar tantas vidas. Nunca imaginei que
uma companhia tão incrível e importante fosse surgir daquelas
ideias originais.
77
- Se você quiser chegar aonde a maioria não chega,
faça o que a maioria não faz.
WARREN BUFFETT
78
- Nunca me interessei por cultura porque interfere com meu
foco nos negócios.
79 - Queremos ganhar dinheiro
somente quando nossos parceiros ganham e em proporções exatamente
iguais. Além disso, quando cometo alguma tolice, quero que
os outros sejam capazes de obter algum consolo no fato de
que meu sofrimento financeiro é proporcional ao deles.
80
- O objetivo da vida é ser amado pelo maior número de pessoas
possível entre aquelas que você deseja que amem você.
81
- Se um gênio aparecesse para você aos 16 anos e lhe oferecesse
um carro da sua escolha, ...mas tem uma coisa: esse é o único
carro que você terá na vida. Eu leria o manual do carro cinco
vezes. E o manteria sempre na garagem. E, se por acaso ele
riscasse só um pouquinho, o consertaria na hora antes que
começasse a enferrujar. Cuidaria daquele carro para fazer
com que durasse a minha vida inteira. É exatamente nessa posição
que vocês estão no que diz respeito à sua mente e ao seu corpo.
82
- Há dois tipos de pessoas na vida: aquelas que se preocupam
com o que os outros pensam delas e aquelas que se preocupam
em ser realmente boas. Qual delas você é? Eu sempre olho para
isto da seguinte maneira. Você gostaria de ser o maior amante
do mundo, mas que todo mundo pensasse que você é o pior? Ou
será que você preferiria ser o pior amante do mundo, mas que
todo mundo pensasse que é o melhor? Essa, sim, é uma pergunta
interessante.
83
- Não permito que problemas do passado atrapalhem minha vida.
A memória deve funcionar como uma banheira. A banheira está
cheia de ideias, experiências e questões que me interessam.
Quando uma informação não serve mais, pronto: puxo o tampão
e ela vai embora pelo ralo. Pensamentos negativos ou que fazem
ficar triste são os primeiros a ir pelo ralo, juntamente com
tudo o mais que possa me distrair do meu objetivo.
84 - Se você tem que ir do primeiro
andar para o 100° de um edifício e aí tem que voltar para
o 98° andar, você vai se sentir pior do que se tivesse ido
do primeiro para o segundo andar. Mas você tem que combater
essa sensação, lembrando que você ainda está no 98° andar.
85 - Comecei minha pequena bola
de neve muito cedo. Se tivesse iniciado 10 anos depois, estaria
numa situação muito diferente, em outro lugar da colina que
ocupo agora. Portanto, recomendo aos estudantes que comecem
o jogo um pouco antes - não precisa ser muito antes, mas é
melhor não começar depois dos outros. E os cartões de crédito,
lembrem-se, realmente atrasam a partida.
86
- Quero dar a meus filhos bastante dinheiro para que possam
fazer o que quiserem, mas não dinheiro o bastante para que
não façam nada.
87
- O mundo não vai lhe dizer quais são os melhores negócios.
Você terá de encontrá-los sozinho.
88 - O risco
vem de você não saber o que está fazendo.
89
- A maioria das pessoas se interessa por ações quando todo
mundo está interessado. O momento de interessar-se é quando
ninguém mais se interessa. Não se ganha dinheiro comprando
o que é popular.
90
- O mercado acionário é feito para transferir dinheiro dos
apressados para os pacientes.
91
- As ações são simples. Basta escolher grandes empresas gerenciadas
por pessoas competentes e íntegras, e comprar suas ações por
um preço inferior ao seu valor intrínseco. Depois, basta manter
essas ações para sempre.
92
- Prefiro uma empresa de US$ 10 milhões que lucra 15% a uma
empresa de US$ 100 milhões que lucra 5%.
93
- Nunca pergunte ao barbeiro se você precisa cortar o cabelo.
94
- Wall Street é o único lugar aonde as pessoas chegam num
Rolls-Royce para ouvir conselhos de pessoas que usam o metrô.
95
- Normalmente, as projeções nos dizem mais sobre quem as elaborou
que sobre o futuro.
96
- Se encontramos uma empresa e gostamos dela, o momento do
mercado não pesa nada em nossa decisão de investimento. Depende
só da empresa. Praticamente não pensamos em fatores macroeconômicos.
Em outras palavras, diante de uma previsão feita pelo mais
famoso intelectual sobre o desemprego ou as taxas de juro,
não prestamos a menor atenção. Ignoramos também as informações
sobre o que vai acontecer no Congresso. Não acreditamos que
essas informações sejam úteis.
97
- Se você não se sentir confortável em ser dono de alguma
coisa por dez anos, então não o seja nem por dez minutos.
98
- Meu sócio e eu pensamos como uma só pessoa em relação às
operações com derivativos, usadas nos mercados futuros e de
opções. Nós as vemos como bombas-relógios, tanto para quem
as usa como para o sistema econômico. Em nossa visão, os derivativos
são armas financeiras de destruição em massa, trazendo perigos
que, embora não sejam latentes, são potencialmente letais.
99
- O gênio dos derivativos está há algum tempo fora da garrafa,
e esses instrumentos vão certamente se multiplicar em variedade
e volume até que aconteça alguma coisa que torne clara sua
natureza tóxica.
100
- Diversificação é uma proteção contra a ignorância e não
faz muito sentido para aqueles que sabem o que estão fazendo.
101
- Somente aqueles que serão vendedores de ações no futuro
próximo deveriam ficar felizes com sua valorização.
102
- A volatilidade dos mercados é a maior aliada do verdadeiro
investidor.
103
- Trinta anos atrás, ninguém poderia ter previsto o imenso
impacto da Guerra do Vietnã, de duas crises do petróleo, da
renúncia de um presidente, da dissolução da União Soviética.
Diferentes choques ocorrerão nos próximos 30 anos. Não tentaremos
prevê-los, nem lucrar com eles.
104
- As ações são o maior mecanismo de transferência de riqueza
dos apressados aos tranquilos.
105
- Para toda bolha existe um alfinete à espreita, e, quando
os dois enfim se encontram, uma nova onda de investidores
aprende algumas lições bem antigas.
106
- Tenha medo quando os outros são gananciosos e seja ganancioso
enquanto os outros estão com medo.
107
- Não precisamos ser mais espertos que os outros; precisamos
ser mais disciplinados do que os outros.
108
- Você deve investir seu dinheiro numa empresa que até um
idiota consiga administrar, porque um dia um idiota o fará.
109
- Se você compra coisas que não precisa, logo terá
que vender coisas das quais precisa.
110
- Nunca conte apenas com um rendimento. Faça investimentos
para criar fontes adicionais de renda.
111
- Não poupe o que restou depois do que você gastou.
Gaste o que sobrou depois que você separou a importância a
ser poupada.
112
- Jamais meça a profundidade de um rio com as duas
pernas.
113
- Honestidade custa caro, não espere encontrá-la em
pessoas mesquinhas.
114
- Os grilhões dos hábitos são leves para serem
sentidos, até que se tornam pesados demais para serem rompidos.
115
- É melhor andar com pessoas melhores do que você.
Escolha parceiros com comportamento melhor do que o seu e
você se inclinará na direção deles.
116
- Impostos para as classes baixa e média, e talvez
até mesmo para a classe média alta deveriam ser bem menores.
Mas eu penso que as pessoas na outra ponta - como eu mesmo
- deveriam estar pagando muito mais impostos. Vivemos no melhor
dos mundos.
117
- Eu não procuro saltar sobre barras de 2 metros de
altura. Eu procuro por barras de 50 centímetros que eu possa
cruzar com um passo.
118
- Entre os bilionários que eu conheci, notei que o
dinheiro apenas realça as suas características básicas. Se
eles eram canalhas antes de terem dinheiro, tornaram-se apenas
canalhas com um bilhão de dólares.
119
- 1 - Anote 25 metas.
2
- Escolha as mais importantes e sublinhe.
3
- Em uma folha, escreva as 5 escolhidas e, em outra, as 20
que restaram.
Esse método só funciona quando todas as metas da segunda lista
são evitadas.
Por quanto tempo? Até que a pessoa cumpra todas as metas da
primeira lista.
120
- Fui muito influenciado pelo livro "Como Fazer Amigos
e Influenciar Pessoas", de Dale Carnegie. O livro faz
uma lista de 30 regras de comportamento. A primeira: "Não
critique, condene ou reclame". Essa ideia funcionou bem
comigo, sempre detestei críticas. Cheguei a participar de
um dos cursos de Carnegie sobre como falar em público. Não
dá para imaginar como eu ficava toda vez que precisava falar
em público. Eu ficava tão apavorado que não conseguia, simplesmente
começava a vomitar. O curso foi um sucesso e desde então faço
palestras, discursos e já fui elogiado por minha oratória.
JOSÉ LÚCIO COSTA
121
- O livro que mais marcou minha vida foi "Como Fazer
Amigos e Influenciar Pessoas", de Dale Carnegie. Eu mesmo
já comprei mais de 100. Costumo presentear minha equipe comercial,
porque não há nada melhor para um vendedor do que aplicar
as dicas apresentadas lá.
STEVE JOBS
122
- Algumas pessoas acham que foco significa dizer sim para
a coisa em que você irá se focar. Mas não é nada disso. Significa
dizer não às centenas de outras boas ideias que existem. Você
precisa selecionar cuidadosamente.
123
- Você não pode simplesmente perguntar ao usuário o que ele
quer e então tentar dar-lhe isso. Quando você conseguir terminar
o produto, o usuário estará querendo outra coisa. As pessoas
não sabem o que querem, até mostrarmos a ela.
124
- Design é função, não forma.
125
- É raro ver um artista com seus 30 ou 40 anos capaz de realmente
contribuir com algo incrível.
126
- Eu acho que a tecnologia fez o mundo ficar mais próximo
e continuará fazendo isso. Existem desvantagens para tudo
e consequências inevitáveis para tudo. A peça mais corrosiva
da tecnologia que eu já vi se chama televisão, mas novamente,
a televisão, no seu melhor, é magnífica.
127
- Não faz sentido olhar para trás e pensar: devia ter feito
isso ou aquilo, devia ter estado lá. Isso não importa. Vamos
inventar o amanhã, e parar de nos preocupar com o passado.
128
- Não penso muito em legado para as próximas gerações. Penso
apenas em acordar de manhã e trabalhar com pessoas brilhantes
para criar coisas que, espero, sejam tão apreciadas por outras
pessoas como são apreciadas por nós.
129
- Se você é um carpinteiro e está fazendo um belo armário
de gavetas, você não vai usar um pedaço de compensado na parte
de trás porque as pessoas não o enxergarão, pois ele estará
virado para a parede. Você sabe que está lá e, então, usará
um pedaço de madeira bonito ali. Para você dormir bem à noite,
a qualidade deve ser levada até o fim.
130
- Se você faz algo de bom e tudo dá certo, acho que
é hora de pensar em outra coisa e tentar adivinhar o que vem
pela frente.
131-
Ser o homem mais rico do cemitério não me interessa. Ir para
a cama à noite dizendo que fizemos algo maravilhoso, isso
importa para mim.
132
- A maioria das pessoas nunca pede. É isso que diferencia
as pessoas que fazem coisas daquelas que apenas sonham. É
necessário agir, é necessário estar disposto a falhar e você
deve reunir disposição para quebrar a cara com as pessoas
ao telefone, com a empresa que está fundando ou qualquer outra
coisa. Se você tem receio de falhar, não irá muito longe.
133
- Nunca encontrei alguém que tenha me negado ajuda ou batido
o telefone na minha cara. Simplesmente pedia ajuda. Agora,
quando as pessoas me pedem ajuda, tento ser atencioso e solícito
para devolver o que recebi.
HENRY FORD
134
- Se o dinheiro for a sua esperança de independência, você
jamais a terá. A única segurança verdadeira consiste numa
reserva de sabedoria, de experiência e de competência.
135 - O dinheiro é a coisa mais
inútil do mundo; não estou interessado nele, mas sim no que
posso fazer pelo mundo com ele. Um idealista é uma pessoa
que ajuda os outros a prosperar.
136 - Quem para de aprender
envelhece, tenha 20 ou 80 anos. Quem continua aprendendo se
mantém jovem.
MASURA IBUKI
137
- A chave do sucesso da Sony e para tudo nos negócios é ...não
seguir os outros.
PETER SHANKMAN
138
- É incrível como todo mundo acha que somos mais inteligentes
depois que ganhamos dinheiro. Dois dias depois de vender minha
empresa, me convidaram para falar numa conferência da qual
havia passado três anos tentando desesperadamente participar.
ELÓI D'ÁVILA DE OLIVEIRA
139
- Só aquele que faz sabe, aquele que não faz vai sempre criticar,
justamente por não ter feito. Faça sempre, se errar comece
novamente!
140
- Hoje eu tenho uma empresa, mas eu digo que as empresas não
existem. Quem existe são as pessoas e são elas que fazem as
empresas. Nada se faz sozinho, nenhuma grande estrela brilha
sozinha.
JORGE PAULO LEMANN
141
- Quando voltei para o Brasil, me juntei a pessoas das melhores
faculdades americanas, e montamos uma financeira. Resultado:
falimos em quatro anos. Aquilo foi um baque colossal. Eu tinha
26 anos, me achava o máximo, e descobri que não era tão esperto
assim. Com 26 anos, eu tinha perdido tudo o que eu tinha,
meu nome estava ruim na praça. Mas eu ainda tinha algumas
ofertas para trabalhar em empresas grandes. Eu não quis. Optei
por correr o risco e ficar no mercado financeiro. Funcionou
bem.
142
- Aprendi que, numa sociedade, ou quando você contrata pessoas,
não se deve ter só gente parecida com você. Qualquer empresa
tem que ter uma boa administração. O goleiro é tão importante
quanto quem está na linha de frente. E aprendi a tratar bem
os goleiros das minhas empresas.
143
- O maior risco é não tomar risco, não dá para ficar sem tomar
risco, senão você não faz nada.
144
- A maioria das pessoas olha a carreira de um empresário,
vê o sucesso, e acha que se chega lá com facilidade. O empresário
aparece se ele foi bem sucedido ou se ele faliu. Mas, o que
está no meio, as dificuldades,
não aparece.
145
- Comecei a jogar tênis com sete anos. Com nove anos perdi
para o meu grande rival na época. Depois, aos 11 anos, perdi
para um boliviano. Isso me preparou para perder. Toda vez
eu analisava porque tinha perdido, e tentava me preparar para
a próxima. Entendi que sem esforço não se tem resultado.
146
- Tem coisas que você não aprende indo para a escola, indo
para um business school, só aprende tendo participado, e tendo
apanhado.
147
- Recomendo que vocês tenham foco. Vocês têm que escolher
em algum momento. Escolham aquilo que vocês são bons e que
vocês gostem, porque aí vocês vão conseguir fazer bem. Todas
as pessoas de sucesso que eu conheci eram fanáticas por foco.
148
- Para as pessoas que me conhecem bem que eu sempre digo:
Ter um sonho grande dá o mesmo
trabalho de ter um sonho pequeno. Então passei
a ter sonhos grandes, sempre pensei em fazer maior e melhor.
CARLOS ALBERTO SICUPIRA
149
- Gaste menos do que seus concorrentes e trabalhe mais que
eles.
150
- Os empreendedores devem ser movidos pelo desafio,
e não pelo dinheiro - o dinheiro será sempre a medida do seu
sucesso.
151
- Procure de alguma forma, fazer o que ainda não foi
feito.
152
- Há uma grande diferença entre apenas empreender e
empreender algo com grande impacto na sociedade.
153
- Foco é essencial, Não dá para ser ótimo em tudo.
Concentre-se no essencial.
154
- Sonhe grande – Quanto maior o sonho, menor o obstáculo.
Quebre esse sonho em partes - curto, médio
e longo prazo – para alcançá-los.
155
- As pessoas valem pelo que sabem fazer, e não pelo
que conhecem.
156
- O maior ativo de uma empresa é a gente boa, trabalhando
em equipe, crescendo na medida de seu talento
e sendo recompensada por isso.
157
- Não importa qual é a tua formação. O que importa
mesmo é a vontade de fazer.
DAVID PORTES
158
- O grande empreendedor é aquele que passa do pensamento
para a ação e faz as coisas acontecerem. O que é pior: Arrepender-se
de algo que fez ou do que não fez?
ROGÉRIO GABRIEL
159
- Não abandone o negócio na primeira dor de barriga, mas não
se apegue a ele se não enxergar viabilidade. Imponha limites
para as perdas e os respeite.
DOUGLAS IVESTER
160
- O que esta associado à marca Coca-Cola? Caminhões,
uniformes dos funcionários, serviços ao consumidor, pontos-de-venda,
publicidade, engarrafadores, celebridades. Enfim, qualquer
coisa que associamos a ela. E tentamos mantê-la, como disse
antes, especial, diferente e melhor. Temos que estar constantemente
seguros de que estamos acrescentando valor e respeito à marca.
ABÍLIO
DINIZ
161
- Durante uma crise, há aqueles que se abatem, sentam no chão
e choram. E há aqueles que se levantam, fabricam lenços e
vendem para quem está chorando.
ANDREW
CARNEGIE
162
- À medida que vou amadurecendo, presto menos atenção ao que
os homens dizem, apenas vejo o que fazem.
MARK MOBIUS
163
- Existe dinheiro em abundância no mundo. E ele procura
desesperadamente por um belo lar estável e que permita altos
retornos. O problema não é o dinheiro, mas a capacidade de
produzir retorno.
DANIELA DO LAGO
164
- No fim das contas, o que as empresas precisam é de
talentos e de gente que gera resultado.
Você já parou para pensar se o seu trabalho atual irá desaparecer,
mudar ou se reinventar? E acha que as leis vigentes vão garantir
sua vaga de trabalho? Está na hora de começar a expandir seus
horizontes e desapegar de antigos pensamentos sobre o trabalho
de ontem. É difícil encontrar profissionais
criativos, inovadores e com inteligência emocional.
Que tal começar a focar a desenvolver tais competências? As
habilidades comportamentais desse futuro trabalho você não
compra em nenhum lugar, não pode herdar e ninguém pode doar
tais competências a você: saiba que terá que desenvolvê-las.
TOM PETERS
165
- Passamos por um momento em que nada é previsível.
Escolha uma área qualquer da vida, e o que se encontra é incerteza.
Seja no que diz respeito à segurança nacional e à vida das
empresas, seja no encaminhamento das carreiras individuais.
Ninguém mais está seguro de nada. Esse ambiente se encaixa
nas definições técnicas e científicas das teorias sobre o
caos. Hoje em dia, muitas idéias que foram sólidas como rocha
para gerações e gerações se desmancharam no ar como fumaça.
Não existem mais fórmulas precisas de como conduzir com segurança
a administração de uma empresa. As regras antigas foram jogadas
pela janela. Não surgiram outras. O que se tem a fazer agora
é seguir adiante e refazê-las à medida que avançamos. Além
disso, as mudanças extraordinárias na área tecnológica, ao
mesmo tempo que representam um avanço revolucionário, provocam
imensa ansiedade e confusão. Tanto a vida das empresas quanto
a de seus profissionais foram profundamente afetadas. As formas
de “organização virtual” são uma das maiores ameaças ao mundo
atual. Principalmente via Internet, é
resultado da capacidade de grupos de pessoas se juntarem para
determinado fim mesmo estando fisicamente distantes uma das
outras.
NEW
YORK TIMES
166
- Não importa
onde uma pessoa está na hierarquia: funcionários de todos
os níveis se sentem solitários, mesmo quando há muitos trabalhadores
ao redor. A solidão afeta não somente os indivíduos mas também
as organizações como um todo, com reflexo na produtividade.
A solidão tem a ver com a qualidade dos relacionamentos, e
não com a quantidade. Promover festas ou criar distrações
não ajudará quem se sente solitário. Uma atmosfera de desconfiança,
suspeita e medo pode fazer com que os funcionários se sintam
estranhos entre si.
STEPHEN
KANITZ
167
- A maioria das
empresas no mundo são empresas familiares, e o objetivo não
é maximizar o lucro, e sim garantir um emprego para cada membro
da familia. Por isto, empresas familiares maximizam controle
acionário e não o lucro. Querem controle máximo mais do que
lucro máximo. Preferem ter 100% de uma empresa pequena que
controlam totalmente, do que 45% de uma empresa enorme, mas
que pode não empregar todos os membros da família.
GILDA
DE CASTRO
168
- Desmoronamento
de uma empresas - “O pai faz, o filho come e o neto morre
de fome”. Esse ditado registra uma percepção crítica sobre
a incompetência de descendentes na preservação de um patrimônio
arduamente construído por alquém. Esse problema angustia os
empresários porque eles conhecem inúmeros casos de organizações
que se desestruturaram, após o afastamento ou morte do fundador,
afetando o bem-estar da família e a economia do país. Nas
classes privilegiadas os pais, em geral, resguardam seus filhos
de todas as dificuldades da vida. Quando os herdeiros assumem
plenamente os negócios, demonstram, geralmente, que não receberam
formação adequada, pois não estão acostumados ao sacrifício
do lazer, consumo e desejo. Usufruem, portanto, os recursos
em proveito próprio, independente dos interesses do grupo,
ou tomam decisões nocivas à saúde financeira da empresa para
satisfazer, às vezes, alguns caprichos.
MICHELLE
BARROS
169
- O
gerenciamento de equipes é uma das quatro habilidades que
mais faltam para os profissionais de acordo com uma pesquisa
feita em 36 países por uma empresa de recrutamento pessoal.
Essa é uma realidade do mercado brasileiro e também do mundial,
apesar da crise que existe lá fora, ainda existem muitas oportunidades
que não são preenchidas por falta de profissionais qualificados.
EMÍLIO
ODEBRECHT
170
- As
oportunidades de trabalho estarão cada vez mais reservadas
para aqueles que não tenham sido preparados para obedecer
a ordens, mas para conquistar e satisfazer
clientes.
DINO
171
- Os
ambientes de trabalho cada vez mais estressantes, com excessiva
pressão por resultados e competição interna, somados a uma
vida fora do trabalho que também exige que as pessoas sejam
"multitarefas", além da ansiedade criada pela tecnologia
através de smartphones e redes sociais, está
levando a população ao esgotamento emocional.
Os funcionários devem estar saudáveis, felizes e assim poderem
produzir e inovar. Isso é fundamental para sobrevivência de
uma empresa no mundo atual, ultracompetitivo e com mudanças
rápidas e constantes.
172
- As empresas andam perdidas. Após a invenção, sem
sucesso, de diversos tipos de gestão que não deram certo,
elas vão na conversa dos "gurus" que a cada momento
inventam coisas novas, sem resultado. Aquele que descobrir
um meio de conseguir com que cada funcionário trabalhe
com plena capacidade em equipe: eficiência, entusiasmo,
terá descoberto o mapa da mina. Não haveria preço que pagasse.
Hoje as empresas são as instituições mais poderosas do planeta,
ultrapassando em muito os governos, a Igreja. Têm concentração
de talentos, força econômica e uma grande responsabilidade
nessa transformação da sociedade.
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